Articulista & Colunista

Homens também sofrem com o machismo

Por Everson Tidioli

Falar do efeito do machismo sobre as mulheres é um assunto que sempre será pertinente, no entanto há um assunto pouco discutido. Como o machismo afeta os homens.

A família é a primeira instituição de socialização e por meio dela o sujeito começa a desenvolver uma noção de eu e de mundo; a ter conhecimento do papel que é exigido dele; e da forma de se relacionar outros agentes de socialização, como as instituições educacionais.

São várias as determinantes que levam a formação de homens machistas, crenças como: “meninos não choram”, “homem que é homem não traz desaforo para casa”, “ande como homem, fale como homem”, entre outras crenças que reprimem e que estimulam a agressividade. Na adolescência outras crenças surgem e tomam espaço, por exemplo: “não se nega sexo”, “homem não faz serviço doméstico”, “lugar de mulher é na cozinha”, dentre outras.

Com o poder destas crenças a níveis extremos, estimula-se o desenvolvimento de homens abusadores, autoritários, agressivos e sem empatia para com qualquer pessoa que se mostre frágil a eles. Há também o aparecimento da depressão e de distúrbios de ansiedade, os quais colocam esses homens em situação de vulnerabilidade, levando-os a buscar o uso de entorpecentes de forma que minimizem seu sofrimento e ocultem suas emoções. A busca por qualquer tipo de tratamento para tais questões psicológicas pode colocar em questionamento a supremacia masculina, o que pode levar ao retraimento e ao agravo da adicção, gerando outros problemas relacionados ao uso de drogas. Além de evidenciar alto número de homens que morrem em acidentes de trânsito por conta do abuso de álcool e drogas.

Uma doença física, como o câncer de próstata, que é a segunda maior causa de morte entre homens no Brasil, pode demonstrar o quanto o machismo os inibem a procurar ajuda, mesmo que a saúde esteja em risco. Dessa forma, é possível perceber o quanto o machismo interfere também na vida dos homens, uma vez que parecem, muitas vezes, preferir ficar doentes, a passar pela vergonha de ter que se submeter a um exame de toque, por exemplo, o qual pode salvar vidas, pois com a demora do diagnóstico as chances de cura são menores.

O machismo tem as mulheres como o foco de sua violência, mas, como podemos perceber, mesmo que não tão diretiva, também agride a parcela de homens que condenam e disseminam a intolerância contra os que fogem do padrão. A luta contra o machismo se dá, principalmente, utilizando a educação crítica acerca dos papéis cristalizados e a educação sexual, que privilegia a equidade entre os sexos.

 

Everson Tidioli / Psicólogo CRP 06/129283

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