Articulista & Colunista

Inclusão dá voto?

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Por Lucelmo Lacerda

Existe uma mensagem de autoajuda para pais e professores de pessoas com deficiência que faz a seguinte analogia: imagine alguém que planeja ir à Itália, compra um guia, reserva hotel, aprende italiano. Esta pessoa pega o avião e quando desce, descobre que está na Holanda. O guia não servirá, a pessoa terá que se virar para achar um lugar para ficar e terá que aprender outro idioma, todo o roteiro previsto está perdido. Ir para a Holanda é tão bom quanto ir à Itália, mas precisamos nos desfazer das expectativas e viver a vida. Assim seria a vida de uma mãe ou professora que esperou uma criança típica e recebeu outra, com deficiência ou autismo.

Ana Nunes, uma mãe do autismo, diplomata, reformulou a questão fazendo uma alteração. Segundo ela, a metáfora é boa, se, ao invés de uma viagem à Holanda, pensarmos em uma viagem a Beirute (hoje poderíamos atualizar para a Síria). Os pais do autismo foram parar em uma zona de guerra.

E isso quase literalmente. Um estudo realizado em Wisconsin – EUA, em 2010 (Selzer, 2010), mediu os níveis dos hormônios do estresse em mães do autismo e não só se verificou que são compatíveis com os níveis de soldados em guerra e sobreviventes do holocausto.

Sempre digo que se todas as pessoas conhecessem a vida diária de uma família com uma criança com deficiência ou com autismo, e soubessem o que é preciso para que vivam dignamente, então os prefeitos e vereadores seriam medidos, em grande medida, pelo que fazem pela inclusão.

Hoje não é assim, ainda. Ninguém sabe dizer o projeto para a inclusão do candidato em que votou (exceto, claro, os militantes da causa). E este é o papel dos movimentos pró-inclusão, mobilizar a sociedade para este fim, fazer deste tema um elemento crucial nas eleições.

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