Articulista & Colunista

Inclusão: sobre avós, pais adotivos e um tiro no crânio

Por Lucelmo Lacerda

Alice e George Barton eram somente um casal normal. Ela sabia braile e viu um anúncio de adoção de uma criança cega com aprendizado lento e ficou interessada. George objetou “Acho que não sei lidar com uma criança retardada! ”.

Mas Alice estava convicta e foram ao orfanato. Para não incentivar a empreitada, George preferiu não entrar, ficou arrodeando o lugar. Ao conversar com a Assistente Social, Alice descobriu que o caso era muito mais sério que um “aprendizado lento”, o menino era autista “ele não fala, não aprende, e é violento às vezes”. Ela desistiu.

Mas ao sair, encontrou seu marido ao lado daquele menino cego do anúncio, que estava só, ao balanço. George estava apaixonado, aquela virava uma família de três pessoas.

Nada sabiam sobre autismo. George se impressionou ao saber que Frankie, o menino, que tinha 6 anos, quebrara uma parede de 20 cm de reboque usando unicamente seu crânio. Foram meses o ensinando a deitar-se, deixar cortar as unhas, entre outras coisas do dia-a-dia de toda criança. Eles também foram importantíssimos na luta pela inclusão das pessoas com TEA, grandes líderes que lutaram por seu filho escolhido.

Bob e Suzane Wright, por sua vez, não puderam escolher, eram avós de uma criança com autismo e por amor a Christian fundaram a Autism Speaks, a mais importante organização do movimento pró-autista no mundo.

Todos nós já vimos algum vídeo ou cena real de animais protegendo sua cria, é um dado biológico que nós, humanos, também possuímos e por isso estas lutas foram ladeadas por muitos pais de pessoas com TEA. Mas de onde vem este amor, esta energia, desses avôs e avós, destes pais que escolheram estes filhos? Não consigo senão oferecer um olhar franzido e curioso sobre a fonte inesgotável deste amor.

Talvez toda esta luta ainda não fosse suficiente caso Alec Gibson, pai de Dougie, menino com autismo, não baleasse seu filho na cabeça e o matasse a fim de evitar todo o sofrimento que via (evidentemente não se defende seu ato – mas somente os pais do autismo conhecem o sofrimento dessas famílias) e elevasse à discussão sobre a inclusão aos níveis que hoje se vê nos EUA.

O amor tem formas e caminhos inexplicáveis!

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