Articulista & Colunista

Pela mulher, pelo homem, pelo que é humano

Por Everson Tidioli

Atualmente observamos um grande movimento feminista, valorizando o empoderamento feminino, sua independência e autonomia. No entanto, é preciso esclarecer que o feminismo não é o oposto do machismo, mas um sistema de pensamentos que reconhece que homens e mulheres possuem experiências subjetivas distintas e em constante mudança, desse modo as diferenças entre ambos devem ser tratadas com equidade.

As diferenças devem ser vistas apenas de forma anatômica e fisiológica; outras características adquiridas são resultados de um construto social. Portanto, é correto dizer que as características ditas masculinas e femininas foram ganhando novos significados ao longo da história, o que nos permite dizer que se esse processo é passível de transformação, faz-se necessário uma reflexão em relação aos espaços, práticas, características e expectativas atribuídas a partir de uma diferença puramente biológica.

Ainda que haja características distintas entre os sexos nas mais diversas culturas do mundo, é perceptível o fato de que o sistema patriarcal favoreceu o homem. A naturalização de papéis atribuídos a homens e a mulheres vem evidenciando uma questão precária em níveis de saúde, tais como ao alto número de violência contra as mulheres, a sua maioria praticada por seus parceiros; o medo do estupro evidenciado ao evitar o uso de determinadas vestimentas de acordo com locais e horários; os discursos de ódio em relação a mulher serem livres para relacionamentos casuais, seja ela mãe solteira ou não.

Quando uma sociedade atribui ao homem características como a coragem, a força, o controle, o poder, a autonomia, a independência e a agressividade, e a mulher a vaidade, a delicadeza, a sensualidade, a emotividade e a sensibilidade, acaba por estimular a manutenção da violência contra a mulher. É preciso compreender que todos os indivíduos, independente do sexo, possuem potencialidades para desenvolver quaisquer características, dentro de um ambiente e formação psicossocial adequados.

Ainda que as diferenças entre os sexos não tenham sido completamente superadas, a partir do momento em que se consiga romper definitivamente com esses estereótipos, será possível haver uma sociedade com relações recíprocas entre ambos, visando o companheirismo, a parceria e a divisão de tarefas de maneira igualitária e respeitosa. Quando for possível a ambos os sexos ter autonomia, sem negar aspectos de seu ser para se submeter às exigências sociais, haverá a possibilidade de experienciarem novas formas ser.

Everson Tidioli

Psicólogo CRP 06/129283

1 Comentário

  • Existem​ milhões de formas de absorver e compreender o mundo do outro. Se trata de uma nova cultura, a qual seria interessante a prática de empatia para dar início a ela (cultura)

Deixe um Comentário