São Sebastião serviços públicos

Licitação para obras de esgoto em Barra do Una deve ocorrer no 2º semestre

Obras, avaliadas em R$ 16 milhões, foram paralisadas em 2014

Por Salim Burihan

Moradores e veranistas de Barra do Uma, na costa sul da cidade, terão que aguardar, pelo menos, até o segundo semestre, para saber se serão reiniciadas as obras para conclusão do sistema de esgoto no bairro, paralisadas em 2014.

Obras abandonadas da Sabesp em Barra do Una

A cobrança pelo reinício das obras vem sendo feita pela SABU (Sociedade Amigos de Barra do Una) e prefeitura, preocupados com a preservação e defesa ambiental do bairro, um dos mais valorizados da costa sul.

A Sabesp, em nota encaminhada ontem (5) ao Tamoios News, informou que, um novo edital para a contratação da empresa que terminará os trabalhos está previsto para o segundo semestre deste ano.

Segundo a empresa, por questões técnicas, o contrato para execução do sistema de esgotamento da Barra do Uma foi rescindido em 2014. E, que devido ao desinteresse de empresas nas duas novas licitações lançadas pela Sabesp posteriormente, foi necessário rever os projetos para complementar a obra da estação de Tratamento de esgotos.

A Sabesp informou ainda, que o novo edital para contratação da empresa que terminará os trabalhos está previsto apenas para o segundo semestre de 2018.

A reportagem apurou ainda, que devido à troca no comando da empresa, ocorrida, recentemente, com a saída de Jerson Kelman, que foi substituído por Karla Bertocco, os projetos programados estariam sendo reavaliados.

Histórico

Em 2010 foi projetado um sistema de coleta e tratamento de esgotos sanitários, abrangendo os bairros de Barra do Una e Engenho, com a previsão de 11.194,25 metros de rede coletora (já executada) atendendo a 828 ligações.

As obras de execução das redes foram contratadas e concluídas ainda em 2014, porém o sistema de elevatórias e a estação de tratamento de esgotos, contratados com a Construtora Augusto Veloso Ltda., tiveram as obras paralisadas em 2014 por dificuldades financeiras da Construtora e, até agora, ainda não foram retomadas.

Cobrança

O presidente da SABU, Raoul Cardinali Junior, em ofício encaminhado a empresa, recentemente, fez um relatório completo sobre a obra e suas necessidades. Conheça detalhes do relatório encaminhado pela SABU à Sabesp.

Atualmente a rede coletora está concluída, mas necessita um desassoreamento, por não estar em uso, porém recebendo ligações clandestinas que agravam o problema de poluição do bairro.

Vários pontos da pavimentação das ruas apresentam afundamentos, muito provavelmente pelo fato dos PVs estarem repletos de água, tanto de chuva como do próprio lençol freático. E que, além disto, alguns reparos pontuais deverão ser necessários (poços de visita, nivelamento de alguns trechos).

A Estação de Tratamento de Esgotos tem as suas obras civis concluídas. Os equipamentos de aeração dos tanques, de secagem do lodo e de cloração dos efluentes precisam ser instalados, assim como todo o sistema elétrico e de controle.

Como houve depredação do prédio de administração e controle ele deverá ser reparado e obras de cercas, iluminação, pavimentação e paisagismo precisam ser executadas. O equipamento principal já foi adquirido pela SABESP e necessita ser montado.

Na estação elevatória principal nada foi executado. Haverá necessidade de uma escavação a nove metrôs de profundidade, utilizando a tecnologia “Jet Grouding” e a montagem dos sistemas elétricos, de controle e as bombas de recalque.

O emissário, em conduto forçado, inclusive a travessia do rio Una, está concluído. As obras já concluídas consumiram investimentos de mais de R$ 16 milhões, que não estão proporcionando o retorno financeiro e ambiental para os quais foram destinados. A conclusão desta elevatória e da ETE, segundo ele, permitiriam o início de operação do sistema.

Três outras elevatórias mais simples atendem às sub-bacias que não podem ser esgotadas por gravidade e conduzem os esgotos até a elevatória principal. Nestas três elevatórias algumas obras civis pouco significativas foram executadas.

A SABU informou ainda, que o orçamento previsto para a conclusão das obras atinge R$ 10 milhões, e a verba está disponível. Os editais foram disponibilizados por duas vezes e as licitações foram canceladas por falta de competitividade, tendo havido um único licitante habilitado, provavelmente pelo porte da obra e pelas incertezas de um trabalho iniciado por terceiros.

A SABU entende que “é imperativo que a SABESP relicite a conclusão das obras deste sistema, evitando agravar os prejuízos financeiros de uma obra paralisada e em deterioração, que atingem mais de R$ 1,5 milhão por ano, além dos notórios prejuízos ao meio ambiente e à balneabilidade das praias que recebem as águas dos rios Una e Cubatão, hoje sem tratamento dos esgotos que a eles afluem”, destacou ele, no documento encaminhado à Sabesp e também, ao Ministério Público.

E, alertou, que caso não sejam tomadas providências imediatas visando à retomada das obras em curto espaço de tempo, além do prejuízo financeiro, o verão de 2018/2019 assistirá a um agravamento da situação sanitária do bairro, a perda de receita da SABESP e a poluição de praias paradisíacas, com o risco de transmissão de doenças e redução da atividade turística no local.

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