Saúde Ubatuba

Contratada por R$ 25 mil, salário de funcionária da Santa Casa é maior que do prefeito

Foto: Raell Nunes/ TN. Santa Casa está sem provedoria e sendo administrada pela Secretaria de Saúde

Hospital apresentava déficit geral superior a R$ 30 milhões em fevereiro deste ano 


Por Raell Nunes

A admissão da administradora hospitalar da Santa Casa de Ubatuba, Maria Isabel Rodrigues Cruz, gerou polêmica na cidade. Isto porque ela foi contratada com um salário fora dos padrões ubatubense: R$ 25 mil ao mês – sendo que o prefeito do município recebe R$ 15 mil. Nem o salário do Governador do Estado alcança o da administradora da Santa Casa, já que tem vencimentos de R$ 22,3 mil.

A transação envolvendo a administradora, que já trabalhou no Stella Maris, de Caraguá, foi feita pela Secretaria de Saúde, que neste momento, por determinação do juiz Fabricio José Pinto Dias, está administrando o único hospital de Ubatuba. O titular da Pasta, o advogado Roberto Tamura, foi quem assinou o pedido de contrato e o enviou ao departamento pessoal da instituição.

Média regional – Conforme a Prefeitura, quanto ao salário da diretora contratada para gerir ações na entidade, cabe esclarecer que os valores são condizentes com a média regional. Conforme afirma, a diretora tem mais de 30 anos de experiência no setor, tendo administrado hospitais em várias cidades do país, especialmente as que apresentavam crises financeiras e administrativas como a que vem atravessando a Santa Casa de Ubatuba.

A Secretaria de Saúde está há dois meses e meio assumindo os trabalhos no hospital. Nesse período, assumiu-se a responsabilidade de apresentar um cronograma para que seja realizada novas eleições e, assim, se instaurar uma nova provedoria. De acordo com a Pasta, o documento já foi protocolado no Ministério Público (MP).

Divulgação

Economia – Segundo o Poder Executivo da cidade, em 45 dias de transição, constata-se inúmeros resultados positivos e que estão sendo apresentados aos órgãos de controle e serão consolidados na prestação de contas no final do mês de Maio. Aponta ainda que houve uma economia de R$ 200 mil, gerada pela otimização de gastos, racionalização dos procedimentos e revisão de contratos. O hospital apresentava déficit geral superior a R$ 30 milhões em fevereiro de 2018.

Outro fato que também envolve a instituição é o relatório final da CPI que a mesma enfrentou por 90 dias. As provas documentais e afins estão sendo encaminhadas ao Ministério Público, tanto estadual quanto federal.

Também nesse período de 45 dias, a Administração do hospital demitiu cerca de nove funcionários, inclusive uma da comunicação. Diante disso, a explicação é que, além de coordenadores e chefes de divisão que somados ultrapassavam a cifra de R$ 15 mil, a entidade contava com contratos junto a prestadores de serviços administrativos com valores de aproximadamente 10 mil mensais e remuneração  variável conforme necessidade de consultores que  vinham de cidades do interior, somando gastos com deslocamentos, hotéis, dentre outras despesas,  que em alguns meses poderiam até mesmo ultrapassar o salário recebido pela atual diretora.

Crítica – Nas palavras do advogado, ex-funcionário da Santa Casa e candidato a prefeito nas últimas eleições, Vicente Malta Pagliuso (PSOL), se o salário da administradora foi “ajustado”, os vencimentos dos demais funcionários deveriam melhorar do mesmo jeito.

“Considerando que o salário de administrador da Santa Casa foi ajustado, então devem ser ajustados todos os salários do quadro de funcionários da Santa Casa e médicos, para que fique claro, não se tratar de ‘favoritismo politiqueiro’, tráfico de influência, maracutaia do interventor e prefeito. Queremos todos os direitos dos funcionários”, diz.

A reportagem tentou contato com a assessoria da Santa Casa para obter mais informações sobre o salário anterior de administrador do hospital, e mais esclarecimentos, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

 

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