Cultura Ubatuba

Luta do povo quilombola é tema de evento em Ubatuba

Fotos: Junior Machado/Divulgação

Celebração comemora abolição da escravatura e a luta dos negros por melhorias na sociedade


Por Raell Nunes

O evento “Maio Negro: Dia de resistência e Luta Quilombola”, que acontece no Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, promete marcar a cidade neste sábado (12), através de debates, troca de experiências e outras diversas atividades.

A programação é gratuita. A pretensão é que tudo se inicie às 10h, com uma roda de conversa sobre a garantia dos direitos das comunidades quilombolas. Adiante, o Projeto Livro a Janela da Alma montará um espaço de leitura de histórias com obras focadas no protagonismo negro.

Nas palavras de Mário Gabriel do Prado, presidente da Associação do Quilombo da Caçandoca, a ideia é passar o dia com a comunidade, fazendo atividades para comemorar o dia da abolição da escravatura, que seria no domingo.

“Vamos fazer uma roda de conversa junto à Defensoria Pública de Taubaté (SP), Ministério Público Federal, também estão vindo várias entidades ligadas aos movimentos sociais, movimento negro. Espero que seja um dia bem produtivo”, acrescenta Prado.

No evento, também haverá um almoço comunitário. Logo depois, terá oficina de escrita literária, danças circulares sagradas, apresentação de uma reunião de maracatus do Litoral Norte. O final do dia ainda contará com uma roda de capoeira, uma trilha pela comunidade e, depois, um luau e sarau de encerramento na beira da praia.

Quilombo Caçandoca é o primeiro do país reconhecido em terras da Marinha

Caçandoca – O Quilombo Caçandoca é o primeiro do país reconhecido em terras da Marinha. Ocupa uma área de 890 hectares. A Comunidade ocupa áreas da praia e do sertão da Caçandoca, entre elas as localidades de Praia do Pulso, Caçandoca, Caçandoquinha, Bairro Alto, Saco da Raposa, São Lourenço, Saco do Morcego, Saco da Banana e Praia do Simão.

A área do atual quilombo era ocupada no século 19 por uma fazenda cafeicultora e escravagista, que em 1858 foi adquirida por José Antunes de Sá. Havia também cultivo da cana de açúcar e um engenho para o seu processamento.

Em 1881, a fazenda foi desmembrada. Após a abolição, alguns dos ex-escravos se mudaram para outras localidades, mas uma parte deles permaneceu nas terras, na condição de posseiros, cultivando principalmente banana e mandioca fundiária.

Em 2000, um estudo da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) identificou famílias descendentes de escravos vivendo na região e ameaçadas pela especulação imobiliária. No mesmo ano, a Caçandoca foi reconhecida como comunidade remanescente de quilombo.

Muitos moradores da comunidade são brancos que se casaram com negros. Eles vivem em algumas das casas de pau-a-pique. Os remanescentes vivem com recursos que vêm de seu trabalho como a pesca, a coleta de mariscos, além da produção de bananas – suas principais atividades produtivas.

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