Polícia Torniquete

Polícia Federal faz buscas na ECOPAV

 

Por Leonardo Rodrigues

A Polícia Federal cumpre neste momento mandado de busca na Estação de Transbordo da Ecopav – Construção e Soluções Urbanas, empresa responsável pela coleta de lixo em São Sebastião. A ação é realizada pela perícia da PF, apoiada pela Polícia Militar Ambiental (PMAmb) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

O objetivo é verificar se a empresa está cumprindo a legislação ambiental em sua atividade no município. Segundo as primeiras informações da PF, tal investigação se dá no âmbito do inquérito policial 77/2017.

A reportagem esteve no local e tentou um parecer da empresa. Porém, funcionários, que preferem não se identificar, falaram que a Polícia Federal permanece na empresa, e que ninguém pode dar qualquer informação por enquanto. Alguns trabalhadores do lado de fora, aguardavam a chance de entrar. “Mas a ordem é ninguém entra, ninguém sai”, comentou um dos funcionários, que também pediu para não ser identificado.

No entanto, a reportagem apurou que a ação da PF na manhã desta terça-feira (3), faz parte da Operação Torniquete, que apuram propinas em contratos da Prefeitura de São Sebastião durante os dois mandatos do ex-prefeito, Ernane Primazzi (PSC), entre 2009 e 2016. Há vestígios de desvios de recursos na Saúde, no serviço de coleta de lixo no município, e obras públicas. Além de vícios no processo licitatório que direcionava ganhos a uma empresa.

Em novembro, a Polícia Federal já revelou que o inquérito tinha identificado evolução patrimonial desproporcional das empresas após as contratações pela Prefeitura. Só a Ecopav, responsável por serviços de coleta de lixo e varrição, quintuplicou seu capital social entre 2009 e 2016, saltando de R$ 15,2 milhões para R$ 76,5 milhões.

De acordo com o coordenador das investigações da Polícia Federal (PF), Carlos Roberto de Almeida, houve superfaturamento no contrato com o serviço de coleta de lixo. “Cada caminhão com lixo que pesavam era como se fossem dois caminhões”, diz. Com isso, o dinheiro gasto para a coleta de lixo era desproporcional com o que é produzido na cidade. Para se ter uma ideia, São Sebastião que conta com cerca de 73 mil habitantes, tinha um gasto com lixo equivalente a produção de um município com uma população de mais de 500 mil habitantes.

 

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