Meio Ambiente São Sebastião

Após 26 dias encalhada, Lancha é retirada da Ilha Montão de Trigo

Fotos: Divulgação


Por Leonardo Rodrigues

Somente após 26 dias encalhada, a lancha que estava presa na Ilha Montão de Trigo desde o dia 4 de novembro, foi retirada nessa quinta-feira (30). Uma empresa contratada da seguradora da embarcação esteve presente há duas semanas e só conseguiram êxito na retirada da lancha somente na tarde de ontem. Desde que ficou presa no Montão de Trigo, a lancha despertou polêmicas. Enquanto pescadores locais denunciavam vazamento e manchas de combustível no mar, a Prefeitura alegava se tratar de algas. A ilha também foi invadida por assaltantes que tentaram furtar a embarcação.

Mancha no mar – Na ocasião em que a embarcação foi abandonada na Ilha Montão de Trigo após se chocar nas pedras, Valéria Oliveira, moradora da Ilha, contou não ter dúvidas quanto a substância encontrada no mar. Com o incidente, um cheiro forte de óleo tomou o local, devido ao vazamento de combustível. “Acho que vazou o combustível inteiro. Uma faixa de mar no entorno da ilha foi tomada de óleo. O cheiro era muito forte”, fala Valéria. Adilson de Almeida Oliveira, pescador do Montão de Trigo diz também não ter dúvida. “Com certeza era combustível. O tanque foi atingido. O cheiro era forte. Não temos dúvida. Agora é ver como fazer com a pesca, já que o óleo atingiu principalmente a costeira. A pesca agora diminui”.

A coordenadora de proteção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio Alcatrazes, Edineia Correia, já havia confirmado que uma equipe foi ao local do incidente um dia após o encalhe da embarcação, no dia 5. Os primeiros a conferirem o incidente in loco. Segundo ela, ao chegarem constataram o óleo, que estava se dispersando na direção noroeste. Ou seja, indo para a costa de São Sebastião.

Contudo, o diretor de planejamento e abastecimento da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Leandro Saadi, afirmou do dia 7, que não houve vazamento. “A lancha que colidiu na Ilha não teve o motor afetado, portanto, não teve vazamento de óleo diesel no mar”, explicou Saadi. Embora, tenha realizado vistoria nas praias de Toque-Toque Pequeno e Santiago. As vistorias foram feitas nas praias do continente, com equipes da Coordenadora da Defesa Civil, Semam e Porto, para averiguarem o que consideram “suposto vazamento de óleo” da embarcação que está na Ilha Montão de Trigo. A conclusão foi que as manchas no mar próximas já à Praia de Santiago era o fenômeno natural chamado Maré Vermelha, que consiste no acúmulo de algas microscópicas na água. O que ocasiona a mudança de cor da maré, podendo ser de vários tons, como marrom, alaranjada e vermelha, o que causou a confusão nos pescadores. Assim, os relatos das manchas escuras no mar provenientes do óleo da embarcação que abalroou nos rochedos da Ilha Montão do Trigo, foi desmentida pelos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente. Depois das conclusões da Semam, um plano de contigência elaborado pela Defesa Civil foi descartado.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Ricardo dos Santos, um plano de contingência já havia sido preparado pelo município, com embarcações, bombas de sucção e lonas de contenção para evitar o alastramento do óleo, caso fosse o caso. “Enquanto as equipes de mar faziam todo o preparativo para a contenção e remoção do óleo, outra por terra veio verificar no local do que realmente se tratava. A denúncia que recebemos é que haveria um vazamento de óleo, porém, está constatado ser o fenômeno Maré Vermelha”, considerou Santos na terça-feira.

Tentativa de furto – A lancha também sofreu tentativa de furto, no dia 12 de novembro. Segundo relatos dos moradores, que preferem dessa vez não se identificar por medo de retaliações, dois homens estavam no interior da embarcação. Os moradores perceberam movimentação estranha na lancha e ao se aproximaram notaram a presença de dois homens que procuravam algo de valor que pudessem levar embora. De acordo com um dos habitantes da ilha, “jogamos uma pedra na embarcação, mandando os homens saírem, foi quando tivemos que nos esconder atrás das pedras, pois, um dos indíviduos começou a atirar. Eles fugiram sem levar nada”.

Apesar de nada ter sido furtado da embarcação, o ocorrido despertou mais preocupações dos moradores do local. “Estamos com medo, pois, podem voltar. Estamos em alerta, graças a Deus ninguém ficou ferido”, relata uma moradora que teme pela segurança de quem vive na ilha.

Agora, com a retirada da lancha, também se afasta a possibilidade de novas aparições de bandidos. Sem conclusões quanto se houve, ou não, vazamento de combustível, a embarcação já não está mais no Montão de Trigo, e a vida dos moradores da ilha devem voltar ao normal a partir de agora.

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