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Maiores remadores do país realizam expedição inédita ao arquipélago de Alcatrazes

Foto: Divulgação. Alcatrazes

Segunda maior preservação marinha do país, fechada desde a década de 80, será aberta ao público em janeiro 

Entre 60 e 70 dos maiores remadores do país vão participar no sábado (18) de uma expedição inédita de canoa havaiana para ao arquipélago de Alcatrazes, localizado a 40 quilômetros de distância da costa de São Sebastião, litoral norte do estado de São Paulo.

A expedição, que contará entre cinco ou seis canoas havaianas para 12 remadores cada, com ajuda de barco de apoio, será o primeiro evento esportivo a ser realizado no arquipélago que desde o início da década de 80 é de propriedade da Marinha do Brasil e era utilizado para exercícios de tiro até o ano de 2013. O uso do espaço e recursos, como pesca e extração, continuam proibidos. O local é considerado berçário de espécies, inclusive em extinção.

Considerada a segunda maior preservação marinha do Brasil, Alcatrazes teve recentemente portaria assinada pelo Governo Federal para ser aberto para visitação de turistas em janeiro de 2018. O arquipélago de Alcatrazes foi oficializado como Refúgio de Vida Silvestre há cerca de um ano e, com isso, passou a ser totalmente protegida e liberada à visitação e mergulho. O local tem 67 mil hectares e 13 ilhas a cerca de 40 quilômetros da costa de São Sebastião.

A expedição é liderada por nomes como Geórgia Michelucci, que coordena o clube São Sebastiãoo VA´A (nome que se dá à canoa havaiana) em São Sebastião, Douglas Moura, um dos principais nomes do esporte no país tendo realizado no início de setembro a maior expedição do país em número de dias em canoas havaianas individuais entre Conceição de Jacareí (RJ) até Ubatuba sem barco de apoio e participações na segunda maior prova mundial realizada na França, o Vande Va´A.

O evento terá a presença de Edílson Assunção, mais conhecido como o Alemão de Maresias, um dos 10 maiores surfistas de onda gigantes do Brasil que tem a canoa havaiana como uma grande paixão.

A expedição, que tem a autorização do Núcleo de Gestão da ICMBio (Instituto Cândido Mendes de Conservação da Biodiversidade), é um experimental de visitação à ilha que será regulamentada em janeiro de 2018. As autorizações estão sendo usadas para que se adeque a logística quando o arquipélago for liberado ao ecoturismo no próximo ano. Geórgia Michelucci explica o itinerário a ser realizado começando no dia anterior, 17 de novembro, com briefing e preparativos.

“A expedição começará um dia antes, onde durante a noite às 19h, faremos um briefing no Observatório Turístico que fica na Praia Grande. A saída será às 5h da manhã da Praia Grande de São Sebastião com previsão de chegada entre 9h e 10h. Lá faremos uma volta pelo arquipélago de cerca de 15 quilômetros e vamos parar por cerca de duas horas para fazer mergulho, tirar fotos, filmagens e explorar as belezas da região e depois teremos o retorno”, explicou Geórgia que pratica canoa, disputando competições e realizando expedições há três anos e que desenvolve o projeto Canoa para Todos onde integra o esporte e saúde para crianças, adolescentes, idosos, pessoas com mobilidade reduzida, entre outras.

“A história do arquipélago para nossa região e também para o Brasil. Durante 30 anos lutamos para que essa área deixasse de ser área da Marinha, há pouco tempo atrás o arquipélago era alvo da Marinha e do continente, das praias de São Sebastião víamos e ouviamos os exercícios e os tiros e bombardeis. É uma conquista para nós e essa expedição será nosso primeiro momento como comunidade em fazer a chegada no arquipélago e com essa filosofia que tem a canoa havaiana. O enfoque como esporte é muito importante, mas também no ponto de vista sócio-ambiental que é uma conquista”, revelou Maria Cecília Borgse, remadora caiçara e defensora do mangue do Araçá, situado em São Sebastião ao lado do porto.

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