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“Foram socos e pontapés” relata bombeiro sobre agressões em ação sindical na UTGCA

Divulgação

Além de bombeiro, terceirizada da Petrobras também move ação contra sindicato por  ferir o direito de liberdade de seus colaboradores

 

Por Adriana Coutinho
Colaboração Leonardo Rodrigues

Um bombeiro ligado a empresa Infotec – terceirizados na Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba procurou a reportagem para relatar as agressões sofridas nessa quarta-feira (18), durante ação sindical que paralisou a entrada de trabalhadores na UTGCA. “Eram 10 em cima de mim, e de meu colega. Não foram os trabalhadores da UTGCA. Foram o pessoal do sindicato”, afirma ele, que prefere não se identificar por questões de segurança.

O bombeiro conta que ao chegar para trabalhar na manhã de ontem (18), ficou em dúvida se a paralisação contava com a participação do sindicato de sua categoria. “Sempre fui estatutário. Sou novo no regime celetista (vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho). Não entendo nada de sindicato, só queria saber se o sindicato dos bombeiros estava lá, ou não”, conta.

Ele relata que ao chegar na portaria perguntou aos presentes qual era o sindicato envolvido. “A resposta foram socos e pontapés. Me derrubaram. Jogaram minha moto, e a de meu colega no chão, e começaram nos agredir”, fala. Questionado se houve reação por parte dos bombeiros, ele é sucinto: “Como reagir a 10 contra um?”.

Segundo ele, outros dois colegas também sofreram ameaças. O bombeiro revela que processará o SINTRICOM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Mobiliário e Montagem Industrial de São José dos Campos e Litoral Norte), sindicato que mobilizou a paralisação, em razão das agressões sofridas.

Empresa – A empresa INFOTEC se posicionou por meio de sua assessoria jurídica nesta quinta-feira (19), sobre o ocorrido com seus colaboradores bombeiros que foram impedidos de entrar para trabalhar na UTGCA. Eles foram agredidos fisicamente nessa quarta-feira (18). Segundo a empresa, com o objetivo de protegê-los, registrou boletins de ocorrências e exames de lesões corporais -corpo de delito – e encaminhados para cuidados médicos.

A reportagem questionou sobre as agressões, Tiago Nicolini, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista SINDIPETRO-LP, que disse não estar no momento das agressões. “Não presenciei. Mas tudo logo se acalmou. A gente lamenta o ocorrido, não é uma situação confortável para ninguém, também ficamos preocupados com as agressões, pois não trabalhamos desta forma. A gente sempre trabalha com convencimento”.

Segundo Nicolini, a maioria dos funcionários das terceirizadas não conseguiram entrar para trabalhar neste dia – “Nosso sindicato sempre presta o apoio e solidariedade, mesmo representando os empregados próprios da Petrobras, quando há qualquer movimento, nós acompanhamos e apoiamos” – comenta.

De acordo com a empresa INFOTEC, providências judiciais foram tomadas e uma nova liminar, aumentando a multa contra o SINTRICOM, por ferir o direito de liberdade de seus colaboradores, o ir e vir, previsto no Art. 5, inc. XV da Constituição Federal de 88.

Reforça ainda, que os funcionários da INFOTEC terceirizados na UTGCA, são representados por sindicatos correspondentes às atividades por eles desempenhadas – Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra, Trabalho Temporário, Leitura de Medidores e Entrega de Avisos do Estado de São Paulo (SINDEEPRES – SP) e Sindicato dos Bombeiros Civis do Estado de São Paulo (SINDBOMBEIROS) e não a SINTRICOM.

Sobre o SINTRICOM ter afirmado que estava defendendo os direitos trabalhistas de seus colaboradores, a empresa nega. “Nossos gestores estiveram no dia 10, em Caraguatatuba e consultaram nossos funcionários e eles entenderam que o SINTRICOM não os representa e sentem seus direitos violados, coagidos e ameaçados por este sindicato”.

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