Caraguatatuba

Formados, detentos do CDP buscam ressocialização e incentivo para seguir futuro com honestidade

Fotos: Divulgação/SAP

Cerimônia de formatura de 30 detentos ocorreu durante Jornada da Cidadania e Empregabilidade e teve presença de familiares

Por Gustavo Nascimento, de Caraguatatuba

O olhar de esperança de uma vida mais digna ou mesmo a certeza de que é possível sair do sistema prisional muito melhor do que quando entrou. Assim pode ser resumida a formatura de aproximadamente 30 presidiários do CDP (Centro de Detenção Provisória), que trocaram o uniforme convencional por becas e capelos nesta quinta-feira (25), em cerimônia realizada na unidade.

E o nome do evento que teve a formatura como o auge da festa é muito sugestivo: Jornada da Cidadania e Empregabilidade. A segunda edição promoveu também, durante todo o dia, a expedição de documentos de identificação como RG, CPF e certidão de nascimento para os presos provisórios.

“O dia de hoje é um recomeço para mim, tanto intelectual como espiritual. Essa é a primeira vez que visto uma beca, o que era algo que eu nem poderia imaginar ou sonhar lá fora”, disse, emocionado, Felipe Wagner, de 25 anos que estuda o 1º ano do Ensino Médio na unidade prisional.

Felipe Wagner foi um dos diplomados do curso do Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania (PET). O objetivo da capacitação é preparar os alunos para o mercado de trabalho com aulas sobre cidadania e ética, empreendedorismo e meio ambiente.

Felipe Wagner e a mãe, Simone de Moraes

Durante a formatura, um grupo de 20 detentos fez uma apresentação especial com apresentação da música “Raridade”, de Anderson Freire. Um tocou viola e outro na percussão. Os trabalhos foram desenvolvidos durante quatro ensaios sob supervisão dos profissionais da Fundacc (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba)

“Preciso sair daqui diferente de como entrei. Eu encontrei na arte uma maneira de ocupar a mente. De alguma forma, a arte dá força e incentivo para seguirmos uma vida honesta, pois nos faz refletir sobre o mundo ao nosso redor”, filosofou Lucas Silveira, de 22 anos.

Lucas, além de ter cantado na abertura da Jornada, já escreveu 30 louvores desde que chegou ao CDP e ensinou três colegas de cela a tocarem violão. Além disso, o detento escreveu uma música chamada “Hoje é Tempo” e apresentou na abertura.

“Hoje é tempo de mudar minha história. Nada vai me impedir de conseguir, pois o tempo que passou não vai voltar. Vou lutar, vou batalhar, vou conseguir”, diz repleto de determinação o trecho da canção do compositor.

Outras atividades – A Jornada da Cidadania e Empregabilidade também contou com uma exposição de 35 telas (22,5 x 16,5 cm), pintadas pelos próprios reeducandos, para compor parte do cenário da Jornada.

Segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciaria, pelo menos 30 presos do CDP de Caraguatatuba participaram de um espetáculo de teatro e apresentação de canto e coral. A montagem foi feita pela equipe da Fundacc.

A peça “O Reflexo do Espelho Estrangeiro e a Esperança de um Povo Brasileiro” foi desenvolvida pela professora Bruna Guimarães que há três semanas ensaia com 10 detentos

Na avaliação do diretor geral do CDP de Caraguatatuba, Renato Benetti, a Jornada é uma oportunidade para que os detentos exerçam a cidadania. “Hoje, vocês são reeducandos e amanhã, serão cidadãos. Agora vestem uma roupa de preso. Quando saírem daqui tirem essa ‘roupa’ e voltem ao seio de suas famílias. Mantenham o compromisso de uma conduta reta, afinal, somente assim irão dar início a uma busca por novos horizontes”, disse.

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