Caraguatatuba Conselho Tutelar

Padre critica ação do conselho tutelar em festa do padroeiro

Conselho tutelar  fiscalizou jovens que trabalham na festa da igreja

Por Salim Burihan

O padre Beto, pároco da Igreja Matriz de Santo Antônio, a mais tradicional da cidade, rebateu neste domingo (10), a acusação de uso de trabalho infantil na festa em homenagem ao padroeiro.

Uma advogada da cidade, cujo nome não foi revelado, teria denunciado ao Conselho Tutelar, que jovens menores de idade estariam trabalhando na festa comunitária da igreja.

No sábado, dois fiscais do conselho tutelar foram até a igreja averiguar a denúncia. Os fiscais questionaram a presença de dois jovens no interior de uma barraca de doces.

Os fiscais comunicaram a responsável pela barraca que os jovens não poderiam trabalhar no local. Segundo teriam dito eles, “isso é proibido por lei”.

Os dois jovens, com idades entre 15 e 16 anos, participam da catequese e do grupo de coroinhas. Eles estavam acompanhados pelos pais na festa da Igreja.

O padre Beto, na missa de domingo, criticou a autora da denúncia e a ação do conselho tutelar por ter enviado fiscais, até a igreja, para averiguar a denúncia.

Segundo ele, os jovens estão dentro da igreja, fazendo um trabalho voluntário, junto da sua comunidade.

Padre Beto, profundamente irritado com a ação dos fiscais, afirmou que o conselho tutelar deveria se preocupar com os jovens que bebem, consomem drogas e se prostituem nas praças das cidades e nas festas que ocorrem no Camaroeiro.

Segundo ele, desse jeito, nem mesmo os coroinhas, poderão participar mais das missas.  O padre aproveitou o sermão durante a missa, para “puxar a orelha” da autora da denúncia e do conselho tutelar.

Apoio

“Os jovens estão dentro da igreja, fazendo um trabalho voluntário, junto da sua comunidade, acompanhados dos pais. Entendo que, o conselho tutelar está confundindo as coisas. Aqui, eles estão tendo noção de empreendedorismo, convivendo com gente do bem, em segurança”, comentou Sthênio Pierroti, ex-presidente da Associação Comercial da cidade.

Sthênio é uma das 120 pessoas que trabalha voluntariamente na festa. A fiscalização feita na pelos fiscais do conselho tutelar na festa do padroeiro, no sábado, irritou a maioria dos fiéis.

“Um absurdo, a denúncia e a atuação do conselho. Confundiram prestação de serviço voluntário e comunitário, com trabalho propriamente dito. O jovem na igreja está atuando em prol da comunidade. Um trabalho comunitário que faz muito bem prá ele”, disse Maria Auxiliadora, prestado sua solidariedade ao padre.

“Acho que, estando aqui, na festa, o jovem, prestando serviço ou não, está livre das más companhias, livre das drogas, das bebidas. Ele, o jovem, está se integrando com à sua comunidade, colaborando com ela, numa das festas mais tradicionais da cidade. O padre tem toda razão”, comentou José Roberto Cardoso.

“Os dois jovens, que os fiscais, viram dentro da barraca, estavam fazendo companhia prá mim. Eles participam da catequese e do grupo de coroinhas da Igreja Matriz. Um deles estava acompanhado da mãe, que é advogada. Questionei a ação dos fiscais. Um deles me respondeu que criança tem que brincar e não, trabalhar”, disse a psicopedagoga Janaína Santos, responsável pela barraca de Doces.

Segundo ela, que é catequista da igreja, a atuação dos fiscais foi equivocada. “Jovem, na igreja, fazendo serviço comunitário é muito valioso. Eles não estavam trabalhando, estavam participando, acompanhados dos pais. Trabalho com jovens, sei o quanto esse envolvimento com a comunidade é importante prá eles”, disse.

A reportagem tentou entrar em contato com os coordenadores do Conselho tutela para obter informação de um de seus representantes sobre a fiscalização feita na igreja.

Não foi possível falar com nenhum deles até o fechamento da matéria. Os telefones do conselho, obtidos na internet ou fornecidos pelo Conseg, não atenderam as chamadas feitas.

4 Comentários

  • Creio que no Brasil, neste momento, estamos vivendo uma inversão de valores, onde se vêem tantas coisas erradas sendo feitas e encaradas como normais, que as atitudes que podem contribuir para minimizar o CAOS, na intenção de resgatar a sociedade, são encaradas como “descumprimento da lei”.

  • Foi muito infeliz essa advogada, bem como os responsáveis pelo conselho Tutelar que não avaliaram a situação antes de agir! Deveríamos agradecer, pela comunidade seja ela católica, evangélica, …ou escolar, em estar envolvendo nossas crianças, jovens e adolescentes nos trabalhos voluntários, ensinando-os sobre cidadania, solidariedade, prestação de serviços, mantendo-os assim,longe das ruas, das drogas, da prostituição infantil…!
    Cara advogada, quer realmente ajudar e prestar bons serviços junto aos menores? Visite as ruas de nossos bairros ao entardecer, as portas das escolas, aos agrupamentos na Pedra da Freira, as “festinhas” realizadas na praça de eventos, nas praças mais discretas de nossa cidade,… lá sim, vai encontrar muito mais do que procura!

  • Isso é uma oportunidade para testemunhar que a Igreja é a casa dos filhos de Deus que aderem a fé. Não trabalhamos para uma ONG, uma empresa ou qualquer outra denominação. A igreja é a nossa casa, ou será que a lei proíbe um filho de trabalhar em sua própria casa? Meus caros dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, cuidado todos aqueles que, assim como Saulo antes de sua conversão, persegue a igreja de Deus, pois saibam que não perseguem a homens mas sim o próprio Cristo “cabeça da igreja”.

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