São Sebastião

Falta de assistência ainda é sentida por famílias das vítimas do acidente com ônibus da Linha 12

Memorial com nome das 18 vítimas foi colocado no lugar do acidente

Acidente completa 1 ano e apenas 5 famílias recebem indenização do acidente que causou 18 mortes 

Por Leonardo Rodrigues, de São Sebastião

Hoje é um dia de homenagens e saudades em São Sebastião. Isto porque nesta quinta-feira (8) completa um ano do acidente com os universitários do Ônibus da Linha 12, que causou a perda de 17 estudantes e do motorista. Na ocasião, o ônibus da empresa União do Litoral retornava de Mogi das Cruzes, com universitários da Costa Sul da cidade quando tombou no trecho de serra, próximo ao Km 84. O acidente ainda deixou cerca de 30 feridos.

Após 12 meses da tragédia há famílias das vítimas que precisam lidar sozinhas com a dor e perda de filhos e filhas. Como é o caso de Delson Roque Teixeira, que perdeu a filha Nathalia. “Nenhum telefonema. Nada. Não recebemos qualquer papel, visita ou consideração”, desabafa. Apesar das homenagens e missa a serem celebradas, Delson não acredita que sensibilizará alguma autoridade ao ponto de prestar alguma assistência às famílias. “Não acredito. Como disse, se passou um ano e não recebemos sequer um telefonema. De ninguém”, fala.

Segundo o pai de Nathália, seu caso não é exclusividade. “Quase todo mundo está nesta situação”, diz.

Marcus Oliveira dos Santos, pai de Gabriela, fala que custeia atendimento psicológico à família. “Não recebemos nada de ninguém. Não recebemos indenização, nem assistência. Nada, nem atendimento psicológico, que eu mesmo tenho que contratar”, desabafa. Além da falta de assistência, Marcus comenta que sequer houve tentativa de diálogo com as famílias. “Ninguém mesmo vem até nós e pergunta o que precisamos”, diz.

Apesar do acidente ter ocasionado a morte de 18 pessoas, passados um ano, a empresa proprietária do ônibus, União do Litoral, firmou até o momento cinco acordos de indenização, por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com a Defensoria Pública.

Joana Leite, mãe de Gabriela, afirma que recebeu “todo respaldo”. Sem querer entrar em detalhes, Joana diz apenas que a iniciativa foi dos familiares que buscaram apoio. “Nós tivemos que ir atrás. Mas não temos o que reclamar não”, fala Joana que também agradece ao apoio da comunidade.

Divulgação

Igreja – O único acompanhamento a todos sem distinção tem sido da Igreja. O Padre Douglas Franco Machado, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Boiçucanga, explica que a Missa de Ação de Graças a ser celebrada às 20h, na Igreja Matriz de Boiçucanga, será um momento de oração com as famílias. Porém, o padre conta que a companhia próxima aos familiares das vítimas está presente durante todos esses 12 meses.

“Eles (os familiares) são meus paroquianos. Estamos juntos e eu os acompanho desde o acidente. Não estamos aqui para aparecer somente em homenagens um ano depois. Mas o que queremos é que hoje, todos peçam a Deus que continue a consolar esses corações”, fala o padre.

Receio e saudades – O acidente ainda é vivo na memória não só de familiares mas de tantos outros estudantes que enfrentam a mesma rota diariamente. O local traz à memória pesar e saudades. Como é o caso de Laura Maximino, que cursa a faculdade de Psicologia na UMC (Universidade de Mogi das Cruzes) e ainda sente falta do amigo Lucas Inácio Pereira, de 18 anos, e que cursava Jornalismo na mesma universidade. “Ninguém dorme no trecho de serra. Todos sempre ficam olhando. O local do acidente sempre chama atenção. Ainda chama atenção”, conta Laura, que está na metade do curso e sabe que ainda irá passar pelo mesmo percurso do Ônibus da Linha 12 nos próximos dois anos.

Ela relata que nos meses seguintes ao acidente as viagens foram mais difíceis. Com o tempo, a preocupação e a saudades ainda insistem em ficar. “No começo é difícil. O medo é algo humano, estar receoso sempre que passa por lá. Mas o que fica são as lembranças dos amigos”, diz.

Foto: Rafael César

O transporte universitário é uma realidade no município e mantido pela Prefeitura de São Sebastião. Diariamente, mais de 600 estudantes enfrentam as estradas e rodovias que cortam a região em busca da graduação. Isso porque na cidade só há duas instituições de ensino superior e a oferta de cursos ainda não supre a demanda. Por conta disso, a Prefeitura mantém o programa de transporte universitário, que garante a gratuidade na ida e volta para outras cidades, à estudantes matriculados em cursos não disponíveis na cidade.

As linhas de ônibus universitário são divididas em 13 ônibus da empresa União do Litoral, que se destinam às cidades de Caraguatatuba, Taubaté, São José dos Campos e Mogi das Cruzes.

Ação de Graças – Uma Missa de Ação de Graças também será celebrada nesta quinta-feira (8), às 20h, na Igreja Sagrado Coração de Jesus, em Boiçucanga. Parentes das vítimas também acompanharão o ato religioso.

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