São Sebastião

Presidente da Cia Docas afirma que privatização do Porto é algo “embrionário”

Fotos: Leonardo Rodrigues

Tércio diz que privatização do Porto de São Sebastião não depende dele, mas do Governo Federal

Por Leonardo Rodrigues, de São Sebastião

O presidente da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), Casemiro Tércio Carvalho, afirmou em entrevista exclusiva ao Portal Tamoios News que a a privatização do Porto de São Sebastião é algo “ainda embrionário”. Ciente da manifestação de alguns trabalhadores portuários contrários à possibilidade de privatização do Porto, no fim da tarde dessa segunda-feira (31), Tércio considera falta de entendimento por parte de seus organizadores.

A manifestação de hoje, que surgiu após fala de Tércio em congresso recente em Brasília, onde teria se colocado favorável à privatização, estaria fora de contexto. Ele afirma ainda que sua participação em evento em Brasília foi na condição de presidente da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph). “Agora trazem aos trabalhadores um discurso apocalíptico de demissões e que assusta”, avalia.

“Eu participei do congresso sim, onde a discussão eram sobre prós e contras das concessões. Ali eu opinei favorável dentro de um debate sobre concessões e como presidente da Aleph. Falar sobre privatização do Porto de São Sebastião é algo ainda embrionário. Estão tirando uma fala de um debate e colocando como verdade absoluta”, ressalta.

O presidente das Docas sebastianense diz que a privatização do porto não é um processo simples e tão pouco a curto prazo. “Quem vai decidir sobre a privatização do Porto de São Sebastião não é o Tércio.  Também não é o Estado. O Porto de São Sebastião apenas é administrado pelo Governo do Estado. Isso é uma discussão que depende de processos, convênios e do Governo Federal. Falar em privatização do Porto de São Sebastião é uma discussão que nem começou”, considera.

Faixa dos manifestantes em frente à entrada do Porto de São Sebastião

Tércio revela que está preparando no segundo semestre do ano um Plano de Demissões Voluntárias (PDV), para ser colocado em prática ano que vem. “Há muitos trabalhadores que querem ter acesso ao seu Fundo de Garantia e que o PDV pode servir. Mas isso também é algo voluntário. Não tem nada a ver com a concessão do porto”, considera.

Casemiro Tércio afirma que a manifestação dos trabalhadores não afetará nas atividades do Porto. “Já foi acordado em realizar a manifestação após o expediente, e eu sei que isso é um direito que os trabalhadores têm, de se manifestarem”.

Portuários – O representante do Sindaport (Sindicato dos Empregados na Administração Portuária), Agnaldo Rodrigues da Silva, afirma que os portuários, em todas as categorias (estivador, conferente, arrumador, vigias e da própria Companhia Docas), são contrários à concessão do porto sebastianense. Segundo ele, o evento em Brasília, na qual o presidente da Cia Docas de São Sebastião participou e se colocou favorável a privatização serviu de alerta à necessidade dos trabalhadores se posicionarem.

“Como o presidente sugeriu que as privatizações começassem pelos portos pequenos, nós portuários de São Sebastião estamos manifestando nossa posição contrária à concessão do Porto de São Sebastião”, afirma Silva, ao acrescentar que a categoria é a favor de um porto público e sustentável. “Queremos chamar a atenção da sociedade, autoridades e Governo para vir em discussão conosco. Defendemos um porto público e que seja regionalizado”, fala.

Silva considera ainda os investimentos do Governo do Estado na construção dos Contornos e duplicação da Tamoios. “Gastaram milhões no acesso ao Porto e agora querem dar isso de mão beijada?”.

Da entrada do Porto, os manifestantes seguiram para a Rua da Praia, depois até a altura da Padaria Elite, onde retornaram para o portão principal.

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