Perfil Ubatuba

Artista retrata paisagens da região em obras de metal

Fotos: Divulgação

Profissional da arte já fez tartaruga, cavalo e diversos pássaros em metal

 


Por Raell Nunes

“Antigamente eu era fascinado por silhueta de mulheres, era uma fase. Agora eu faço mais pássaros, paisagem, porque é mais compatível com a região. O artista tem que retratar o que vive”. É com essas palavras que o artista Mauro José Divino, também conhecido por Di San, define o seu momento atual com sua arte de metal.

Morando há 8 anos em Ubatuba, Mauro Divino está quase sempre em produção. Em sua casa nas Toninhas, ele coloca uma música – geralmente é um jazz ou blues – para relaxar e começar a desenvolver a sua metodologia. Diversos martelos em formato de bola, livros de imagens que contém paisagens, ferramentas e metais se conectam ao artista em vice-versa. “Vim para Ubatuba pela qualidade de vida e por estar perto da natureza, principalmente perto das aves e da Mata Atlântica”, comenta.

Uma hora ou outra o artista para alimentar os cachorros e os pássaros que pousam em seu quintal, que é repleto de plantas e árvores. Ele conversa com a mulher para distrair e admira a natureza ao seu redor. Muitas de suas obras são encomendadas e Divino é sempre atendo a opinião de seus clientes. “Gosto de desafios, de encarar novas jornadas. Se me propor um, eu aceito”, diz.

Algumas obras dele custam R$ 4 mil, outras R$ 8 e existem criações que foram vendidas até por R$ 15 mil. Há clientes em várias partes do Brasil. Segundo conta, houve até interesse internacional por sua composição em metal. “Tem uma cliente que levou um quadro meu para Espanha”, revela.


História – Divino nasceu em Barbacena (MG) em setembro de 1949. Ficou sem os pais aos 2 anos de idade e foi criado por um instituto beneficente até os 16 anos. Adiante, cumpriu o serviço militar em São João Del Rei (MG), no qual assumiu a função de desenhista na preparação de mapas e plantas.

Aos 21 anos Mauro Divino foi seduzido pela cidade do Rio de Janeiro, onde desembarcou, sem dinheiro e sem destino, em 1971. Conseguiu, com a ajuda de um conhecido, uma bolsa de estudos para um curso noturno de desenho de propaganda (Instituto Oberg) em Copacabana. Mais tarde, trabalhando como vigia de uma loja de artesanato, onde eram dados cursos de arte e artesanato, é que Mauro Divino iniciou sua carreira no trabalho de couro, madeira e metais.

Aprendeu as técnicas de entalhe em madeira e de cinzelar metal com um mestre alemão, professor Frederico Bonawitzs. Por seu bom desempenho passou a trabalhar como monitor destes cursos junto aquela entidade durante alguns anos.

Arte – Trabalhou por conta própria, com outros artesãos, chegando a ser sócio numa loja na região de Petrópolis. Voltou ao Rio, retomou seus contatos e começou a produzir bandejas comemorativas que eram distribuídas pela Secretaria de Agricultura nas exposições Agropecuárias do Estado.

Paralelamente, inscreveu-se para exames na Escola Caloustre Gulbenkian e conseguiu uma barraca – box na feira Artesanal da Praça General Ozório, em Ipanema. Com seu “atelier” montado na garagem da Secretaria de Agricultura continuou trabalhando os prêmios que lhe garantiram o espaço para produzir seus trabalhos artesanais vendidos na feira aos domingos, do qual sobrevivia.

Conheceu muitos artistas plásticos, jornalistas e pessoas como Oswaldo Teixeira, Pascoal Carlos Magno, Áureo Nonato, Paulo Duque Estrada Méier que eram admiradores das artes. Sensibilizados com a criatividade de Mauro, compraram seus trabalhos e encomendaram outros, ajudando-o e incentivando-o.

Em meados dos anos 80, ainda no Rio, o artista se encanta e se encontra com o trabalho mais fino e apurado das joias artesanais que veio a aprender com o grande mestre Márcio Mattar. Participou da mostra coletiva “Joias no Itanhangá”, de 14 de abril a 15 de junho de 1987, no atelier Silvia Rua Lima e Márcio Mattar.

Mauro Divino mudou-se para Tanabi, interior do Estado de SP. Continuou a vender a maior parte de seus trabalhos para o Rio de Janeiro. Inscreveu-se na Sutaco Artesanato Paulista, quando surgiu a chance de participar de uma exposição em Brasília, em 1989, com um tema que o levou a um mergulho em suas raízes afro brasileiras: “A Máscara de Iniciação a Xangô” em ferro, latão e prata.

Durante os primeiros anos da década 90, devido à recessão econômica, procurou outras formas de expressão que pudessem ser produzidas sem onerar ainda mais suas economias. Mauro Divino voltou ao desenho, e em suas pesquisas arriscou um óleo sobre tela, mas acabou se encontrando e se fixando na pintura com lápis de cor em papel canson.

Suas obras em metal e madeira sofreram, logicamente, a influência desta nova fase e seu design se modificou, passando a produzir peças, que ele mesmo insiste em chamar “artesanal”, e que outros consideram esculturas.

 

5 Comentários

  • Os passarinhos, tão bonitinhos estão nos seus ninhos. Eram três, mas um já foi empurrado pelo ninho fora e, como ainda não voava, foi parar à barriga do gato. Este, o gato, não sabe quantos ali em cima ainda estão, mas sabe que não tarda outro seguirá o mesmo caminho e irá parar ao chão perdão ao seu barrigão. No ninho, esse aí, apenas um dos três ficará, porque os outros, à vez e a brincar, pela borda fora o vão mandar. Para o bem, como para o mal isto apenas serve para as mentes que a árvore do conhecimento proporcionou o pensar é, meus amigos, a Natureza a funcionar. Nas aulas e recreios e nas minhas caminhadas pelos campos e planícies em companhia dos meus amigos, uma coisa eu, muito cedo percebi descontando os exageros: que os há tal forma de proceder serve e serviu para nos fortalecer, aprender a defender-nos e a vida enfrentar. Voltando aos passarinhos. Passarinho de gaiola, se solto, mesmo voando, não terá grande voar e, certamente não sabendo como fazer vai morrer de fome, ou de qualquer outro mal, por não estar preparado para viver em liberdade, defender-se e sustentar-se. Por isso, apesar de mal compreendidos, muitos do meu tempo dizemos: tanta protecção, tanto acarinhar; mais não fará que matar.

  • Na sentença, o juiz Marcelo Bretas retomou um momento tenso do depoimento de Sérgio Cabral neste processo, quando o ex-governador citou os negócios da família do magistrado no ramo de bijuterias para argumentar que este deveria saber que “não se lava dinheiro comprando joias”. Para o juiz da Lava Jato no Rio, “fato é que se trata de modalidade clássica de lavagem de dinheiro, afinal joias são bens valiosos, pequenos e de fácil ocultação”. order a custom essay

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