Cultura

A festa dos guaranis na aldeia do Rio Silveira em São Sebastião

A aldeia Guarani do Rio Silveira, que fica em Boracéia, na costa sul de São Sebastião, será sede de 25 a 27 de agosto do III Reencontro dos Povos Indígenas. Trata-se de uma boa oportunidade para se conhecer a cultura dos guaranis que habitam a nossa região, que possui aldeias também, no município de Ubatuba. Vale a pena acompanhar

Por Salim Burihan

O evento reune os índios guaranis do litoral e do estado numa festa que tem como objetivo preservar e valorizar a sua cultura. Muitos moradores e turistas aproveitam a oportunidade para conhecer de perto a dança, o canto, costumes dos Guaranis e das etnias presentes: Fulni-ô, Terena, Tupinambá, Kariri Xocó, Kaiowa e Pataxó.

O III Reencontro terá várias atrações como comidas típicas, danças, cantos, competições de arco e flecha, lutas corporais e venda de artesanato guarani. O evento começa às 10 horas da manhã e vai até às 16 horas. Tradicionalmente, solicita-se aos turistas que levem um quilo de alimento não perecível para poderem acompanharem o evento.

Abaixo, um vídeo produzido pela Prefeitura de Bertioga sobre a aldeia do Rio Silveira: Assista:

 

 

A aldeia do Rio Silveira ocupa uma área de 948 hectares, onde vivem cerca de 250 guaranis. Eles vivem do cultivo e comércio de produtos agrícolas, plantas e artesanato.

A aldeia do Rio Silveira fica a cerca de 60 quilômetros do centro de São Sebastião. A comunidade é assistida pela prefeitura local e pela Funai(Fundação Nacional do Índio).

A aldeia fica num lugar muito bonito. Vale à pena conhecer, a Escola Txeru Ba’e Kua, que significa “Deus Celestial da Sabedoria. Uma escola intercultural e bilíngüe, que tem como objetivo intercambiar os saberes, fortalecendo a cultura Guarani para crianças e jovens.

Guaranis

O site Limite Zero fez um levantamento muito legal sobre a população indígena no Estado de São Paulo. O estudo foi feito em 2016, mas ainda é bem atual. Vale a pena ler.

Nomes alternativos: Ava-Chiripa, Ava-Guarani, Xiripa, Tupi-Guarani

Classificação lingüística: Tupi-Guarani

População: É considerado um dos povos mais populosos no Brasil, com cerca de 27 mil índios

Local: Reserva Indígena do Rio Silveira, localizada em Boracéia, divisa entre Bertioga e São Sebastião e em Ubatuba. Mas, existem aldeias Guarani em diversos estados como : Mato Grosso, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pará.

Atividade predominante : praticam a agricultura de subsistência plantando arroz, mandioca entre outros itens.

Curiosidade : as danças, cantos e rituais são direcionados ao Deus Tupã, pedindo proteção às pessoas e à natureza. Valorizam a preservação do meio ambiente.

Considerado um dos mais populosos povos indígenas no Brasil, foi um dos primeiros a manterem contato com os portugueses resistindo a qualquer imposição em sua cultura.

Os Guarani foram os que mais resistiram e ainda resistem muito para manter seus costumes tradicionais como a língua, as danças e, principalmente as manifestações religiosas.

Apesar do constante contato com os não-índios, eles mantêm suas características físicas pois muitas aldeias não admitem a miscigenação. São agricultores de subsistência plantando arroz, mandioca outros. Em muitas aldeias existem escolas onde o ensino é bilíngüe.

Há, contudo, entre os subgrupos Guarani-Ñandeva, Guarani-Kaiowa e Guarani-Mbya existentes no Brasil, diferenças nas formas lingüísticas, costumes, práticas rituais, organização política e social, orientação religiosa, assim como formas específicas de interpretar a realidade vivida e de interagir segundo as situações em sua história e em sua atualidade.

A população indígena no estado de São Paulo  

A maior população é do povo Guarani Mbya e Tupi Guarani (Ñandeva). Os Kaingang, juntamente com os Terena, Krenak, Fulni-ô e Atikum, ocupam três terras indígenas na região Oeste do estado.

São 30 as terras indígenas no Estado de São Paulo que já contam com algum tipo de reconhecimento por parte do governo. Tais áreas somam aproximadamente 48.771,3316 hectares localizados na área de aplicação da Lei da Mata Atlântica, contribuindo com a conservação da diversidade biológica e cultural do bioma. Porém, apenas catorze delas encontram-se regularizadas, sendo que das outras dezesseis, doze encontram-se na fase inicial do processo de demarcação e não foram nem identificadas.

Os povos indígenas em São Paulo, porém, enfrentam o desafio de promover a gestão ambiental e territorial em suas terras, que na maior parte das vezes não oferecem as condições ambientais e ecológicas ideais para a reprodução física e cultural.

Localizadas na região de maior desenvolvimento econômico do País, as terras indígenas em São Paulo estão sujeitas a uma grande diversidade de pressões e ameaças (como as advindas de empreendimentos de infraestrutura e interesses minerários) que as colocam em situação de vulnerabilidade.

A partir da década de 1950, os Mbyá passaram a ser a população indígena que mais cresceu no litoral paulista. Os Guarani, Nhandéva e Mbyá são estimados, hoje, no estado de São Paulo, em torno de 1 600 pessoas que ocupam 15 áreas, entre acampamentos temporários e áreas permanentes.

A Reserva Indígena Guarani do Rio Silveira, por exemplo, possui uma área de 948 hectares, localizada na Mata Atlântica, faz divisa com os municípios de Bertioga e São Sebastião. Situada na região sul do município, no bairro de Boracéia, fica a 60 km, aproximadamente, do Centro Histórico de São Sebastião. Tanto essa comunidade como as da Aldeia Boa Vista, em Ubatuba, os indígenas do Posto Indígena Araribá, nos municípios de Bauru e Avaí e os do Posto Indígena Vanuíre, nos municípios de Arco-Íris e Tupã, no interior do estado, que tem alguma importância turística, têm encontrado apoio das prefeituras para iniciativas, como projetos de autossustentação econômica, educação diferenciada e formação de agentes de saúde indígenas.

Contudo, pesquisas recentes revelam que a situação de saúde dos povos indígenas em São Paulo necessita urgentemente de atenção por parte das autoridades, principalmente, para aqueles que vivem em péssimas condições em aldeias e favelas da Grande São Paulo e do litoral paulista.

A Constituição brasileira de 1988 definiu as regras para a demarcação das terras indígenas, que são consideradas da União. O direito de usá-las depende da demarcação, fato este que demanda muito tempo e vontade política, além do conflito de interesses. Os índios enfrentam posseiros que querem ocupar suas terras e madeireiros que tentam retirar as madeiras de seus territórios para um comércio lucrativo.

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