Cultura Litoral Norte

Relançamento de livro mostra que “caiçaras” buscam a valorização e o reconhecimento

Castelhanos_Foto Alex Damico

Será lançado, em Caraguá, no próximo dia 15, na Fundação Cultural de Caraguatatuba, a terceira edição do livro “Genocídio dos Caiçaras”, de autoria da jornalista Priscila Siqueira, de São Sebastião.

A primeira edição do livro, que trata da expulsão dos caiçaras de suas terras, ocorreu há 35 anos, em 1984. Priscila Siqueira trabalhou durante muito anos para as agências Folha e Estadão. O livro contém reportagens, feitas por ela, envolvendo famílias caiçaras que viviam entre Paraty(RJ) e São Sebastião.

Priscila acompanhou, desde 1976, o drama de caiçaras ameaçados, por ocuparem áreas a beira mar, nas praias da região. Após  a abertura da Rodovia Rio-Santos, na década de 70, ” cresceram os olhos” dos empresários e empresas ligadas ao ramo imobiliário pela posse dessas áreas.

Muitas reportagens foram publicadas nos jornais em que Priscila trabalhava, mas muitas delas foram “engavetadas” por pressão de empresários e políticos sobre os jornais da época. Era o período da ditadura.

Foi ai que surgiu a ideia de transformar as reportagens publicadas e, aquelas que não foram aproveitadas pelos jornais, em um livro. O livro de Priscila Siqueira abordava uma questão, o conflito de terras, que na época, era comum no litoral brasileiro, principalmente, entre o Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

O livro, que teve prefácio de Dalmo Dallari, recebeu elogios dos leitores e foi “adotado” por universidades e faculdades, por ser um documento real da pressão vivida pelos caiçaras que habitavam as praias e que de repente passaram a ser ameaçado por capangas, contratados pelas empresas interessadas e controlar e explorar comercialmente essas áreas a beira mar.

“Genocídio dos Caiçaras” teve uma segunda edição lançada em 1986. Nesta quinta(15), será lançada a terceira edição. A única mudança foi na capa da nova edição, sai a pintura de um artista português-que mostrava um pescador sentado,tranquilamente, em sua canoa, em uma praia tranquila e entra uma ilustração mostrando pescadores enfrentando um mar bastante agitado.

Capa da 1ª edição do livro lançado em 1984

“Decidi mostrar que a canoa não virou, se mantém em pé, apesar das dificuldades ainda enfrentadas pelos caiçaras”, conta Priscila, sobre a mudança da capa do livro. Segundo ela, apesar do livro ter sido escrito em 1984, continua muito atual.

“Os caiçaras continuam enfrentando muitas dificuldades. O interessante é que a pós passarem por um período de baixa estima e de desvalorização, hoje, existe um movimento regional muito forte no sentido de valorizar e resgatar a importância desses caiçaras em nossa região”, destacou.

Segundo Priscila, a cultura caiçara está ressurgimento muito forte no Litoral Norte. “Os Jovens caiçaras, hoje, entendem e compreendem, o quanto suas famílias foram importantes em nossa região e trabalham para resgatar esses valores, junto a sociedade em que vivem”, afirmou.

No relançamento do livro vários grupos da região irão se apresentar, tendo como tema, o caiçara. Vão se apresentar os grupos Mamulengo, Maracatú ODé da Mata, Moçambique do Perequê-Mirim eo Água Viva Coral.

O evento terá duas palestras, uma da Priscila Siqueira e outra do Dr. Eduardo Camilo Terra dos Santos, do MPF(Ministério Público Federal), cujo tema será o “Panorama Cultural e a Defesa do Caiçara pelo MPF.

Priscila Siqueira

Priscila Dallledone Siqueira nasceu em Ponta Grossa, Paraná, em 1939. Quando tinha um ano sua família foi para Curitiba, cidade onde passou sua infância e cresceu. Optou por fazer faculdade de Jornalismo e concluiu o curso no Rio de Janeiro, por conta de um convite de trabalho. Nos anos 60, após terminar a faculdade, foi morar numa comunidade no interior de São Paulo, tudo que ganhava era dividido por todos. Casou-se com o dentista João Siqueira e foi morar em São Sebastião. Como jornalista trabalhou nas agências Folha e Estadão.  Cobriu com grande destaque, no período da ditadura, a expulsão dos caiçaras de suas terras e a ameaça aos índios guaranis. Foi uma das primeiras jornalistas a se dedicar ao jornalismo ambiental. É uma das fundadoras do Movimento de Preservação de São Sebastião e da Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro, além de ser uma das fundadoras da SOS Mata Atlântica. Cobriu a poluição provocada pelos derramamentos de petróleo no Litoral Norte. Fez inúmeras reportagens sobre os caiçaras ameaçados no litoral norte e sul fluminense. Tem livros e dá palestras sobre a mulher marginalizada e o tráfico de mulheres. Desde 2004 tem se dedicado à luta pela valorização e respeito da mulher em nossa sociedade. É considerada uma das mais importantes jornalistas do estado de São Paulo.

Veja que convite legal para o evento do dia 15. Click e assista:

 

 

 

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