Causos e estórias Ilhabela

Ilhabela já foi o berço da máfia no Brasil

Foi na década de 70, quando um italiano de nome Tomas Roberto Felice, conhecido como “Toni” ou “Toninho” pelos moradores, viveu na ilha, tratava-se do mafioso Tommaso Buscheta, um dos maiores líderes da máfia siciliana

Por Salim Burihan

Tommaso, em uma de suas prisões, na Itália Fotos- Arquivo Anti-Máfia.Org

Ilhabela já foi o berço da máfia no Brasil. Foi lá, que se escondeu na década de 80, o famoso mafioso Tommaso Buscheta, o Dom Masino, um dos mais influentes líderes da máfia siciliana.

A ilha, na época, um recanto turístico pacato e tranquilo, Buscheta instalou a “Conexão Ilha Bela”. Ele trazia drogas (cocaína e heroína) por atacado do porto de Marselha, na França, para levar para os Estados Unidos e o Canadá.

Tommaso Buscheta passou despercebido pela ilha. A maioria das pessoas que conviveram com ele, desconhecia o seu passado e a sua função na máfia, Tommaso, que usava o nome de Tomas Roberto Felice, era conhecido como “Toninho” ou “Toni”, um italiano que circulava pela ilha, em uma moto e utilizava como seu escritório de negócios, um bar e um restaurante a beira mar.

Quando não estava “trabalhando” podia ser encontrado nas mesas do então badalado  Restaurante Siriúba, point da sociedade paulistana nos fins de semana e férias de verão. O mafioso operava o contrabando de cocaína e heroína para os Estados Unidos, através de embarcações, que atracavam no porto de São Sebastião e, também, em aeronaves que pousavam, durante a noite, no pequeno aeroporto de terra batida que existia na ilha.

Nas horas de folga, Tommaso gostava de velejar. Só após a sua prisão é que os moradores e autoridades de Ilhabela souberam que o “turista italiano” era na verdade Dom Masino, um dos maiores mafiosos do mundo.

O mafioso foi o principal suspeito da morte do dono de uma pousada em Ilhabela, em 1972, mas sequer chegou a ser investigado na época. Mesmo morando na ilha, Tommaso viajava a São Paulo e ao Rio de Janeiro, constantemente.

Frequentava os mais badalados bares, restaurantes e boates. Ele adorava o Brasil. Comentaria mais tarde com os amigos, que por aqui, teria passado os anos mais felizes de sua vida.

Em 1972 foi preso e extraditado. Condenado há 14 anos, cumpriu parte da pena e retornou ao Brasil, em 80, para comandar o contrabando de drogas a partir de Ilhabela.

A brasileira Maria Cristina Guimarães e o mafioso siciliano Tommaso Buscetta se conheceram no Rio de Janeiro, na Praia de Copacabana. Tommaso usava na época o nome de Tomas Roberto Felice, e se passava como um investidor italiano no país.  Casaram pouco tempo depois, quando ele cumpria pena em uma prisão de Palermo, na Itália.

Liberado, acabou sendo preso novamente no Brasil, por tráfico de heroína, no Rio de Janeiro, quando velejava na praia da Cabeçuda, em Itajaí. Teria pago propina e fugiu. Logo depois, foi preso em São Paulo, em 1983, pelo delegado federal Romeu Tuma.

Ele foi preso quando descia de um carro, em frente ao local onde estava hospedado,  no bairro do Itaim Bibi. Consta que, Romeu Tuma, assim como os moradores de Ilhabela, não tinha a menor ideia da importância de Buscheta, quando ele foi preso em São Paulo.

Maria Cristina, uma espécie de conselheira de Tommaso, fez com que o mafioso, colaborasse com a Justiça italiana. Ganharam proteção e foram para os EUA, onde o italiano entregou à justiça norte-americana os principais mafiosos que agiam no país.

Permaneceu nos EUA, sob proteção do FBI, até morrer de câncer, aos 71 anos, em Nova Iorque, no dia 4 de abril de 2000.

 

Buscheta

O siciliano Tommaso Buscheta era filho de um vidraceiro de Palermo. Foi um soldado da máfia italiana. Conseguiu sobreviver a primeira grande guerra entre as gangues de Palermo, mas acabou preso.

Conseguiu fugir de um presídio de segurança máxima em Ascoli-Piceno, na Itália. Logo após  fugir do presídio, conseguiu promover uma reunião entre os lideres mafiosos, em um jantar em Milão. No jantar, matou todos com um vinho envenenado.

Sumiu da Itália e veio para o Brasil, onde foi gerente de uma das primeiras operações mafiosas de tráfico de drogas. Foi nesse período que ficou em Ilhabela.

Preso, foi extraditado para a Itália. Lá, foi um dos principais colaboradores do juiz Giovanni Falcone, contra a Cosa Nostra Italiana. O juiz acabaria morto em 1994. Buschetta transformou-se no primeiro mafioso a colaborar com a Justiça, passando à condição de inimigo número 1 da Cosa Nostra.

Transferido ao Estado Unidos, através de uma delação premiada e, sob a proteção do FBI, ajudou as autoridades norte-americanas a desbaratar uma rede de traficantes de cocaína e heroína, que operava em pizzarias de Nova Iorque, conhecida como “Conexão Pizza”.

Após deixar a prisão, Buschetta, não retornou à Ilhabela, onde vivia com a brasileira Maria Cristina Guimarães, com a qual teve dois filhos, quando moraram na ilha. Ele, ainda com proteção do FBI, foi morar em uma casa em Nova Jersey(EUA). O mafioso morreu de câncer, em Nova Iorque, no dia 4 de abril de 2000, aos 71 anos.

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