Caraguatatuba Condições das praias

Comerciantes suspeitam que poluição que atinge a Prainha vem de outras praias

Prainha, em Caraguá, está imprópria

Moradores e comerciantes da Prainha, em Caraguá, suspeitam que a poluição que atinge a praia é trazida pelas correntes marinhas de outras regiões. Nenhum córrego ou rio desaguá na praia e o bairro conta com serviço de coleta e tratamento de esgoto. Consultamos vários órgãos sobre o assunto.

Por Salim Burihan

A Prainha, em Caraguá, uma das praias mais frequentadas da cidade, tem sido classificada pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), constantemente, como imprópria para banho, devido a presença de esgoto.

No ano passado, a praia passou 32 semanas, das 52 do ano, classificada como inadequada para banho. Em 2019, das quatro semanas de janeiro, em duas delas, a Prainha foi classificada como poluída.

Moradores e comerciantes estabelecidos na Prainha argumentam que o esgoto que polui a praia é trazido pelas correntes marinhas de outras praias.

Segundo eles, não existe nenhum córrego ou rio que desague na praia e que o bairro possui rede de coleta e tratamento de esgoto.

Para moradores e comerciantes as correntes marinhas estariam trazendo esgoto de outras regiões. Eles suspeitam que o esgoto que é lançado na praias do Centro e Indaiá, através dos rios, entre eles, o Santo Antônio, acaba sendo levado pelas correntes marinhas para a Prainha.

Segundo a comerciante, Filó Rodrigues, estabelecida no local há 29 anos, a mesma corrente marinha que reduz o espaço da faixa de praia, traz o esgoto de outras regiões para a Prainha. Filó contou que nos últimos meses a praia já perdeu 10 metros da sua faixa de areia.

Segundo os comerciantes, a movimentação das corrente marinhas e ressacas, já reduziram 10 metros da praia

Sabesp

Fizemos uma consulta a Sabesp para saber se o bairro é atendido por serviço de coleta e tratamento de esgoto. Segundo a Gerência de Caraguatatuba, na Prainha existem 500 ligações, dessas apenas três imóveis não estão conectados à rede de esgoto, somente possuem ligação de água.

A Sabesp informou ainda que apesar de ser uma quantidade pequena, é importante que todos os imóveis do bairro estejam ligados à rede coletora para garantia da destinação correta de seu esgoto.

Cetesb

Procuramos também a Cetesb(Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para saber se a poluição que atinge a praia pode ser “trazida” de outras praias ou regiões.

Segundo a Cetesb a praia se manteve instável nos últimos cinco anos. Em 2013, passou 85% do ano como própria para banho; em 2014, 92% do ano; em 2015, 81%; em 2016, apenas 56% do ano como própria; em 2017, 75% do ano como própria; e no ano passado, cerca de 40% do ano como própria. Segundo a Cetesb, essa piora em 2018 foi também registrada em outras praias do Litoral Norte.

A Cetesb argumentou que esse aumento da poluição fecal está muito provavelmente associado à ocorrência de chuvas mais intensas em novembro e início de dezembro.
Chuvas intensas  são normalmente a principal causa da deterioração da qualidade das águas das praias. Elas carreiam água, eventualmente poluída por esgotos, de cursos d’água para o mar, além da poluição difusa que engloba também  a água de escoamento superficial.

Devido à localização e ao formato da praia  (uma pequena enseada), há também uma menor troca da água do mar, dificultando a diluição da carga poluidora. Além disso, devido a essa configuração geográfica, considera-se improvável que ela receba carga de esgoto de outras praias transportada pelas correntes marinhas. Na grande maioria dos casos a poluição de praias litorâneas possui fontes terrestres.

CPTEC

Consultamos também a oceanógrafa Rofio Camayo, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos(CPTEC) do INPE, em Cachoeira Paulista, sobre a possibilidade de esgoto de outras praias ou regiões serem a causa da constante poluição na Prainha.

Segundo ela, os padrões dos ventos e das ondas e das correntes marinhas podem variar de um local para outro, podendo se alterar em épocas diferentes do ano, como por exemplo, sofrerem mudança de padrão no inverno e outro tipo, no verão.

A oceanógrafa do Cptec/Inpe explicou que, para comprovar se o esgoto de outras praias ou regiões estariam ou não sendo levados para a Prainha, são necessários estudos técnicos mais aprofundados das correntes marinhas.

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