Condições das praias Litoral Norte

Óleo que vazou no Nordeste chega a praia do Rio de Janeiro

Combate ao óleo na Praia de Carneiros, em Pernambuco

Em nota divulgada neste sábado, o (GAA) Grupo de Acompanhamento e Avaliação, formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis confirmou que ontem (22), cerca de 300 gramas de pequenos fragmentos de óleo foram detectados e removidos na Praia de Grussaí, em São João da Barra-RJ.

Segundo o comunicado, o material foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e constatado como compatível com o óleo encontrado no litoral da região Nordeste e Espírito Santo. Um grupamento de militares da Marinha já está no local efetuando monitoramento e limpeza. Servidores do IBAMA se juntarão hoje à equipe. Fonte Agência Brasil.

Litoral Norte

As prefeituras da região participaram, nesta terça(19), de um treinamento em Caraguatatuba,  realizado por por técnicos da Cetesb, Petrobras e Transpetro para a eventual presença de óleo vindo do Nordeste nas praias do Litoral Norte.

O encontro foi na Associação Comercial e Empresarial de Caraguatatuba (ACEC) e foram apresentadas ações usadas na retirada do produto das praias, costões rochosos e manguezais e bem como a forma correta de atuação.

No encontro, participaram representantes das prefeituras de Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela, por meio das secretarias de Meio Ambiente, Saúde (Vigilância Sanitária), Serviços Públicos, Mobilidade Urbana e Proteção ao Cidadão (Defesa Civil), além da Delegacia da Capitania dos Portos, Polícia Ambiental, Porto de São Sebastião e Instituto Argonautas.

O gerente do Setor de Atendimento a Emergências da Cetesb, Mauro de Souza Teixeira, abriu o encontro e explicou que o objetivo é a capacitação em relação a Resolução 76 da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado (SIMA), que cria o grupo de trabalho multidisciplinar para pensar, organizar e implantar algumas ações caso esse óleo alcance o Litoral Paulista.

Ele reforça que “a possibilidade é bem remota, mas não é zero e o caminho é se preparar para isso, além de estar focado que a possibilidade de se ter outros eventos é real e os municípios precisam estar preparados”.

Para o prefeito de Caraguatatuba, Aguilar Junior, a realização desse treinamento é de vital importância pelo fato de se estar em uma cidade litorânea, o que causa uma grande preocupação, não apenas com a balneabilidade das praias que podem ser afetadas com esses vazamentos, mas também com os pescadores que vivem do mar.

“Isso afetaria tanto o turismo, que é fonte de renda, quanto o meio ambiente, causando impactos graves a fauna e flora marinha. Portanto, assim como temos um grupo preparado para atuar nos casos de chuvas e alagamentos, a partir desse treinamento teremos também uma equipe pronta para atuar em casos de vazamentos de óleo no mar. A prevenção, o preparo e a parceria da sociedade civil são de suma importância em nossas ações”.

O analista ambiental da Petrobras (Bacia de Santos), Vinícius Vendramini, explicou aos presentes como se chegou à identificação do material vazado e todo o trabalho executado para a sua contenção, além do monitoramento e avaliação do seu deslocamento.

Na sequência, o biólogo André Cabral, da Transpetro, explicou aos presentes o plano de emergência e contenção e emergência desenvolvido pela empresa que tem suas instalações em São Sebastião.

Já os biólogos da Cetesb, Carlos Ferreira Lopes e Sérgio Greif, explicaram sobre o Manual de Orientação para Ambientes Costeiros, a probabilidade desse óleo chegar à região, considerada remota, mas a importância de se estar preparado.

Conforme Lopes, é preciso que as pessoas, os municípios estejam preparados para atuarem em caso de emergência e o que se viu no Nordeste no começo do desastre ambiental, foi muito errado. “A comunidade queria ajudar, mas não havia preparo. Tinham voluntários com óleo pelo corpo e não se sabia o risco do tipo de produto”, alertou.

Ainda conforme o biólogo, mesmo não se considerando a possibilidade desse material chegar no Estado de São Paulo, é importante que as equipes locais estejam preparadas para qualquer outro tipo de desastres ambientais.

O publico presente teve a oportunidade de tirar algumas dúvidas, como Elson Maceió, gerente de Meio Ambiente do Porto de São Sebastião, que questionou sobre a precisão de satélite identificar manchas de óleo no mar.

Conforme Vinícius Vendramini, a Petrobras trabalha com esse recurso por meio de equipamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mas, que as vezes eles identificam manchas que necessariamente não é óleo. “Mas esses relatados são repassados e analisados”.

Inclusive, a informação foi complementada por André Cabral de que os comandantes das frotas da Transpetro são orientados a informar. “Um exemplo foi uma mancha detectada que, posteriormente, foi identificada como floração de algas”.