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São Sebastião: Mergulho inaugura fase experimental de visitação a Alcatrazes

Por Anna Luíza/Fotos: Jorge Mesquita

Cerca de 50 mergulhadores inauguraram, neste domingo (16), a fase experimental de visitação ao Refúgio de Alcatrazes. Planejado e gerenciado de perto pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biologia), o processo de visitação ao local, que antes era acessado somente pela Marinha do Brasil para a prática de tiros, a partir de agora receberá em suas águas embarcações de empresas de turismo devidamente cadastradas e autorizadas a operar na região.

Alcatrazes, localizado a aproximadamente 35 km ao sul de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, é hoje um santuário da biodiversidade marinha e insular de todo o litoral do país, abrigando cerca de 1.300 espécies de flora e fauna e cerca de 100 espécies de aves, além de ter protegidas 259 espécies de peixes. Recebeu o título de “refúgio” em agosto de 2016, uma outra categoria de Unidade de Conservação que visa proteger o ambiente natural e garantir as condições para existência e reprodução das espécies.

Desde que se tornou Refúgio a fiscalização em relação à atividades ilegais, como pesca na região, tem se intensificado ainda mais e, apesar de aberta à visitação para mergulho, qualquer atividade que sujeite o local à depredação ou alteração da vida natural ali existente continua proibida, bem como o aporte de barcos particulares, operadoras de turismo não autorizadas e a visita em terra no arquipélago.

Rodrigo Braga, instrutor de mergulho e, hoje, capacitado como condutor de Alcatrazes, comentou o momento especial de conduzir uma embarcação na primeira visitação ao Refúgio. “Muito feliz por estar fazendo parte disso. Os mergulhos foram maravilhosos, muita vida marinha. Vir para cá já é bom, e poder trazer outras pessoas para vivenciar esse momento é ainda melhor.”

Mergulhador profissional há 15 anos, ele comentou também que o acesso ao local, considerado de dificuldade média devido às condições do mar e pelo isolamento geográfico da ilha, favorece muito a vida marinha, possibilitando quase sempre o avistamento de baleias, golfinhos ou tartarugas. “Os animais aqui têm a idade bem avançada e são maiores, o que já está bem raro de se observar em outros lugares, devido á pesca e caça. Esperamos poder estar fiscalizando com mais frequência, junto ao ICMBio” complementou Braga.

Para o devido acompanhamento dos futuros visitantes, ocorreram ao longo do ano cursos de Condutores para operação em Alcatrazes, que garantirão que as regras de visitação da unidade sejam respeitadas. No momento da visita, a cada quatro mergulhadores será obrigatório a presença de um condutor subaquático. É expressamente proibido o mergulho de pessoas desacompanhadas.

Os pontos escolhidos para o mergulho inaugural foram pensados prezando pela maior possibilidade de observação da vida marinha. O primeiro momento foi divido entre o chamado Jardim de Corais e ponto conhecido como Geladeira. No segundo momento do mergulho, os grupos se separaram em duas pontas diferentes do chamado Saco do Funil: Tartaruga e Baba de Boi. Os mergulhadores contaram ter avistado moréias, tartarugas marinhas e grande variedade de peixes, apesar das condições não tão favoráveis da água ao longo da tarde.

No passeio para o arquipélago, que durante a fase experimental não terá cobrança de taxa por parte do ICMBio, serão autorizadas duas modalidades de visitação: visita embarcada (flutuação com snorkel) e mergulho autônomo (mergulho com cilindro). A segunda, por ser considerada uma atividade de risco, demanda uma série de exigências para que as embarcações se adequem e possam realizar o trajeto que leva ao Refúgio. No momento, apenas duas operadoras atendem aos critérios (como oferecer equipamentos de segurança e barco de apoio, por exemplo).

“Estamos com previsão de mais três operadoras para janeiro e mais cinco para março, com estimativa de chegar a 18 embarcações em 2019. Nossa preocupação por enquanto é arredondar a operação de visitação, para que ela aconteça sem impacto ao local e também deixe os visitantes satisfeitos” pontuou analista ambiental e gestora do ICMBio, Kelen Leite. No momento, existem cerca de 32 empresas em processo de cadastramento.

Kelen ainda comentou que a ideia é, daqui um ano e meio, mensurar o impacto das visitas ao Refúgio de Alcatrazes, e assim reavaliar, se necessário, as dinâmicas e normas de visitação. Até mesmo um hidrofone foi instalado no local, uma semana antes do mergulho inaugural, para realizar a paisagem acústica do local e fornecer dados para uma comparação na alteração dos sons produzidos antes, durante e depois de uma visitação ao arquipélago.

A ocasião deste domingo foi comemorada por muitos ambientalistas, que há mais de 20 anos vinham solicitando a recategorização de Alcatrazes para parque nacional marinho e a possibilidade de visitação pública, pelas riquezas naturais do local, o valor para a pesquisa científica e o fomento consciente e sustentável da economia da região, que terão como premissas primeiras o ecoturismo e a conservação ambiental.

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