Estradas Geral

Cavalos soltos assustam motoristas nas ruas, avenidas e rodovias do litoral norte

Cruzar com animais na pista causa um baita susto aos motoristas. Apesar do baixo índices de acidentes envolvendo animais e motoristas, o risco tem sido grande. Existe fiscalização pelos órgãos competentes, concessionária e prefeituras. É importante saber como proceder em caso de se encontrar animais nas rodovias, avenidas e ruas

Por Simone Rocha

Independentemente do número de acidentes registrados, o motorista que trafega pelas ruas, avenidas e rodovias do litoral norte precisa estar atento a ocorrência de animais soltos, principalmente cavalos, que causam acidentes muitas vezes fatais ou quando o condutor tem sorte de conseguir escapar, provoca um grande susto.

A fabricante de velas náuticas, Ana Paula Herbst, de Paraty, sempre utiliza a rodovia SP 055 quando vai a São Paulo. “Em uma noite eu estava dirigindo, ao lado meu marido e no banco de trás estavam um casal de amigos, quando percebemos que os carros na direção contrária faziam sinal de farol. De repente meu marido gritou, nosso carro estava muito próximo aos cavalos, fiquei muito assustada e a única alternativa foi ultrapassá-los pelo acostamento. Fiquei traumatizada”, revela.

Ana Paula passou por um grande susto ao ver cavalos na rodovia

A psicóloga, Andréia Mariana de Araújo, que mora no Pontal da Cruz, em São Sebastião, também passou por um susto. “No dia 5 de outubro, por volta das 20h, estava indo ao cinema e apareceram dois cavalos correndo na pista e quase bateram nos carros. Liguei para os bombeiros na hora. Quando fiz o retorno os cavalos apareceram de novo. Avisei os seguranças do shopping. Fiquei bem assustada com aquela situação”.

A psicóloga Andréia acionou os bombeiros quando viu animais na pista

A dona de casa, F.F.C, que prefere não se identificar conta que sempre vê cavalos em terrenos vazios de Caraguatatuba. “Às vezes estão amarrados em uma corda, outras vezes soltos mesmo. Já cheguei a pedir para meu filho levar um balde com água para o cavalo, que passou o dia amarrado. Acho um absurdo uma pessoa ter cavalo ou qualquer tipo de animal e não cuidar”, protesta.

Acidente envolvendo carro x cavalo no bairro do Travessão, em Caraguá

Recentemente um acidente com um cavalo ocorreu no bairro Travessão, em Caraguatatuba. Os ocupantes do veículo tiveram ferimentos leves, no entanto o animal, morreu. De acordo com a prefeitura o veterinário do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) esteve no local e prestou os cuidados necessários. Após análise clínica, optou-se pela eutanásia.  O cavalo foi removido e enterrado pela Prefeitura. O CCZ fez ronda pela região, mas o proprietário não foi localizado.

 

Arnaldo Junior, morador da Ilhabela, reclama que os cavalos estão espalhados por diversas partes da cidade. “Eles ficam na rua comendo lixo e colocando em risco os motociclistas e motoristas. No grupo Reclame Aqui, no Facebook, recebemos muitas reclamações sobre os cavalos soltos na região”, afirma.

Balanço

De acordo com o CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas) estima-se que 475 milhões de animais são atropelados a cada ano nas rodovias brasileiras. A Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo informou que foram registrados até o mês de setembro deste ano nas rodovias SP 055 (Doutor Manuel Hipólito Rego, que liga Ubatuba a Santos), SP 099 (Tamoios) e SP 125 (Oswaldo Cruz, que liga Taubaté a Ubatuba) poucos acidentes envolvendo animais na pista. Em janeiro, fevereiro, março, abril e agosto não houve ocorrências desse tipo, em julho e setembro teve um acidente com uma vítima leve (em cada mês).

Fiscalização

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informa que ações de conscientização são tomadas pelo DER para que haja engajamento dos proprietários quanto à tutela dos animais domésticos de pequeno e grande porte, para que eles sejam mantidos somente em áreas cercadas.

Em locais de áreas de pastagens e criação de animais domésticos, o DER através das Unidades Básica de Atendimento (UBAs) realiza inspeções diárias onde são vistoriadas as condições físicas das cercas divisórias da faixa de domínio das rodovias.

Na ocorrência de acidentes, caso fique comprovado culpa ou força maior, o dono ou detentor do animal ressarcirá danos causados. Os proprietários poderão ainda ser responsabilizados criminalmente, com base na Lei nº 10.406/2002 (Artigo 936).

Os usuários que flagrarem animais soltos em rodovias sob administração do DER poderão comunicar o fato pelo telefone 0800 055 5510.

A Concessionária Tamoios, responsável pela SP-99, que liga Caraguatatuba até São José dos Campos, A Concessionária Tamoios atua no recolhimento de animais encontrados na pista evitando acidentes e zelando pela segurança viária. Um veículo operacional ficará exclusivamente disponível para a prática deste serviço, totalmente equipado e com profissional treinado para executar esta atividade.

Todos os animais recolhidos na Rodovia receberão a correta destinação e guarda em conformidade com a legislação sobre o tema. Caso encontre algum animal na rodovia, ligue para o 0800 545 0000 ou acesse o botão S.O.S no Aplicativo Tamoios.

Concessionária Tamoios faz fiscalização na rodovia

 Com relação aos animais encontrados em avenidas e ruas a fiscalização compete às prefeituras, normalmente, através do CCZ(Centro de Zoonose). Em Caraguatatuba, por exemplo,  o munícipe pode ligar nos telefones 3887-6085/6888 e denunciar situações em que há necessidade de recolhimentos de animais.

Cobrança

A médica veterinária, Olga Loureiro, defende um posicionamento mais efetivo do poder público e dos proprietários de animais. “Eles são vítimas de maus tratos, a maioria não tem condições de cascos adequados para asfalto e bloquetes, não possuem qualidade aceitável de alimentação e água, não tem abrigos e vagam pelas ruas à procura de subsistência e levam a culpa dos acidentes”, avalia.

De acordo com a médica, o poder público deve dar assistência veterinária imediata e se for o caso, doação desse animal; multas para os respectivos proprietários quando identificados; cobrança de vacinação, como também um correto local de abrigo.

Segundo ela, alguns proprietários insistem num manejo inaceitável para o bem-estar dos animais, privando-os de correta dieta alimentar, hídrica e de espaço. “Gostaria de encerrar dizendo que não precisamos ter acidentes fatais; nem tão pouco sacrificar algum animal por ter sofrido fratura exposta de pata, no meio da via pública. Precisamos tomar as atitudes corretas e respeitar os animais! ”.

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