Geral São Sebastião

O dilema dos moradores que vivem no Morro de Barequaçaba

O morro de Barequeçaba, na costa sul de São Sebastião, sempre que chove ameaça deslizar. Nas últimas chuvas, 34 casas foram interditadas no local. Não se sabe quem teria deixado construir no morro, uma área de risco. Quem teve a casa tingida pelo deslizamento de maio, aguarda decisão da prefeitura sobre onde vai morar. Quem não teve a casa atingida pelo desabamento e, nem interditada pela prefeitura, não vê a hora de poder deixar o local

Por Salim Burihan

As fortes chuvas que atingiram a cidade de São Sebastião, em maio, deixaram 120 pessoas desabrigadas e 350 desalojadas. Foi uma chuva intensa, choveu 264 milímetros, entre os dias 16,17 e 18 de maio, um volume de chuvas de todo um mês, em apenas três dias, segundo a prefeitura.

No dia 19, a prefeitura, através da defesa civil, desocupou e interditou 34 casas no bairro de Barequeçaba. Segundo o próprio prefeito Felipe Augusto, que vistoriou o local, as casas apresentavam fissuras de até 30 centímetros nas paredes, devido a movimentação do morro.

As casas interditadas ficam nas ruas Genciano Felipe Bueno e Casemiro de Abreu. Alguns moradores foram para casa de parentes e, outros, abrigados em uma colônia de férias pela prefeitura.

É difícil de entender como permitiram construções e moradias naquele local do morro. Uma coisa é certa, não tem como as pessoas voltarem a viver naquele lugar,  o morro permanece instável e a qualquer chuva mais forte, pode voltar a deslizar.

Aqueles que tiveram suas casas interditada querem saber onde serão alojados em definitivo. A prefeitura ofereceu bolsa aluguel por seis meses, renovável por mais seis meses. A administração, tenta ainda, alojar o pessoal em casas populares, que devem ser construídas através do CDHU.

Os moradores reclamam: querem morar próximo de seus locais de trabalho e não aceitam ir morar na costa norte, onde existem áreas da prefeitura. Preferem morar no Varadouro, local onde existem três áreas da municipalidade, segundo eles. Os moradores estiveram na Câmara pedindo o apoio do vereadores para permanecerem na costa sul.

Quem não teve a casa interditada, mas mora na rua Genciano Felipe Bueno, quer sair de lá o mais rápido possível. Teme que o morro deslize, novamente, e atingindo suas casas.

Aparecida Silva, garante que tem muito medo e que vai deixar o local assim que puder

É o caso de Aparecida Silva, que mora na parte da rua Genciano Felipe Bueno, que não foi atingida pelo deslizamento e nem foi interditada pela prefeitura. Ela não vê a hora de se mudar do local.

“Tenho muito medo, principalmente, quando chove. A situação do morro é crítica há muitos anos. Não sei como permitiram as construções e as moradias no morro. Estou muito insegura, mas assim que puder, vou me embora daqui “, afirmou Aparecida.

O seu Edélcio Bezerra, que mora há 30 anos no local, disse que ficou triste com a situação dos seus vizinhos, que perderam tudo o que tinham. Segundo ele, há 15 anos o morro vem passando por uma situação muito complicada quando chove mais forte.

Seu Nelson, não deixa o local porque não tem para onde ir

Ele disse que a chuva causou o deslizamento, mas o uso de água de uma  cachoeira, que fica próximo a área do seu Nelson Coelho, também tem colaborado com a instabilidade das encostas.  “Tem mais de 60 mangueiras captando água da cachoeira e vaza muita água, isso também colabora na instabilidade da encosta”, comentou. Ele disse que não deixa o local porque não tem para onde ir.

Prefeitura

A Prefeitura de São Sebastião informa que as famílias vítimas das chuvas são atendidas pela Defesa Civil e pela Assistência Social da Secretária de Desenvolvimento Social.  Foram 11 famílias desabrigadas pelas chuvas, no total de 47 pessoas e que encontram-se em situação de abrigo socioassistencial, com processos para recebimento do benefício eventual do aluguel social mediante a apresentação de imóvel para que seja firmado o contrato.

A escolha do imóvel é de responsabilidade da família, cujo aluguel é custeado pela Prefeitura no limite de 1 salário mínimo, nos termos da Lei Municipal n° 2433/2017. As famílias foram notificadas individualmente no último dia 5, sobre o deferimento dos processos.

Das famílias classificadas como desalojadas, cinco tem parecer da Defesa Civil para o retorno aos imóveis. As demais famílias que se encontram na casa de parentes e amigos foram orientadas individualmente pelas assistentes sociais nos processos de auxílio aluguel, cujo deferimento é condicionado a entrega de documentos por parte dos responsáveis.

A administração informou ainda que as famílias elegíveis aos critérios do Programa Estadual do CDHU estão sendo acompanhadas pela Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária para viabilização do acesso.

Áreas de Risco

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) fez um trabalho para atualizar o Mapa das Áreas de Risco do Município no município. Em seguida, elaborou o Plano Municipal de Redução de Risco. Foi um trabalho bem elaborado que indicou 21 áreas (bairros), e 52 setores (localidades dentro dos bairros) de risco de deslizamento de terra, e 34 setores de inundações, em toda extensão do município. Confira as áreas de risco:

 

Barequeçaba tem duas áreas de risco


Áreas de risco de deslizamento

Bairro:
Barequeçaba – 2 setores;
Barra do Sahy – 1 setor;
Boiçucanga – 7 setores;
Cambury – 3 setores;
Enseada – 1 setor;
Itatinga – 7 setores;
Jaraguá – 2 setores;
Juquehy – 7 setores;
Maresias – 3 setores;
Morro do Abrigo – 6 setores;
Olaria – 4 setores;
Paúba – 2 setores;
Topolandia – 3 setores;
Toque Toque Pequeno – 2 setores;
Varadouro – 1 setor.

Áreas de risco de alagamento
Boracéia – 1 setor;
Barra do Una – 2 setores;
Juquehy – 1 setor;
Baleia Verde – 1 setor;
Cambury – 6 setores;
Boiçucanga – 4 setores;
Maresias – 3 setores;
Paúba – 2 setores;
Toque Toque Pequeno – 1 setor;
Barequeçaba – 1 setor;
Topolandia – 1 setor;
Centro – 1 setor;
Enseada – 4 setores;
Jaraguá – 1 setor;
Canto do Mar – 5 setores;
São Francisco – 1 setor.

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