Polícia São Sebastião

Caso Lelo: Inquérito “sigiloso” vaza nas redes sociais e investigações podem ser prejudicadas

Página de inquérito que vazou nas redes sociais

Parte do inquérito feito pela Polícia Civil de São Sebastião, que apura a morte do arquiteto Wesley Augusto Santana, o Lelo, de 39 anos, ocorrida no dia 6 de outubro, apesar de “sigiloso”, vazou nas redes sociais nesta semana.

O inquérito policial, conduzido pelo delegado Dr. Vanderlei Pagliarini, já conta com 314 páginas e ainda aguarda a chegada dos laudos e documentos pelas operadoras de telefonia móvel e de Whatsapp dos celulares apreendidos e também o resultado da exumação feita no corpo de Lelo, no dia 9 deste mês, para ser concluído.

Das 314 páginas, 118 vazaram nas redes sociais. Segundo informações, o vazamento ocorreu porque uma pessoa da família do arquiteto morto precisou da documentação para uma ação de inventário. O vazamento se deu a partir da juntada dos documentos no inventário.

As páginas do inquérito, que vazaram nas redes sociais, mostram boa parte do trabalho elaborado pela equipe comandada por Pagliarini, como imagens das câmeras de monitoramento obtidas no dia do crime, transcrições de conversas em celulares e fotos encontradas no celular do suspeito, que podem comprometer o envolvimento de pessoas muito próximas ao arquiteto.

As investigações, conforme o que se vê nas apurações feitas até aqui pela polícia de São Sebastião, podem indicar que trata-se de um crime passional, mas isso só deve ser oficializado no final do inquérito, após a chegada dos laudos e do recolhimento de novos depoimentos.

O delegado Pagliarini já havia adiantado em entrevista anterior, que  a morte do arquiteto teria motivação “80% passional e 20% financeira”.

Com relação a parte do inquérito que vazou nas redes sociais, Pagliarini afirmou que o vazamento pode vir a prejudicar as investigações, ainda em andamento.

O delegado descartou a possibilidade do vazamento dos documentos vir a colocar em risco a vida de possíveis envolvidos na morte de Lelo.

O principal suspeito do crime, Robson de Souza, o “Kero-Kero”, permanece preso temporariamente em uma das celas da delegacia de Caraguatatuba.

Segundo adiantou o delegado, a prisão preventiva de Kero-Kero deve ocorrer apenas em janeiro de 2019. Quando for decretada a prisão preventiva, o suspeito deverá ser removido para o CDP(Centro de detenção Provisória) de Caraguatatuba.

A reportagem não conseguiu o contato do advogado de Robson de Souza para saber que prejuízos o vazamento do inquérito poderia causar ao principal suspeito pelo crime.

Lelo, de 39 anos, foi morto em sua casa, com golpes na cabeça.

Crime

Segundo informações dadas pela sua mulher à polícia, teria havido uma agitação e muito barulho, naquela madrugada, do dia 6 de outubro, na parte inferior da família, local onde Lelo se encontrava no momento do crime. O crime ocorreu,  por volta das 3h30 da madrugada de sábado, quando Lelo teria retornado de um barzinho.

A mulher assustada com o barulho teria pedido ajuda aos vizinhos. Um dos vizinhos teria ido até o local e encontrou o arquiteto, bastante ferido, em um sofá.

Lelo, que trajava apenas uma cueca, de cor branca, estava com a cabeça caída sobre um dos “braços” de madeira do sofá. Havia muito sangue espalhado pelo local. Imediatamente, o vizinho teria acionado o resgate e a Polícia Militar.

O arquiteto chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos graves ferimentos e morreu, quando estaria sendo removido para o Hospital de Clínicas de São Sebastião.

A polícia civil constatou que foram levados da casa dois celulares e uma arma calibre 380, que era de propriedade da vítima. Nada mais teria sido levado.

Foi constado pelo IC(Instituto de Criminalística) que uma porta lateral da cozinha, havia sido forçada. Por essa porta, podem tem adentrado à residência os possíveis autores do crime.

O IC também descartou a hipótese de que o arquiteto tenha sido morto a tiros. Na sala onde Lelo foi morto, não foram encontradas cápsulas de armas de fogo.

A polícia não encontrou nenhuma testemunha, que percebeu ou viu a movimentação de pessoas estranhas nas proximidades da casa do arquiteto, durante a madrugada em que ocorreu o crime.

Lelo ocupava o cargo de chefe de seção de Obras Particulares na Secretaria de Obras da Prefeitura de São Sebastião. Ele também foi policial militar na cidade até 2008.

 

 

 

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