Política

Servidores da prefeitura de São Sebastião fazem paralisação para reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho

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Na semana passada, ato similar foi realizada na cidade, mas reivindicações não foram atendidas

O ato começou em frente a Prefeitura, às 8h, e se estendeu com uma passeata pela cidade; manifestantes fizeram uma assembleia na praça da Igreja Matriz

 

Por Rafael César, de São Sebastião

Um grupo de cerca de 200 servidores públicos de São Sebastião voltou a se reunir nesta terça-feira (24) para reivindicar reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho da categoria. A concentração novamente ocorreu em frente à sede da prefeitura, desta vez no período da manhã. O ato foi organizado pelo Sindserv (Sindicato dos servidores públicos de São Sebastião).

Os manifestantes, porém, foram impedidos de entrarem no paço municipal por alguns guardas, que fecharam o portão de acesso. O movimento contou com a participação de funcionários concursados, entre eles, professores, agentes de saúde, motoristas, secretariados, entre outros profissionais.

Algumas unidades escolares do município ficaram sem aula por conta da paralisação. Exemplo disso ocorreu na escola Edileusa Brasil Soares de Souza, no bairro de Maresias.

A maioria dos integrantes do protesto vestiam as camisetas pretas, símbolo do movimento. Eles ainda portavam cartazes e usavam apitos para chamar a atenção, num barulho ensurdecedor. Mesmo com a paralisação o prefeito, Ernane Bilotte Primazzi (PSC), não atendeu os servidores em seu gabinete, tampouco deu uma resposta para a classe.

A categoria está pedindo os dissídios referentes aos anos de 2015 e 2016, totalizando 22,71%. O sindicato alerta que a partir de quarta-feira (01) não poderá ocorrer pagamento de reajuste, por conta de restrições da legislação eleitoral. Segundo a assessoria de imprensa do Sindserv, os servidores correm o risco da próxima administração não pagar o que é de direito da categoria, por conta de serem dívidas e perdas anteriores.

Os servidores destacam que 11,52% (referente a taxa de inflação de 2015) e os 11,19% (referente a reposição salarial de 2016) são direitos garantidos pela Constituição Federal e pela Lei Orgânica do Município. Algumas cidades vizinhas concederam o reajuste como Ilhabela (11%) e Ubatuba (10,4%). Além disso, os servidores da Câmara de São Sebastião receberam o reajuste de 10%.

“Ninguém aqui têm um salário alto. A base salarial de um agente de saúde, por exemplo, é de R$ 1mil. Já os salários de outros é de um salário mínimo, então quer dizer que esse reajuste ajudaria muita gente”, explicou a presidente do Sindserv Audrei Queli Guatura.

Durante a manhã o vereador Reinaldo Moreira Filho (PSDB), o Reinaldinho, compareceu no protesto. No período da tarde quem foi dar apoio ao movimento dos servidores foi o vereador Gleivison Gaspar (PMDB), o professor Gleivison.

Na assembleia extraordinária que ocorreu na praça do Coreto ficou decidido que haverá uma nova paralização na próxima terça-feira (31), caso não recebam o reajuste antes. Também ficou decidido que terá um protesto que irá começar às 7h em frente ao Pão de Açúcar, na Avenida Guarda Mor Lobo Viana.

Para a assistente social aposentada, Ana Meliá Mera, a mobilização dos servidores teve um resultado positivo. “Trabalhei como assistente social durante 20 anos da minha vida, eu tenho muito orgulho disso. Mas o descaso está muito grande com a classe no momento. Eu tinha que receber minha aposentadoria através do FAPS e não estou conseguindo também. Esse negócio de que o IPTU da Petrobras que irá nos pagar já está ficando ultrapassado”.

Sessão da Câmara

A sessão da Câmara de São Sebastião novamente foi marcada com protestos dos servidores. A reunião durou cerca de 40 minutos, pois os servidores pediam uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para averiguar a existência de funcionários fantasmas em alguns cargos da Prefeitura para haver corte no orçamento .

O pedido não foi acatado pelos vereadores e o presidente da Câmara decidiu encerrar a sessão, por conta dos gritos de ordem, apitos e caixas de sons instaladas ao redor da Câmara pelos manifestantes. 

“Eu apoio a manifestação dos servidores, porém, não acho que uma CEI iria resolver alguma coisa. Já sabemos que é ano eleitoral e, a partir de quarta-feira não se pode mais fazer esse pagamento a classe. A CEI depende de quatro assinaturas, mas leva 90 dias este trabalho. O pior de tudo isso, é que não estamos dando andamento aos trabalhos do Legislativo”, falou o vereador José Reis (PSB), o Reis.

Para o diretor do Sindserv, Ivan Moreira Silva, a ideia da CEI seria uma boa alternativa.“Queremos saber quantos comissionados são nesse ‘cabide de empregos’ e quantos funcionários fantasmas existem e que podem ser cortados, já que falam que não tem dinheiro para pagar os servidores”, completou.

A Prefeitura esclareceu que está estourando a meta orçamentária prevista para o período e que irá apresentar uma revisão assim que possa utilizar a verba vinda do IPTU da Petrobras que é de quase R$ 26 milhões.

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