Geral Ubatuba

Ubatuba: Vereadores criticam serviços prestados pelo IML da cidade

Os serviços prestados pelo IML(Instituto Médico Legal), em Ubatuba, vem recebendo muitas críticas por parte de moradores e vereadores da cidade.

A demora na liberação de corpos nos fins de semana chega a levar mais de 24 horas. Entre as causas estão: a falta de médicos legistas; o horário de atendimento no IML, das 6 às 18 horas; e, o fechamento das delegacias nos fins de semana.

No acidente ocorrido, no domingo(16),  na Rio-Santos, próximo a praia do Lázaro, envolvendo três motos e um carro, os corpos de dois motociclistas, somente, foram liberados para às famílias 16 horas após a morte deles.

Poderia demorar muito mais, mas os familiares de Manoelzinho, uma das vítimas fatais do acidente- era líder comunitário na bairro da Lagoinha, conseguiram que o vereador Ricardo Cortês, médico legista, agilizasse a liberação dos corpos.

Se não ocorresse a intervenção de Cortês, o corpo de Manoelzinho seria liberado apenas na segunda(17), ou seja,  24 horas após o acidente. O corpo do líder comunitário foi liberado dez horas após a sua morte após a ajuda de Cortês.

O acidente foi às 6 horas da manhã de domingo e só às 18 horas saiu o Boletim de Ocorrência da delegacia. Ai veio a informação para Manoelzinho que o corpo só viria  a ser liberado na manhã de segunda-feira, ou seja, os parentes teriam que esperar 24 horas para poder velar o corpo.  

O Vereador Claudnei Xavier (PSDB)  afirmou que a população não está satisfeita com esse serviço público” (o IML) e sugeriu a assinatura pelos dez vereadores de um documento conjunto a ser encaminhado ao Governo do Estado cobrando providências, visando a agilizar os procedimentos.

O Vereador Ricardo Côrtes (PSC), médico legista do IML de Ubatuba, confirmou que o corpo só  foi liberado 16 horas após a morte.

“É mesmo absurdo, mas para agilizar seria necessário termos pelo menos quatro médicos no IML. Tínhamos quatro médicos, mas dois deles se aposentaram e ficamos em dois médicos, dividindo carga horária de 24 por 24 horas e isso está errado”, argumentou.

Segundo Côrtes, o  Código Penal libera autópsias apenas das 6 horas da manhã até 18 horas. Após esse horário, se pode deixar de  autopsiar para fazer no dia seguinte, ou seja, determina que tem que ser feito “com visibilidade de luz solar.

Ele contou ainda que para se acionar o IML tem que haver requisição de um Delegado de Polícia. Não vale um Juiz, um Promotor. E as delegacias todas do litoral só contam com um delegado de plantão em Caraguatatuba, atuando em vídeo-conferência.

“Mas tudo isso é ultrajante, é chato, é horrível um parente ver seu ente querido largado no meio da pista das 6 horas da manhã por tantas horas até chegar o legista da policia técnica para liberar. Faltam legistas em todo o Estado. Houve época em que eu subia para Taubaté para cobrir ausências, pois o médico de Pinda não podia ir. Antes os corpos de Ubatuba iam para São Sebastião”, concluiu Côrtes.

Cortês é o coordenador dos postos do IML no Litoral Norte. Apesar de ser uma região turística, Ilhabela não tem IML, o atendimento é feito em São Sebastião; o exames de autopsia em São Sebastião foram feitos durante cerca de oito meses pelo posto de Caraguá, devido a reforma do posto sebastianense. E, o posto de Ubatuba, tem apenas dois legistas.

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