Geral Litoral Norte

Na reforma de quiosque, proprietário “apaga” obra valiosa do artista Gustavo Rosa

A história é bem interessante. Um comerciante de Caraguá, conhecido como Na manha, que possuiu um estabelecimento na Praia da Tabatinga, sem saber, “apagou” uma pintura feita por um renomado artista brasileiro em uma das paredes de seu quiosque. Durante a reforma do quiosque, ele acabou passando uma tinta sobre o desenho feito por Gustavo Rosa, feito em uma das paredes de madeira do estabelecimento. Na Manha desconhecia o valor artístico e econômico da obra.

Por Salim Burihan

A obra tinha sido feita pelo artista Gustavo Rosa, em 2013, um frequentador do local. Gustavo morreu em 2013, aos 67 anos, de câncer nos pâncreas. A partir de sua morte, suas obras se valorizaram e passaram a ter muita procura por parte de colecionadores e marchands do Brasil e do exterior.

Um desses colecionadores, ficou sabendo da pintura feita por Gustavo em umas das paredes do quiosque, resolveu procurar o Na Manha. Ele queria comprar a obra. A ideia dele era recortar a madeira e enquadrar a pintura, para posterior venda aos interessados.

Quando o colecionador chegou ao quiosque teve uma grande surpresa. Na Manha, por puro desconhecimento do valor da obra, tinha feito uma pintura sobre ela, durante a reforma do quiosque para a temporada de verão.

“Caramba, levei um baita susto quando o colecionador me contou que as obras de Gustavo Rosa tinham uma grande procura e valor. Não sabia que ele era tão importante. Foi uma pena, perdi dinheiro e perdemos uma obra importante dele”, contou Na Manha.

Henfil

Nas décadas de 80 e 90 era muito comum a presença de artistas plásticos, atores e atrizes nas praias do Litoral Norte, na época, ainda pouco frequentadas.

Eu, por exemplo, conheci o Henfil, em 1981, quando ela passava férias em Caraguá, numa casa do Indaiá, de propriedade do Flávio Império, um importante cenógrafo, arquiteto e artista plástico brasileiro, vencedor do Prémio Jabuti de 1967, falecido em 1985.

Na ocasião, pedi ao Henfil que fizesse a logomarca de um barzinho que iria abrir em Caraguá. Ele, numa humildade impressionante, atendeu meu pedido. Não sei, mas tudo indica, que tenha sido o único ou um dos poucos trabalhos “comerciais” produzidos por Henfil.

Ele fez numa boa, sem cobrar nada, como se fosse, apenas, pela amizade, enquanto jantava ao lado da atriz Elizabeth Savalas e do ator Stênio Garcia, no Restaurante Xamego, de propriedade de minha mãe, dona Maria.

Mantenho até hoje o original da logamarca produzida por Henfil. Para mim, uma verdadeira obra de arte. Henrique de Souza Filho, mais conhecido como Henfil, foi um  importante cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro. Faleceu em 1988, aos 44 anos.

Gustavo Rosa

Gustavo Machado Rosa foi um artista autodidata, nasceu em 20 de dezembro de 1946, na cidade de São Paulo. Conseguiu enxergar com sensibilidade o irreverente, o humor, o delicado, o grotesco e o belo, transpondo-os com traços definidos, singelos, diretos e claros. Suas obras são brasileiras e universais, contam a realidade irônica e poeticamente ao mesmo tempo.

O humor da pintura de Gustavo Rosa era reflexo da liberdade de viver e criar do artista, que acreditava ser a imaginação mais poderosa que o ser humano.

Em 1966 teve sua primeira experiência ao participar de uma exposição coletiva na FAAP. Em 1968 ganhou prêmio “medalha de ouro” (pintura) e viagem à  Europa no “Primeiro Festival de Artes Interclubes”, em São Paulo.

Realiza a sua primeira exposição individual na Galeria Alberto Bonfiglioli em 1970, tendo já ganho no ano anterior a medalha de ouro e o prêmio de viagem ao exterior no 1º Festival de Artes Interclubes, no Clube Monte Líbano.

Em 1974, estuda gravura com o norte-americano Rudy Pozzati, no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado – MAB/Faap. Em 1979 e 1980 participa da Exposição Brasil-Japão em Tóquio.

Expõe, em 1979, no Salão Nacional de Artes Plásticas e, em 1980 e 1983, no Panorama da Arte Atual Brasileira, no MAM/SP. Em 1990 participou de exposição coletiva no International Museum of 20th Century Arts, em Los Angeles, Estados Unidos.

Lançou, em 1994, uma grife com o seu nome em Nova York. Em 1998, desenvolve as capas de cadernos escolares da marca Tilibra. Gustavo Rosa lançou os livros “Pintando Um Mundo Melhor com Gustavo Rosa”, “Gustavo Rosa”, “Sem Raça, Com Graça” e ilustrou “A Melhor Seleção do Mundo”. Ele faleceu em 12 de Novembro de 2013.

 

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