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Estado negocia a privatização da Rodovia Rio-Santos. Nova Dutra deverá assumir a rodovia

O governo de São Paulo ainda negocia com o governo federal a privatização da Rodovia Rio-Santos. A privatização é defendida como única solução para a melhoria da estrada, que em épocas de feriados e temporada de verão fica congestionada e tem pisos desgastados e pontes necessitando de reformas. Há 43 anos, as obras dos contornos da Rio-Santos, na época, executadas pelas mesmas empresas Serveng e Queirós Galvão(responsáveis pelos contornos da Tamoios), também foram paralisadas. Confira essa história

Por Salim Burihan

A Secretaria de Logística e Transportes informou que ainda está em negociação com o Governo Federal a possibilidade de colocar a concessão da rodovia Rio-Santos dentro do processo de renovação dos contratos da Nova Dutra. O objetivo é beneficiar toda a extensão da rodovia, sob jurisdição do DER.

A secretaria não comentou sobre a instalação de pedágios ao longo da Rio-Santos em seu trecho do litoral paulista. A secretaria apenas divulgou que o assunto continua sendo tratado com o governo federal.

A proposta de privatização da Rio-Santos foi defendida por Doria em sua campanha eleitoral para o governo do estado. Para Doria, a privatização da rodovia irá melhorar a qualidade da rodovia, reduzir os acidentes e beneficiar o turismo no Litoral Paulista.

“A Rio-Santos é um modal importante sobretudo para o turismo nessa região do litoral norte de São Paulo. Não faz sentido que uma rodovia dessa importância não esteja concessionada e sendo operada pelo setor privado, melhorando a sua eficiência, reduzindo o seu potencial de acidentes e melhorando a funcionalidade para irrigar a indústria do turismo”, disse Doria.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, confirmou recentemente, que o governo vai incluir a rodovia Rio-Santos (trecho da BR-101) no leilão de relicitação da Nova Dutra (Rio-São Paulo).

Em 2017, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) decidiu relicitar à concessão Nova Dutra, que está próximo de vencer. O trecho é operado pela empresa CCR e é a principal ligação terrestre entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

“A Rio-Santos será feita dentro do que será a nova concessão da Nova Dutra”, afirmou o ministro após se reunir com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

 Rio-Santos

Máquinas abrem a estrada em direção a Angra dos Reis em 1972. Foto: Arquivo Nacional

A ligação rodoviária do Rio de Janeiro até Santos, com cerca de 500 quilômetros foi concluída em 1975 e tinha, entre seus principais objetivos, interligar o acesso rodoviário entre os portos do Rio de Janeiro, Angra e Santos.

Na verdade, eram três o objetivos principais: 1) unir dois importantes polos econômicos, seguindo a Serra do Mar; 2) a estrada poderia servir de fuga para os moradores de Angra dos Reis em caso de problemas graves na Usina Nuclear de Angra; e, 3) explorar os encantos do litoral sul-fluminense(Rio) e do litoral norte de São Paulo, com praias maravilhosas, ilhas, cachoeiras além de suas matas e montanhas.

Durante o governo Médici, a abertura da “Estrada do Sol”, a Rio-Santos, era destacada como uma “super obra”, apesar dos desmatamentos e dos serviços serem executados em terras arenosas e frágeis. O resultado foi o enfraquecimento do terreno pela retirada da vegetação natural e a sobrecarga do solo abaixo dos platôs, o que reflete nos deslizamentos de suas encostas e nos rompimentos do asfalto nas épocas de chuvas até os dias de hoje.

Um vídeo foi produzido pelo governo na época, 1972, destacava a importância da abertura da Rio-Santos. O documentário da Agência Nacional intitulado “Estrada do Sol: Rio-Santos” sobre a estrada ligando a cidade do Rio de Janeiro e a cidade de Santos, no litoral paulista. O vídeo apresenta as obras de construção da rodovia, assim como aspectos da cidade do Rio de Janeiro, Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty, no estado do Rio de Janeiro, e Ubatuba, São Sebastião, Bertioga e Santos, no estado de São Paulo. Arquivo Nacional. Fundo Agência Nacional. Assista:

A abertura da rodovia Rio-Santos, aumentou o turismo em Angra e Paraty, cidades até então quase inacessíveis. Essas duas cidades tiveram um grande crescimento imobiliário a partir da abertura da estrada.

Litoral Norte

Vale lembrar que o trecho da rodovia entre Ubatuba e Caraguatatuba já existia, e para concluir a ligação entre as duas grandes capitais portuárias do país, Rio e Santos, foi necessário utilizar trechos da rodovia paulista, hoje SP 055, que percorre as cidades do litoral norte.

Pouca gente sabe, no entanto, que há 43 anos investimentos feitos pelo governo federal, com o mesmo objetivo, foram totalmente abandonados. O DNER(Departamento de Estradas de Rodagem) investiu cerca de US$ 15 milhões de dólares, na época, para fazer os contornos ligando a rodovia dos Tamoios as cidades de São Sebastião e Ubatuba. Serveng e Queiróz Galvão foram contratadas na época para fazer as obras, abandonadas em 1976.

Cerca de 30 quilômetros de estradas, pertencentes aos dois trechos, foram abandonados em 1976 pelo DNER. Nesses dois trechos foram construídos, na ocasião, dez viadutos e pontes, desde então abandonados na Serra do Mar. A construção dos contornos foi abandonada pelo governo federal logo após a conclusão do trecho da Rio-Santos, que interligava Ubatuba ao Rio de Janeiro.

Tudo indica que a finalidade do governo federal era apenas a conclusão do  trecho entre Rio e Ubatuba, por causa da Usina Nuclear de Angra dos Reis, considerada área de Segurança Nacional, do Terminal da Petrobras e do Estaleiro Verolme, todos no litoral sul-fluminense.

Contornos

Obras do contorno de 1976 abandonada no meio da mata em Caraguá

Em 1976, finalizado esse trecho, de cerca de 254 quilômetros entre o distrito industrial de Santa Cruz(RJ) e Ubatuba, que custou US$ 48,31 milhões, na época, as obras do contorno de Caraguá foram interrompidas definitivamente.

Existem várias versões para a interrupção das obras do contorno de Caraguá e São Sebastião. A primeira, que não havia mais orçamento para a conclusão das obras, uma vez que a construção da Rio-Santos teria custado muito acima da média(estaria entre as estradas mais caras do país, na época); a segunda versão, o governo federal desistiu de dar continuidade às obras devido ao baixo movimento de veículos registrado na época, ao longo da rodovia Rio-Santos. A rodovia movimentava cerca de 5 mil veículos por dia; a terceira versão, o dinheiro que seria investido nos contornos foi transferido para a construção do acesso norte da Linha Vermelha que movimentava 240 mil veículos/dia.

A quarta versão consta, que os comerciantes de Caraguá, preocupados com uma possível queda no movimento de turistas ( com o contorno, os turistas com destino as cidades de Ubatuba e São Sebastião,  deixariam de circular pela cidade) pediram ao então prefeito José Bourabeby, que acionasse o governador Paulo Maluf, para que as obras fossem interrompidas. Maluf teria conseguido convencer o então ministro Mário Andreazza a cancelar as obras do contorno de Caraguá.

O projeto dos contornos projetados pelo DNER na década de 70 era bem diferente do atual. O acesso até São Sebastião seria feito através de Boiçucanga. O acesso para Ubatuba passaria por atrás do centro de Caraguá, saindo no Massaguaçu. O contorno atual para São Sebastião, chega a região central. No de Caraguá, chega até a divisa da Martim de Sá e Olaria. Os atuais contornos contam com obras modernas com túneis e viadutos, mas as obras estão paralisadas desde o mês de julho do ano passado, a um custo de R$ 2 bilhões.

As obras, na década de 70, estavam sendo executadas pelas construtoras Serveng-Civilsan( lote 1, entre o Porto Novo e a Serra, com 10 quilômetros de extensão), Camargo Correa( lote 2, construção de cinco viadutos, no trecho da serra), Mendes Junior(lote 3, entre alto da serra até Boiçucanga) e Queiróz Galvão(lotes 4 e 5, 80 quilômetros entre Boiçucanga e à rodovia Piaçaguera-Guarujá.

Como se vê, 40 anos depois, as mesmas empreiteiras, Queiros Galvão e Serveng-Civilsan, retomaram as obras dos contornos e, novamente, deixaram de concluir os serviços. As duas empresas após executarem 70% das obras dos contornos Norte e Sul, suspenderam os serviços no segundo semestre do ano passado.

O governo Doria, optou em rescindir os contratos com as duas empreiteiras. O estado faz uma auditoria nas obras executadas e após esse levantamento, abrirá uma nova licitação para a conclusão dos contornos Norte e Sul da Rodovia dos Tamoios.

 

Os viadutos construídos na década de 70 permanecem abandonados na Serra do Mar. São utilizados para prática do rapel e observação de pássaros, por moradores e turistas. Cinco viadutos abandonados estão na área de Caraguá, num trecho de cerca de nove quilômetros; outros quatros viadutos, espalhados num trecho de onze quilômetros entre o alto da serra e Boiçucanga, na costa sul sebastianense. A malha viária, aberta nesses trechos em 1976, hoje está toda coberta pela vegetação da Mata Atlântica.

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1 Comentário

  • O Estrago de São Paulo, na pessoa do senhor excêntrico Jão “Murcho” Baidória, está pouco preocupado com a população. Concentra toda a sua preocupação com empresários e banqueiros, gente de seu círculo íntimo.

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