MPF Operação Checkout

Empresário é preso por fraudes no Carf. Empresa de turismo teve dívida de R$ 161 milhões abatida após pagar propina de R$ 39 milhões

Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) deflagrou nesta terça-feira (12), em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal, a Operação Checkout, de combate a irregularidades na condução de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao atual Ministério da Economia. Um empresário foi preso temporariamente e 23 ordens de busca e apreensão foram cumpridas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Além de expedir os mandados, a Justiça decretou o bloqueio de bens de 16 envolvidos, entre pessoas físicas e jurídicas, e o afastamento de um servidor da Receita.

O balanço da operação foi divulgado nesta terça(12) durante coletiva na sede da Polícia Federal em São Paulo, da qual participou o procurador da República Vicente Solari de Moraes Rego Mandetta, um dos responsáveis pelas investigações. De acordo com as autoridades, os mandados foram cumpridos para a obtenção de evidências que demonstrem a extensão do esquema e para se evitar a destruição de provas.

O empresário preso atuava como lobista, intermediando negociatas para o favorecimento de companhias com pendências em tramitação no Carf. Com acesso a informações fiscais sigilosas, ele oferecia facilidades ilícitas a empresas contra as quais havia cobranças de impostos em atraso e multas. O investigado integrava uma extensa rede de agentes, que incluía também advogados, servidores públicos e ao menos dois membros do Conselho. O caso que levou à deflagração da operação desta terça envolve uma grande empresa de turismo, que teve dívidas de R$ 161 milhões abatidas por decisão do Carf em 2014 após o pagamento de R$ 39 milhões em propinas ao grupo.

Durante as buscas, os investigadores localizaram não só documentos e dispositivos, mas também joias e cerca de R$ 85 mil em espécie. A partir do material apreendido, as autoridades pretendem identificar todos os destinatários da propina milionária. O lobista e duas empresas vinculadas a ele receberam a maior fatia. Do restante, há indícios de que parte foi transferida para empresas de fachada e parte para companhias que realizavam a emissão das cifras ao exterior. Além de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, o grupo é investigado pelas práticas de sonegação tributária, corrupção ativa e passiva e organização criminosa.

A Operação Checkout é um desdobramento da Operação Descarte, deflagrada em março do ano passado, quando parte das fraudes foi descoberta. Apesar da semelhança do modo como os esquemas apurados funcionavam e da coincidência de alguns envolvidos, essas investigações não estão vinculadas à Operação Zelotes, conduzida desde 2015 por autoridades do Distrito Federal para o combate a atos de corrupção no Carf.

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