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A pandemia a proibiu de abraçar, mas ela seguiu distribuindo afetos com o olhar do coração

Vania Calvancante

A conselheira tutelar Vania Cavalcante, que vive em São Sebastião, desenvolve um trabalho voluntário que não parou durante a pandemia e merece homenagens de toda a sociedade pelo Dia Internacional da Mulher.

Ao lado do marido, conhecido como Betão, leva adiante o projeto Mãos que Acolhem, que atende de forma humanizada pacientes que são vítimas de câncer e seus acompanhantes. O trabalho é desenvolvido nas quatro cidades do Litoral Norte.

Na equipe existem várias mulheres, mas durante a pandemia, o casal achou prudente suspender os atendimentos com todos os voluntários e apenas eles continuaram na ativa. “Nosso projeto está situado no Hospital de Clínicas de São Sebastião, ele é um braço do Hospital São Francisco, de Taubaté”, explica Vânia. “Nós tínhamos um espaço onde oferecíamos um café e um acolhimento fraterno para os pacientes acometidos de câncer e também para os acompanhantes”, explica a conselheira.

O carro chefe do projeto Mãos que Acolhem é o abraço. “A gente continua fazendo o acolhimento da melhor forma possível, sempre levando amor, carinho e afeto. Sempre falamos da importância da “abraço terapia e do amigólogo”, que é o que a gente se propõe a ser”, explica Vânia.

Vânia com seu marido Betão e sua filha, Maria Eduarda

No período de pandemia o abraço ficou inviável. “A gente pode observar e ter o relato dos pacientes do quanto o acolhimento em si é importante, mas o que fazer, como fazer e foi então a gente resolveu seguir com o projeto de forma menos abrangente, mas fazendo uso de um dos nossos sentidos, que se faz muito importante que é a visão, então a gente pode olhar com o coração, para cada um desses pacientes e desses acompanhantes e isso foi muito gratificante para gente”, emociona se.

O café que era fornecido antes da pandemia foi transformado em saquinhos de amor. “Dentro do saquinho a gente coloca muito amor, boas vibrações e algumas doações que temos conseguido, que é uma fruta, um suco, biscoito doce e salgado, por vezes a gente coloca uma caixa de aveia ou lata de sardinha e vemos o quanto isso é importante para eles, não a questão dos alimentos em si, mas a questão do carinho e do acolhimento”, relata.

Durante a pandemia Vânia conseguiu observar e ver o próximo com um olhar mais carinhoso. “Muitas pessoas se mostraram muito mais vulneráveis e sensíveis. Aquilo que era tão simples, como o toque, pois se eu quisesse abraçava, beijava, mas o contato ficou extremamente limitado na pandemia, então as pessoas perceberam o quanto isso é importante”, reflete. “As pessoas estão mais abertas e conscientes para aquilo que de fato é importante, que é o simples, que é o contato físico, que é o carinho, só que a gente não pode abraçar e beijar, mas a gente pode trocar mensagens, a gente pode demonstrar que se importa com as pessoas, isso não está proibido”, finaliza.