Cidades Ubatuba

Lidi Keche fundou grupo que em plena pandemia ajuda pessoas e o meio ambiente

Lidi Keche

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o portal Tamoios News vai contar um pouco do trabalho de Elidiana Keche, Lidi como gosta de ser chamada, de 37 anos, que nasceu no Paraná, mas foi ainda bebê com a família para o Amazonas e morou lá até os quatro anos de idade, depois veio para Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, pois o pai trabalhava na construção de estradas.

O meio ambiente está na sua história de vida. “A primeira infância foi em alta floresta, depois vim para Ubatuba, ou seja, sempre na mata”, explica. “Tudo começou implantando educação ambiental na escola, um projeto simples, que eu coloquei em prática durante uma licença que eu tive do cargo de agente educacional, que ocupo na prefeitura de Ubatuba. Eu tive uma orientação médica, que me afastou da função, porém eu continuei cumprindo horário na escola, isso em 2019. Ali eu consegui escrever um projeto voltado para criança, com muitas aulas práticas. Fomos ao mangue, fomos plantar árvores, fomos no Instituto da Árvore, entre outras ações”, enumera.

Depois do envolvimento com as ações ligadas ao meio ambiente chegou o período de quarentena e em setembro de 2020, durante a pandemia o grupo Tamoio foi fundado oficialmente. O nome foi escolhido em referência aos antepassados que lutaram pela preservação da natureza. “No início era apenas, eu, Edgard Júnior e Flaviane Silva. Marcamos uma ação e anunciamos em nossas redes sociais”, lembra Elidiana.

Ela e os amigos estavam entediados e pensaram em fazer algo tomando todos os cuidados, como o distanciamento e o uso de máscaras. “Fiquei três meses dentro de casa em total isolamento por conta da pandemia e não aguentava mais. Marcamos uma limpeza na praia Perequê Açu. Cerca de 20 pessoas atenderam nosso chamado e assim começou o grupo Tamoio”, relembra.

“A gente já tinha um trabalho de boias de contenção de barreira de resíduos sólidos, no rio Tavares, que é o segundo mais poluído de Ubatuba. Incluímos as pessoas que foram na ação da praia, na ação das boias no rio e de lá pra cá participamos de outras ações e pretendemos continuar assim, mesmo em meio a pandemia, pois tomamos todos os cuidados necessários”, explica.

Lidi faz a organização de toda movimentação do grupo Tamoio. “Muitas vezes temos ações simultâneas em locais diferentes, dividindo o grupo para diminuir o risco de contágio, sempre seguimos as orientações de uso de máscara, álcool e distanciamento. Não me considero criadora do Tamoio, mas organizadora, pois lá tentamos que todos tenham a mesma voz. Hoje somos cerca de 100 membros no grupo de voluntários do Whatsapp, 8 administradores no Facebook e 16 organizadores que conduzem ações com a minha supervisão, porém a intenção é que outros venham para esse lugar, que possam fazer essa função também”, conta.

No grupo existem mais de 20 mulheres. “De uma forma geral todas nós distribuímos cestas, limpamos casas após enchentes, fizemos grupos de apoio, fomos ao abrigo, levamos brinquedos. Eu sozinha não tenho nada de especial a ser dito ou mostrado, fundei o grupo, juntei uma galera verdadeiramente empenhada em ajudar quem precisa durante a pandemia, seja no dia-a-dia, seja em situações como enchentes, etc”, explica Lidi, que além de ativista ambientalista é mãe solteira de três filhos, Ícaro, de 16, Ágata, de 14 e Caio Bento, o caçula, de 4 anos.

Lidi é uma cidadã consciente de seus direitos e deveres e conta que recentemente realizou uma mobilização de pessoas para irem até a Câmara Municipal de Ubatuba quando os vereadores iam votar sobre a verticalização, a alteração na lei 711. “Eu gritei, fiz live, briguei, juntei uma galera e cancelaram a sessão. Isso se repetiu por três vezes até que acabou o mandato dos vereadores, isso foi na véspera do Natal e do Ano Novo”, empolga-se, com a certeza de que tem feito o melhor pela sua cidade e pelo próximo.