Cidades

Falta de Luz Assusta Moradores e Turistas em São Sebastião

Marcello Veríssimo
Marcello Veríssimo

Pouca luz favorece assaltos e gera insegurança

Postes de energia apagados na Rua da Praia provocam queda nas vendas no comércio na região central

Por Marcello Veríssimo

Um sinal de S.O.S. em meio ao breu que já não esconde mais aquilo que ninguém quer ver. Considerada pela Polícia Militar como “foco de degradação humana”, a Rua da Praia, um dos mais importantes pontos turísticos no centro de São Sebastião, padece agora em seu “complexo turístico” da falta de iluminação pública. À noite, em várias partes do local não é possível ver quem é quem na escuridão, principalmente na chamada feira do artesão, que possui 54 quiosques, nem todos aproveitados em razão da presença de andarilhos e moradores de rua, que fazem do local um tipo de parada onde dormem e fazem suas necessidades.

Mas, mesmo assim, entre alguns moradores e turistas, em pleno período das férias de julho, existe consenso de “não ceder ao medo, pois a vida deve seguir em frente”, disseram alguns passantes questionados pelo portal Tamoios News. Fato é que para o comércio e o setor turístico, que, além do comércio, inclui hotelaria e serviços, ficar no escuro reflete ainda mais o prejuízo de conviver com a falta de infraestrutura adequada para trabalhar. Resultado: queda nas vendas, justamente neste momento de inflação alta e crise econômica. “O banheiro público, além de escuro, depois das 18h fecha”, disse a artesã Maria Eugênia Palieri, uma das mais antigas da feira.

Pelo centro basta sair durante a noite para perceber que São Sebastião está às escuras, seja perto da praia ou dentro dos bairros. E a lista pode ser maior do que se imagina, incluindo localidades como Vila Amélia, Porto Grande, Praia Deserta, Arrastão, São Francisco, Morro do Abrigo, Enseada, Jaraguá, Canto do Mar, na costa norte, além de pontos na Topolândia, Topovaradouro, Baía do Araçá e Barequeçaba, bairro com maior número de ruas apagadas, entre elas a Rua Samambaia, onde à noite só é possível andar a pé com lanternas ou faroletes, assustando moradores e turistas. “A impressão que temos é que sempre vai sair alguém de dentro do mato para nos roubar”, disse uma senhora, que preferiu o anonimato.

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Regiões já consideradas “problemáticas” pelas autoridades policiais, na costa sul, também convivem, não é de hoje, com apagões quase diários, principalmente “perto dos pontos de ônibus, nas entradas dos sertões”, conta Fabiana Medioli, moradora no Sertão do Cacau, na praia de Camburi. Mas ao longo da rodovia, entre o eixo Maresias x Juquehy, que concentra baladas famosas como o Bananas e o Sirena, por exemplo, diversos pontos estão sem luz, favorecendo os assaltos. “Na entrada do Cacau, aqui [no Tijucas], só melhorou depois de muita luta”, completa Medioli, que recentemente consolou uma amiga assaltada na saída da aula de pilates. “Levaram tudo: dinheiro, telefone celular, objetos pessoais. Agora ela está fora do município”, disse, sem revelar o paradeiro da amiga/vítima.

Bandeirante – A assessoria de imprensa da EDP Bandeirante, responsável pelo abastecimento de energia elétrica na cidade, afirmou em nota que vai encaminhar equipes técnicas aos locais apontados pela reportagem para verificar e solucionar a “instabilidade elétrica” dos postes.

A Secretaria de Turismo não comentou o assunto.

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