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“O coronavírus me fez ver a vida de outra maneira”, diz primeiro médico a contrair o vírus em Caraguatatuba

Médico Gustavo Boher, o primeiro médico a contrair coronavírus em Caraguatatuba

O médico coordenador da UPA-Centro de Caraguatatuba, Gustavo Boher, de 53 anos, um dos primeiros profissionais de saúde infectados pelo vírus no município, disse que o coronavírus lhe fez ver a vida de outra maneira.

“Passei a dar valor às coisas mais simples da vida. A doença mudou o rumo da minha vida”, comentou.  Ele foi o primeiro médico da cidade a contrair o vírus. Isso ocorreu no mês de março.

O médico disse que mantinha as devidas prevenções contra o vírus quando surgiram os primeiros casos na capital, mas não tem ideia como contraiu o coronavírus. Ele contou que teve febre, dor de cabeça, se sentiu muito mal e decidiu se afastar preventivamente.

”Senti falta de ar quando subi as escadas de meu apartamento. Era uma falta de ar desesperadora. Você não consegue ver solução e a sensação é de morte”, contou.

Uma tomografia constatou a lesão em seus pulmões provocada pelo vírus. O tratamento, segundo ele, foi feito com hidroxicloroquina, entre outros medicamentos.

Gilberto ficou durante 25 dias em quarentena. Após o tratamento e a quarentena, decidiu retornar ao trabalho na UPA.  Hoje, ele é responsável pelo Centro Covid instalado na UPA Centro.

Upa-Centro adaptada como centro covid pela prefeitura

“Vi a sobrecarga de meus colegas no combate ao covid-19 e percebi que não poderia deixar de ajudá-los. Os pacientes também precisam do nosso trabalho”, comentou.

Segundo ele, doze colegas médicos foram internados devido ao coronavírus, um deles, ficou 32 dias entubado e se recuperou.

Ele comentou ainda que mantém distanciamento da família devido ao risco de contágio.

“Moro em um apartamento emprestado por um colega e só vejo minha família de longe. O distanciamento é difícil, mas temos que preservar a família”, disse.

O médico, que tem mais de 20 anos de profissão, disse que o coronavírus é uma pandemia muito séria e ainda pouco conhecida.

“O coronavírus assusta. A gente vê que é uma pandemia muito séria, mas as pessoas não estão levando isso a sério. Todos devem usar máscaras, fazer a higienização e evitar as aglomerações”, recomendou.

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