Caraguatatuba Cidades

Sindicância na Santa Casa apura troca de corpos em cemitério

A Secretaria de Saúde de Caraguatatuba deu um prazo de 24 horas, que se encerra nesta sexta-feira (22), para que a direção da Casa de Saúde Stella Maris, dê explicações sobre as mortes ocorridas entre os dias 18 e 19 de maio.

A Prefeitura de Caraguatatuba recebeu denúncia de suposta troca de corpos que estavam na unidade hospitalar aguardando reconhecimento de familiares. Os pacientes vieram a óbito na segunda e terça-feira. Um deles teve a confirmação de morte por Covid-19.

Ao ter conhecimento do caso, imediatamente a Secretaria de Saúde solicitou a que a direção da Casa de Saúde Stella Maris abra sindicância para apurar os fatos.

Entenda

A  família de Sérgio Costa registrou um boletim de ocorrência na noite de terça-feira (19), após constatar que o corpo do familiar que seria sepultado no Cemitério Bela Vista pertencia a outra pessoa.

 Segundo o boletim de ocorrência, a família só teria percebido que se tratava de outra pessoa, após checar, durante o velório, que a pessoa que estava sendo sepultada não possuía uma cicatriz de uma recente cirurgia feita de hérnia.

 A história é realmente incrível e envolve três corpos. No caso do sepultamento de Sérgio Costa, que morreu de causas naturais, a família recebeu o corpo e acionou a funerária para o sepultamento ocorrer às 16 horas.

 O corpo foi trajado com roupas fornecidas pela família. O atestado de óbito constava a morte dele por causas naturais. Acontece que durante o velório, as pessoas estranharam e suspeitaram que não se tratava do corpo dele.

 Os filhos decidiram então procurar evidências de que se tratava ou não do corpo do pai. Foi então que decidiram verificar se o corpo tinha a cicatriz da operação de hérnia feita recentemente. Os filhos confirmaram que realmente o corpo não era do pai deles.

O corpo-de acordo com o atestado de óbito e os dados fornecidos pela Santa Casa, seria do professor aposentado João Marcos de Oliveira, 74 anos, que morreu por Covid-19. As famílias iriam descobrir depois que aquele corpo também não era do professor.

 O corpo de Sérgio Costa tinha sido enterrado às 11 horas da manhã, pela família de João Marcos de Oliveira, que era carinhosamente conhecido como “professor joão”. Como o caixão estava lacrado, como determina as autoridades sanitárias, a família não pode fazer velório e nem abir a urna.

 A confusão ainda não terminou. Apesar de toda a documentação expedida pela Santa Casa garantir que tratava-se do sepultamento do professor João, não foi o corpo dele que foi sepultado. Era de outra pessoa, que o Cemitério Bela Vista não soube informar. Segundo o cemitério, após a abertura da urna e os familiares reconhecerem que se tratava de outra pessoa, a funerária teria retirado o corpo do local.

 Os filhos do professor João ficaram mais surpresos ainda,  quando após deixarem o cemitério onde foram acompanhar o sepultamento, receberam a informação de que o corpo do pai ainda não teria sido liberado pela Santa Casa. A liberação do corpo do professor João teria ocorrido apenas na noite de terça-feira (19).  O sepultamento dele acabou ocorrendo às 11 horas da manhã de ontem, quarta-feira(20),  no Cemitério Bela Vista.

 Outra confusão, o corpo de “M.”, que também morreu de causas naturais, foi encaminhado na terça (19), para o cemitério Bela Vista, o sepultamento seria às 16 horas. Familiares que aguardavam o sepultamento de um parente, alertaram a direção do cemitério que aquele corpo não pertencia a família.

 O enterro de  “M.” estava previsto para ocorrer no cemitério municipal e não no cemitério Bela Vista. Após a família perceber o erro, o corpo  foi removido para o cemitério municipal, que fica no bairro do Indaiá, na região central.

Cemitério

Segundo informou a direção do Cemitério Bela Vista, na terça-feira(19), foi sepultado, às 11 horas,  o corpo de Sérgio da Costa- como se fosse o corpo de João Marcos de Oliveira, de 74 anos. Segundo o cemitério, toda a documentação informava que trata-se do corpo do professor João e a urna estava lacrada pois ele havia falecido de covid-19.

 

Segundo a direção do cemitério, os dois filhos do professor João acompanharam o sepultamento, que não teve velório devido à morte ter sido por covid-19 e foram embora, por volta das 11h30.

 

Por volta das 16 horas, chegou outro corpo no Cemitério Bela Vista, mas não se tratava do corpo de Sérgio Costa, morto por causas naturais. A família que estava no Bela Vista para o enterro das 16h teria sido avisada pela funerária que havia ocorrido uma troca de corpos.

 

A direção do cemitério decidiu então chamar a funerária para ver o corpo que havia sido sepultado ás 11h. Como tinha sido sepultado o professor João, falecido por covid-19, o cemitério exigiu os procedimento determinados pela Anvisa.

 

Os funcionários abriram a urna que estava lacrada, tiraram fotos e mostraram aos familiares, tratava-se do corpo de Sérgio Costa, que teria sido sepultado no  lugar do corpo do  professor João.

 

Segundo a direção do cemitério, mais tarde, os filhos do professor João teriam sido informados de que o corpo do professor ainda se encontrava na Santa casa. O corpo dele foi sepultado às 14 horas da quarta-feira(20)

 Confusão

 A Casa de Saúde Stella Maris foi procurada e encaminhou uma nota oficial sobre o caso, explicando que logo que teve ciência do ocorrido, tomou todas as medidas necessárias  para regularizar a situação. O hospital informou ainda que instaurou uma sindicância interna para apurar o fato.

Segundo informações, quem libera, identifica e fornece o atestado de óbito dos corpos após o falecimento na Santa Casa é a direção do hospital. As funerárias cuidam apenas do sepultamento.

 A Prefeitura de Caraguatatuba, por meio da Secretaria de Saúde, foi informada na terça-feira à noite sobre o ocorrido e solicitou a diretoria da Casa de Saúde Stella Maris a abertura imediata de sindicância para apurar o caso.

Segundo a prefeitura, a Vigilância Sanitária do município determina as unidades hospitalares e segue protocolos do Ministério da Saúde quanto aos corpos suspeitos ou confirmados pela Covid-19, como higienização, identificação por parte de um familiar devidamente paramentado, identificar o corpo com nome, número do prontuário, número do Cartão Nacional de Saúde (CNS), data de nascimento, nome da mãe e CPF, utilizando esparadrapo, com letras legíveis, fixado na região torácica, colocação do corpo em dois sacos com zíper e armazenamento na geladeira até a chegada da funerária.

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