Cidades Notícias

Velejadoras querem atravessar oceano Atlântico em barco tripulado só por mulheres

“Um coletivo de mulheres velejadoras, unidas por um barco e um sonho coletivo.” Essa é a descrição do Criloa, nome de um barco e também de um projeto de mulheres que velejam, movidas pelo vento e por sonhos grandiosos. Carina Joana, dona e moradora do veleiro Criloa, é quem une as mulheres desse coletivo, que já conta com diversas participantes, incluindo velejadoras do Litoral Norte de São Paulo. 

Em 2023, o veleiro Criloa completará 50 anos. As mulheres querem comemorar a data repetindo a trajetória que trouxe o barco até aqui: ele veio velejando da África pro Brasil em 1976 na regata Cape2Rio, comandado e tripulado por mulheres. Inspiradas por essa história, o objetivo do coletivo é participar da regata Cape2Rio 2023, competindo novamente com uma tripulação inteiramente feminina a bordo do Criloa.

As velejadoras estão se preparando para atravessar duas vezes o Oceano Atlântico. Para isso, criaram uma campanha de financiamento coletivo, em busca de patrocinadores para arcar com os equipamentos e treinamentos necessários. 

“Esse projeto precisa do apoio de empresas e de pessoas físicas para acontecer”, diz Carina, que destaca que o principal objetivo é incentivar a autonomia de mulheres a bordo de veleiros oceânicos. Com o Criloa, ela quer que mais mulheres possam enxergar o veleiro como um todo e sejam capazes de lidar com os desafios que uma embarcação desse tipo propõe. 

Gabriela Costa, de São Sebastião, se uniu ao Criloa após conhecer Carina em uma regata em Ilhabela. “Um veleiro comandado e tripulado por mulheres com um projeto grande é bem raro. Nosso objetivo é trazer mais mulheres pro universo da vela”, ressalta.

Ela destaca a importância do Litoral Norte paulista para os velejadores e lembra que Ilhabela recebeu em 2011 o título de Capital Nacional da Vela (Lei 12.457/2011). A cidade sedia importantes competições do esporte náutico. Além disso, Gabriela conta que começou a velejar com 14 anos pela Escola de Vela de São Sebastião. 

Outra velejadora da região que se uniu ao Criloa é Lucimara Marcelino, de Ubatuba. Ela mora em um veleiro chamado Manga Rosa, ancorado no Saco da Ribeira, região sul do município. “Esse ambiente da vela é muito masculino ainda, a maioria das pessoas que participam são homens, e se compararmos o número de pessoas no comando dos barcos, é ainda maior o número de homens. Por conta disso, quando a gente encontra outras mulheres, a gente se aproxima muito”, afirma. 

Até 2023, as velejadoras planejam participar de algumas competições no litoral brasileiro com o objetivo de dar mais visibilidade ao projeto Criloa, além de treinar a tripulação e seu entrosamento a bordo. Um exemplo é a regata Rio-Santos que começa no próximo dia 22 de outubro, num percurso que pode durar até 4 dias, dependendo do vento. “Vai ser um treinamento muito importante pra gente, tanto enquanto tripulação quanto para aperfeiçoar o conhecimento sobre o barco”, avalia Lucimara.

Para apoiar, acesse: https://apoia.se/voa_criloa