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Desafio feminino no mar de Ubatuba

Kiany. (Foto: Vanessa Ferreira)

O mar tem mesmo seus encantamentos. Algumas pessoas esperam meses para estar mergulhadas em suas águas refrescantes e revigorantes. Principalmente nas águas de Ubatuba – Litoral Norte de São Paulo, lugar de mar com temperatura amena e picos de surf que atraem pessoas e famílias de todo o Brasil e do mundo. Praias para todos os gostos e todas as idades.

Mas nem só de beleza e prazer vive o mar. Existem perigos de acidentes graves e até morte. Por isso a Praia Grande, uma das principais praias de Ubatuba, contam com seus preciosos e atentos Guarda-Vidas. Como todo mês de março é o mês da mulher, estamos com os olhos focados nelas e quando falamos de segurança no mar, destacamos as mulheres Guarda-vidas.

Hoje as mulheres incrementam sensibilidade feminina ao mundo militar. Como Guarda-vidas neste verão, mostram sua coragem, persistência e autoconfiança. Valores que a atividade traz. Mesmo com equipe majoritariamente masculina, elas não se intimidam.

Ao passar na Praia Grande em Ubatuba, você poderá ver mulheres com apitos, fardadas, vigilantes atentas em trazer segurança à população de banhistas que eufóricos se divertem na água. Simpáticas e prontas a prevenir e ajudar, estão se tornando referência para uma sociedade em claras mudanças.

O Corpo de Bombeiros, instituição que zela por sua missão em preservar a vida, abre espaço e oportunidades para mulheres que amam o mar e se identificam no serviço de Guarda-Vidas. O público da praia gosta. As crianças com os olhos brilhantes observam e as meninas admiram com muita identificação. A mão de obra feminina como Guarda Vidas ganha cada vez mais a confiança do público.

Kiany e Stephanie são duas mulheres que fazem parte do quadro de Guarda-Vidas temporário no verão deste ano de 2021.

Kiany, Ubatubana e surfista profissional, já vivenciou 4 vezes a experiência de Guarda-Vidas. Apaixonada pelo mar desde a infância, não teve como fugir do surf, esporte que faz o seu coração bater mais forte. Ser Guarda-Vidas a faz crescer e não consegue imaginar trabalho diferente, pois está onde ama: perto do mar. Declara, cheia de expectativa com o futuro.

Kiany. (Foto: Vanessa Ferreira)

“Muitos ficam surpresos em ver mulheres nesta profissão. Eles são receptivos e gostam, porém não todos. Eu sou bem conhecida em Ubatuba como atleta do surf e ao trabalhar como Guarda-Vidas, muitos param para conversar e tirar fotos. Isso me deixa muito feliz. Me sinto respeitada por todos dentro do meu trabalho”, diz Kiany com orgulho.

Stephanie, tem o mar como parte fundamental de sua vida. É onde se sente inteira. De Jundiaí, se encantou com Ubatuba e sua qualidade de vida. Resolveu tornar-se Guarda-Vidas ao juntar tudo que ama e somar à possibilidade de cuidar do outro. Transmitir conhecimento, zelar pela vida do próximo é para ela muito gratificante.

Stephanie. (Foto: Vanessa Ferreira)

Admiradora das mulheres que a antecederam, da luta e obstáculos ultrapassados que permitiram a ela e todas as outras estarem ali, na areia, exercendo um trabalho com esforço físico intenso, muito esporte, força, garra e inteligência.

“Estarmos na areia, mostra para as crianças e mulheres que a gente pode fazer, fazemos igual e até podemos fazer melhor. Hoje o público é bem receptivo e nos admira. Ainda existe uma relutância por parte de alguns homens. Eu, como mulher, quando apito para eles, são bem resistentes”, protesta.

“Como Guarda-Vidas me sinto completa. Um trabalho que me deixa grata por ter mudado o dia de alguém, de alguma família que poderia ter tido desfechos tristes ou fatais. Ou simplesmente por ter dado mais informação para os que não conhecem o mar”, afirma Stephanie satisfeita.

Stephanie. (Foto: Vanessa Ferreira)

Um trabalho que exige técnica, força e muita coragem. As mulheres seguem rompendo barreiras e cada vez mais se fazem presentes em papéis antes exclusivos do homem. Uma cultura que vem sendo modificada.

Neste mês da mulher, temos que fortalecer nossa atenção à luta feminina por respeito, fim dos preconceitos e igualdade de direitos porque a sociedade segue evoluindo e com ela, todos nós.

O importante é olhar para o futuro e que a discriminação que antes existia, seja apenas uma lembrança de algo triste do passado. Independentemente de ser homem ou mulher, não é fácil vestir o uniforme de Guarda-Vidas. E são essas mulheres exemplos fundamentais para o empoderamento de um sexo que pode ser tudo, menos frágil.

*Texto: Vanessa Ferreira