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Moradora registra tartaruga-verde na areia da praia de Barequeçaba

Foto: Vânia D’angelo

Na manhã desta quarta-feira (09), a moradora de São Sebastião, Vânia D’angelo, registrou uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) na areia da praia de Barequeçaba, em São Sebastião (SP), indo em direção ao mar.

“Eu tinha acabado de chegar à praia para fazer uma caminhada. Quando eu estava passando naquele trecho eu a vi voltando para o mar. Havia umas quatro ou cinco pessoas observando e ela estava voltando pro mar. Aí eu parei para fazer fotos e vídeos. Foi o que eu presenciei”, contou D’angelo.

O fato do animal marinho ter sido visto na areia gerou muitas dúvidas entre as pessoas que estavam no local. O que poderia explicar esse comportamento?

O portal Tamoios News procurou o biólogo Henrique Becker, da Fundação Projeto Tamar de Ubatuba, que analisou as imagens e esclareceu alguns pontos.

Becker descartou a hipótese levantada por algumas pessoas de que a tartaruga teria saído do mar para desovar. “Não se trata de um indivíduo adulto. É um juvenil da tartaruga-verde (Chelonia mydas), de tamanho semelhante ao que costumamos ver aqui no litoral norte. Certamente não estava desovando, sem dúvida alguma”, explicou.

Ele disse que pelas imagens, aparenta ser um animal sadio e que é difícil saber como e por qual motivo a tartaruga estava na areia. “Elas não saem da água assim por vontade própria. Somente as fêmeas adultas, em áreas e épocas de desova! Às vezes juvenis podem ficar presas em poças de marés nas costeiras, ou em barras de rios, por conta da variação de marés”, afirmou.

O biólogo disse que já soube de casos em diversas cidades litorâneas em que pessoas retiraram tartarugas da água para fazer selfies. Não há evidências de que tenha sido esse o caso da tartaruga registrada hoje, porém é sempre importante reforçar que molestar animais silvestres é crime previsto no artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).

De acordo com essa legislação, “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente” é considerado crime. Além disso, conforme explicou o biólogo, existe também o risco de acidentes durante o manuseio dos bichos, e riscos de contaminação com agentes infecciosos diversos.

*Texto: Renata Takahashi/ Tamoios News