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Moradores criticam obra da nova feira em frente à praia de Iperoig em Ubatuba

Foto: Paulo Barbosa

Um grupo de moradores de Ubatuba realizou nesta quinta-feira (17) um ato público na Praça de Eventos, localizada na orla da praia de Iperoig, na região central de Ubatuba (SP), exibindo cartazes com as frases “A praça é do povo”, “Aqui não” e “Vista livre”. A estrutura controversa que está sendo erguida será a nova feira de artesanato e faz parte do projeto de reurbanização da Avenida Iperoig. De acordo com os técnicos da secretaria de Arquitetura e Urbanismo, a cobertura da estrutura tem 82 por 22 metros. A parte mais alta tem 10 metros.

Foto: Paulo Barbosa

A geógrafa Telma Homem de Mello faz parte do grupo “A Orla é Nossa” e organizou o ato realizado ontem. “Inicialmente, elaboramos uma Representação Coletiva com a assinatura de 281 moradores, que foi encaminhada ao Ministério Público em agosto. Como as obras estão a todo vapor, percebi que precisávamos mobilizar as pessoas e chamar a atenção para o que está acontecendo com a nossa orla. Daí surgiu a ideia desse ato”, conta.

Segundo Mello, todos foram de máscara, mantiveram um distanciamento seguro e o movimento foi totalmente pacífico. “Acho que a imagem daquela estrutura metálica em contraste com o mar no fundo chocou muita gente. As pessoas perceberam que é real o que está acontecendo e que alguma coisa tem que ser feita para conter essa aberração”, opina. Ela também argumenta que a construção de edificação permanente em local nobre na orla da praia fere a legislação socioambiental que regulamenta o uso e a ocupação da área terrestre da orla marítima, destinada ao uso comum da população.

Foto: Paulo Barbosa

A prefeitura informou que os boxes internos serão custeados pelos próprios comerciantes e não haverá abertura de mais vagas para instalação de novos permissionários, o que também é alvo de críticas por parte de Mello: “A transferência da ‘feirinha hippie’ para esse local e o acordo com os comerciantes, que dividirão os custos com a municipalidade custeando a construção de seus espaços fere a lei, pois se cria um vínculo de posse do espaço público, legitimamente pertencente a todos os munícipes. Nenhum setor da sociedade ou cidadão tem direito de posse sobre qualquer área pública.”

Vídeo: Newton Chera

O arquiteto Ricardo Viggiani esteve presente apoiando o ato ontem. Ele diz que é a favor da mudança da feira de artesanato, mas considera que o local escolhido foi inapropriado. Um exemplo seria o impacto paisagístico, já que a estrutura é grande e vai tirar a vista da orla. “Na minha opinião está ficando muito feio”, destaca.

O arquiteto também questiona a forma como a obra está sendo feita, segundo ele sem consulta à população. A prefeitura afirma que o projeto da Feira foi apresentado aos beneficiários em junho de 2019, mas não informou se houve apresentação aberta ao público em geral.

A obra também não está agradando o arquiteto Renato Nunes. “Por lei, a orla deve ser preservada em benefício da cidade. A feira de artesanato é críticada há anos por não comercializar verdadeiramente artesanatos. Não se pode utilizar um falso argumento social de proteger algumas famílias em detrimento de toda a população”, argumenta. Na opinião dele, a visão urbanística que está sendo imposta em Ubatuba desrespeita a história e a cultura da cidade.

Banner divulgado pela Prefeitura de Ubatuba.

Procurada pelo Portal Tamoios News, a prefeitura não quis comentar o ato dos  manifestantes, nem as críticas contidas em um abaixo-assinado online.

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*Texto: Renata Takahashi / Tamoios News

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