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Perigo para banhistas: Caravela-portuguesa é vista na praia de Barequeçaba

Foto: Vânia D'angelo

No início da tarde de terça-feira (19), a moradora de São Sebastião, Vânia D’angelo, registrou uma caravela-portuguesa (Physalia physalis) na praia de Barequeçaba. “Eu já vi outras vezes, mas pequena e morta. Viva e se mexendo eu nunca tinha visto. Me chamou a atenção o tamanho dela”, conta.

A presença do animal na praia serve de alerta, pois as caravelas-portuguesas representam perigo para os banhistas. É o que explica o biólogo e professor no Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP), Álvaro Migotto. 

“As caravelas-portuguesas são animais venenosos. O contato com partes do corpo da caravela, especialmente os tentáculos, causa dor muito forte, uma sensação parecida com queimadura”, esclarece o professor.

A dica do biólogo ao avistar uma caravela-portuguesa, seja na água ou na areia, é não chegar perto e não mexer no animal, para evitar acidentes. Mesmo que ela esteja na areia e aparente estar morta, ainda pode ser perigosa, pois seu veneno pode estar ativo. “Evite pisar e não toque, mantenha a distância”, recomenda. 

“Se houver suspeita da presença de caravelas, procure um salva-vidas ou pessoas do local para se informar se elas foram recentemente vistas nas proximidades. A existência do flutuador, que fica fora da água, permite a localização das caravelas quando se está num ponto acima da linha da água, num barco por exemplo.  Não entre na água se houver alguma suspeita da presença delas, e nunca tente chegar perto do flutuador, pois os longos tentáculos podem estar direcionados para o seu lado, dependendo da movimentação da água.”

Cada pessoa pode reagir de uma forma à toxina da caravela-portuguesa, conforme explica Migotto. “As reações variam de pessoa para pessoa. Quase sempre vai ser uma experiência muito dolorosa, que pode deixar marcas permanentes na pele atingida. Pode ocorrer vermelhidão, coceira e até falta de ar, e nesse caso a pessoa deve procurar assistência médica imediatamente.”

“No caso de um acidente, a pessoa deve sair imediatamente da água. Se perceber que há restos de tentáculos aderidos à pele, deve tentar removê-los com muito cuidado, com um palito ou a lâmina de uma faca, para evitar espalhar o veneno. Não lave com água doce, álcool ou qualquer outro líquido. Lave a região apenas com água do mar.”

Segundo o professor, as caravelas têm uma parte chamada de flutuador, que fica fora da água, e longos tentáculos, que quando estão relaxados e distendidos podem chegar a muitos metros de comprimento. Como esses tentáculos ficam debaixo d’água, o banhista não os enxerga. Então pode ocorrer um acidente ao tocá-los. 

As caravelas, do grupo dos cnidários, são organismos que estão nos oceanos e podem ser trazidas pelas correntes e pelo vento até a praia. Às vezes, condições meteorológicas e oceanográficas podem fazer com que elas se acumulem em determinados locais, então  pode acontecer de ter a ocorrência de muitas numa mesma enseada ou praia. “O nome caravela-portuguesa é muito apropriado, porque aquele flutuador faz o papel da vela em um barco: quando bate o vento, ela é carregada, é levada passivamente, como um barco à vela”, explica Migotto.

Para quem quiser saber mais, o professor recomenda a leitura do artigo “Caravelas nas praias brasileiras – verão 2019/2020” e do folheto “Animais marinhos perigosos: prevenção de acidentes e primeiros cuidados“.

*Texto: Renata Takahashi/Tamoios News