Porto São Sebastião

São Sebastião vai sediar a 1ª Capacitação em Boas Práticas e Bem-estar Animal no Transporte Marítimo

Gado embarcando no navio. Foto: BrasilAgro. Reprodução

O Ministério da Agricultura, em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Marinha do Brasil e Prefeitura de São Sebastião, irá realizar de 16 a 20 de setembro, em São Sebastião, a 1ª Capacitação em Boas Práticas e Bem-estar Animal no Transporte Marítimo de Animais Vivos.

O evento ocorrerá no Teatro Municipal da cidade, das 8h30 às 18 horas. As inscrições gratuitas podem ser feitas até o dia 10 de setembro, pelo e-mail comissao.bea@agricultura.gov.br.

O Brasil  é um dos maiores exportadores de gado vivo do mundo. Em 2018, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, foram exportadas 810 mil cabeças de bovinos, um crescimento de 102,2% a mais comparado com 2017.

O Brasil bateu o recorde na exportação de cargas vivas no ano passado. Os países importadores foram Egito, Turquia, Jordânia, Iraque e Líbano. O porto de São Sebastião vem se transformando em referência neste tipo de exportação.

As exportações de bovinos vivos crescem a cada ano. Em 2016 teriam sido embarcados 46 mil animais; em 2017, 51 mil animais; e, no ano passado, teriam sido embarcados 150 mil animais.

A Companhia Docas de São Sebastião esclarece que o embarque de animais bovinos vivos é realizado em conformidade com as normas e procedimentos estabelecidos pelo Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). O órgão acompanha e fiscaliza todo o processo desde a quarentena do gado na fazenda, o transporte rodoviário e o embarque.

Segundo ongs contrárias a este tipo de atividade, a exportação de animais vivos por São Sebastião, beneficia uma minoria de empresários, mas causas impactos negativos para São Sebastião e o turismo da região.

“A crueldade com os animais é muito grande. Viajam por 12 horas de caminhão, sob sol e chuva, sem beber ou comer e ainda passam 15 dias no navio até chegarem ao destino para serem abatidos para consumo. Isso vem sendo combatido no mundo todo”,  alega João Carlos Pereira Júnior, do Coletivo Ação Carga Viva.

Estudos

O Tamoios News encontrou um estudo de setembro de 2017, feito pela auditora fiscal federal agropecuária Mirela Eidt, da Coordenação de Boas Práticas e Bem-Estar Animal do Mapa(Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento), sobre o transporte marítimo de animais vivos do Brasil para o exterior.

 

O estudo indicou quatro grandes desafios: a implantação de um relatório de bordo, com o registro de todas as ocorrências durante as viagens; o estabelecimento de critérios de construção dos embarcadouros – respeitando itens como a inclinação correta das rampas de embarque, piso antiderrapante e laterais dos bretes fechadas; a retirada do mercado brasileiro dos navios sucateados; e o treinamento de todas as pessoas envolvidas.

Navio Adelta que transporta cargas vivas

Esses foram alguns dos assuntos abordados durante a segunda reunião técnica sobre boas práticas no transporte marítimo de animais vivos, promovida pelo Mapa no fim de agosto de 2017, em Belém, no Pará. Participaram do encontro, representantes de todos os segmentos – público e privado – envolvidos com a atividade.

Na ocasião, avaliação da veterinária, constatou que a certificação dos navios era um dos principais problemas, porque parte da frota era muito antiga e foi adaptada de outras finalidades (graneleiros, por exemplo). Outra dificuldade era o registro do que ocorre a bordo durante as viagens.

Apurou-se que, os animais viajavam em baias que eram ocupadas de acordo com o seu tamanho e peso. Em média, uma viagem em águas internacionais dura 21 dias, mas pode se estender por até 30 dias. A duração depende do destino, da potência do motor do navio e das condições do mar.

Antes de serem embarcados, os animais ficam nos Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPE) por um tempo mínimo de 24 horas, conforme o protocolo sanitário existente com o país importador. Nas EPEs deve haver estruturas que facilitem a coleta de provas laboratoriais. Nelas, os animais são avaliados, tratados e vacinados, como exigido pelo serviço veterinário oficial.