Manifestação Tamoios

Caraguá quer laudo por auditoria externa para saber a real situação de segurança da Tamoios

Empresários e comerciantes de Caraguá promovem, nesta segunda(22), uma manifestação contra as constantes interdições do trecho de serra da Tamoios. O ato, organizado pelas associações do Comércio, da Hotelaria e dos Quiosques, conta com apoio da prefeitura e da Câmara. As autoridades e o comercio cobram a elaboração de um laudo, feito por uma auditoria externa, para esclarecer as reais condições de segurança da estrada

Por Salim Burihan

Empresários e comerciantes do comércio e do setor de turismo de Caraguatatuba promovem nesta segunda, às 10 horas, uma manifestação pacífica, sem interrupção de tráfego, no Km 81 da Rodovia dos Tamoios, nesta segunda(22).

O protesto é contra as constantes interdições ocorridas na rodovia, que é a principal ligação entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte, nos períodos de chuvas. Este ano, a rodovia foi interditada por cinco vezes, devido aos elevados índices de chuva no trecho de serra.

Segundo empresários e hoteleiros, as interdições tem prejudicado muito o turismo e o movimento comercial. “Notamos que as interdições deixa o turistas inseguro, com receio de viajar para o Litoral Norte, pois a qualquer chuvas mais intensa a estrada é fechada”, comentou o presidente da Associação Comercial de Caraguá, Sávio Luiz dos Santos.

As constantes interrupções de tráfego no trecho de serra da rodovia desde novembro, nos dias chuvosos, têm causado prejuízos aos empresários, como cancelamentos de pacotes de hospedagens e atrasos na entrega de mercadorias. Segundo o presidente da associação comercial, a queda no movimento turístico no carnaval foi de mais de 30%, causada pelo receio dos turistas em viajar pela Tamoios.

Reunidos na última quinta(18) na associação comercial, com o prefeito Aguilar Júnior; com presidente da Câmara, Francisco Carlos Marcelino; e, representantes da Dersa, os comerciantes definiram as principais reivindicações que serão feitas na manifestação: adoção de medidas preventivas e definitivas para evitar e solucionar os deslizamentos; adoção de plano de contingência e realização de laudo por auditoria externa para que se constate a real situação de segurança da rodovia; devolução integral do valor do pedágio em eventuais interrupções de tráfego; e informações transparentes e adequadas a toda população.

Manifestação

Os organizadores da manifestação garantem que as pistas não serão obstruídas durante o protesto. “Não haverá prejuízos ao tráfego. Vamos apenas levar cartazes e faixas cobrando da concessionária, da dersa e da Artesp, ações para agilizar as obras e evitar as interdições”, disse Sávio.

“A manifestação será pacífica, sem interdição da rodovia.  Além desse protesto, também, iremos marcar uma reunião com representantes do estado para que seja esclarecido as reais condições da estrada e a previsão da conclusão de suas obras”, afirmou o prefeito Aguilar Júnior.

“É importante ter essa interlocução com o Governo do Estado, gostaria que a ARTESP e a Concessionária Tamoios estivessem presentes na reunião de quinta. Na próxima semana estarei em São Paulo e após a manifestação do dia 22, nós podemos ir até a Casa Civil”, se comprometeu.

“Já protocolamos na Dersa pedidos de suspensão da cobrança nas praças de pedágio em quanto as obras não sejam concluídas e esclarecimentos detalhados sobre o andamento das obras, inclusive, as dos contornos Norte e Sul, paralisadas desde o ano passado”, disse o presidente da Câmara, Francisco Carlos Marcelino, o “Carlinhos da Farmácia”.

Concessionária

Com relação a manifestação desta segunda(22),  a Concessionária Tamoios, que administra a rodovia, informou que tem estado à disposição dos comerciantes de Caraguatatuba, através de contatos com a Associação Comercial e Empresarial de Caraguatatuba – ACE, prefeitura, imprensa e demais Partes Interessadas.

Segundo a concessionária, representantes da empresa estiveram na sede da ACE em março para prestar esclarecimentos para munícipes, representando 70% do comércio da região, sobre as razões dos deslizamentos, as obras de prevenção, as obras de correção e sobre o andamento das obras de duplicação da Serra.

A concessionária afirmou ainda que as atitudes de precaução e prevenção valorizando a vida são prioridades da Tamoios,  lembrando que esse ano já choveu 1.217 milímetros, contra 694 milímetros de média histórica, causando danos para a rodovia e para toda a região, inclusive Caraguatatuba.

Interdições

O monitoramento é feito utilizando-se da correlação entre chuva acumulada versus probabilidade de escorregamento, onde as Estações Meteorológicas online, fornecem os índices pluviométricos e engenheiros, geólogos e técnicos acompanham visualmente e por câmeras as encostas.

Estudos realizados demostram que à partir de 60 mm de chuvas acumuladas no período de 72 horas, há risco (baixo) de deslizamento de barreiras. E com chuvas acumulados em 100 mm, há alto risco de deslizamentos. Por motivo de segurança daqueles que trafegam na rodovia, o trecho de Serra é fechado quando os níveis atingem 100 mm num período de 72 horas. 

Obras

 

Iniciadas em dezembro de 2015, as obras de duplicação do trecho de Serra da Rodovia dos Tamoios atingiram a marca de 51,13% de conclusão no final de janeiro/2019. Para a implantação da nova pista, que atenderá ao fluxo de subida da Serra, foi implantado um robusto projeto de obras.

São cerca de 22 km de novas pistas, compostas por oito viadutos, uma ponte, dois retornos e quatro túneis que, juntos, totalizam 12,8 km de extensão. Essa combinação representa cerca de 72% do total da obra, preservando ao máximo a Mata Atlântica e a diversidade ecológica da região.

O túnel 2, que terá 700 m de extensão, apresenta 99,7% de conclusão, com 698,5 metros escavados. O túnel 5, que terá 3,6 quilômetros de extensão, está com 97,8% das escavações concluídas. Dos 12,8 km totais de escavação, 46% já foram concluídos.

Na atual fase de construção do viaduto 3, está sendo utilizado o Cable Crane, teleférico de carga que pode transportar até 20 toneladas entre equipamentos e trabalhadores, vencendo a distância de 394 metros entre as duas torres.

O equipamento austríaco foi montado com a ajuda de um helicóptero de carga, evitando a construção de caminhos de serviços, preservando 41.000 m² de Mata Atlântica Nativa, o equivalente a 5 campos de futebol.

É a primeira vez que essa metodologia está sendo empregada no Brasil e o projeto recebeu o prêmio Eco de Sustentabilidade da Câmara de Comércio Americana e Jornal O Estado de SP.

 

 

 

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