Cidades Ubatuba

Pela primeira vez, guaranis concluem ensino médio na própria aldeia em Ubatuba

Oito jovens da etnia Guarani participaram na última quinta-feira(12), da primeira formatura de alunos que cursaram o ensino médio dentro da própria aldeia, na Escola Estadual Indígena Aldeia Boa Vista, em Ubatuba.

O ensino médio na aldeia foi uma conquista das lideranças guaranis, que contou com o apoio do Ministério Público e do governo do Estado.

Antes, os índios terminavam o ensino fundamental e tinham que se deslocar até o centro da cidade para fazer o ensino médio. Muitos abandonavam os estudos devido as dificuldades que enfrentavam.

A aldeia, localizada na região norte de cidade,  fica a 20 quilômetros do centro de Ubatuba e a 2,5 quilômetros da praia do Prumirim.

Para as lideranças guaranis, a realização do ensino médio na própria aldeia é uma grande conquista para o povo indígena.

“Antes, ao concluir o ensino fundamental, nossos alunos tinham que se deslocar para a cidade, enfrentando muitos obstáculos como chuva, frio, preconceitos variados, além das dificuldades de acesso como descer e subir a estrada todos os dias, pegar o ônibus até o Centro e retornar. Nossas jovens ainda enfrentavam o assédio de rapazes não-indígenas. Tudo isso acabava resultando em evasão escolar”, explicou Marcos Tupã.

A comunidade viu então a necessidade de ter o ensino médio na própria aldeia e, para isso, junto ao Ministério Público, buscou o entendimento com a diretoria e a supervisão de ensino de Caraguatatuba, que encontrou também professores que aceitaram o desafio de ministrar aulas na aldeia.

“Foi um processo de conquistas para nós. Primeiro conseguimos a unidade escolar e, depois, há três anos, a formação em ensino médio. Para nós é um motivo de orgulho muito grande, é a primeira vez na história da unidade de nossa aldeia. É mais uma etapa concluída para nossos alunos e agora os incentivamos para outros desafios, como fazer o curso vestibular, o Enem ou ter uma possibilidade de escolher como continuar, além de fortalecê-los”, acrescentou Marcos.

O ensino médio na aldeia permitiu a preservação da cultura e dos modos tradicionais de vida guarani e, ao mesmo tempo, o aprendizado sobre as transformações que ocorrem no mundo fora da aldeia. “Em um mundo globalizado, no século 21, as coisas da cidade são muito aceleradas e, mesmo estando na Aldeia, precisamos acompanhar para compreender os processos que ocorrem lá fora”, finalizou Marcos Tupã.

Por tudo isso, a festa de formatura ocorrida na quinta(12) foi muito especial para os guaranis. A mesa de cerimônia foi composta por lideranças indígenas, entre eles o cacique Altino dos Santos Wera Mirim e Marcos Tupã, bem como professores, supervisores de ensino do Estado de São Paulo, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), além da secretária de Educação de Ubatuba, Pollyana Gama.

Aldeia

Indígenas da aldeia Boa Vista

Cerca de 43 famílias vivem na aldeia da Boa Vista.  É uma aldeia que chama a atenção por integrar modernas tecnologias como placas de luz solar e casas de alvenaria junto a casas tradicionais de pau-a-pique. O local conta com um posto de saúde e uma escola, onde as crianças aprendem a preservar a cultura guarani e fazerem o ensino fundamental e médio.

O turismo comunitário é uma das principais fontes de renda e tem como destaques a casa de reza, o coral guarani e a casa de artesanato, que expõe peças variadas, desde colares e chocalhos até espadas e arco e flechas. A aldeia conta também com um orquidário com dezenas de espécies e é uma das atrações mais procuradas por quem visita.

Artesanato em cestaria é um dos mais lindos da região. Foto: Ecotuba

Para os Guarani, no entanto, atração mesmo é o belo rio que integra a área, onde os mais velhos pescam e as crianças brincam nas estações mais quentes.

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