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Turismo “fora da rota” ganha cada vez mais adeptos no Litoral Norte

Rio que corta quilombo em Ubatuba., Fotos: reprodução Agência Plana

O Litoral Norte possui muitas atrações e passeios fora da rota turística tradicional. São opções bem legais para aqueles que não querem apenas “ficar na praia, debaixo do sol e tomando uma e outras”. Conheça duas opções interessantes de passeios na região

Por Salim Burihan

O Litoral Norte possui muito mais a oferecer aos seus visitantes do que apenas praias maravilhosas, shows, artesanato e gastronomia diversificada.

Fora da rota tradicional do turismo surgem opções das mais interessantes para as pessoas que querem visitar a região.

São passeios alternativos interessantes explorados por associações locais, às vezes, em parceria com agências de turismo.

As opções são muitas, mas vamos destacar duas delas. Em Ubatuba, a visita ao Quilombo da Praia da Fazenda; e, em Caraguá, um passeio que mostra como é uma fazenda de Mexilhão.

Ubatuba

Turistas no quilombo de Ubatuba. Fotos: reprodução Agência Plana

A comunidade do Quilombo da Fazenda em parceria com a agência de Turismo Plana, da capital, promovem tours com o objetivo de conectar os viajantes com a ancestral cultura quilombola.

Criada em 2017 pelas empreendedoras sociais Liliane Jacintho e Samanta Mazzolini, a Plana é uma agência com foco em turismo de experiência. O objetivo é fomentar a valorização cultural e a geração de renda nas comunidades tradicionais por meio do turismo de experiência.

A primeira vivência cultural da Plana no Litoral Norte em 2020 acontece neste fim de semana. “A viagem tem por objetivo promover um espaço de aproximação, troca e conexões entre os viajantes e a comunidade local”, destaca Liliane Jacintho, empreendedora social e sócia da Plana.

Quilombo

Lojinha de artesanato do quilombo

A Comunidade Remanescente do Quilombo da Fazenda, reconhecida pela Fundação Palmares desde 2005 e atualmente em processo pela titulação do território, é formada por cerca de 50 famílias descendentes de africanos escravizados, que hoje carregam consigo toda herança cultural e histórica, preservando saberes tradicionais que serão compartilhados com os viajantes durante o final de semana.

A Vivência Histórias do Quilombo é a 14ª realizada pela agência de turismo de experiência Plana. “Será uma viagem especial, bem direcionada às histórias do quilombo. O intuito é promover interação entre o viajante e a comunidade a partir do diálogo e estimular a valorização da oralidade na preservação cultural”, ressalta Samanta Mazzolini, empreendedora social e sócia da Plana.

Programação

A programação é composta por rodas de conversa com duas lideranças da comunidade quilombola:  o Seu Zé Pedro e a Dona Laura, em um momento singular para aprender sobre uma história que não é contada na escola e que abarca a vida em comunidade antes e depois da criação do Parque Estadual. Durante o encontro, os participantes podem ouvir muitos causos e contos, reforçando a importância da valorização da oralidade para a preservação cultural.

Acontece também uma oficina de artesanato, ocasião para entender o contexto e a importância da arte dentro da comunidade. Nessa atividade, os viajantes podem colocar a mão na massa e produzir uma peça artesanal sob a orientação de um monitor local.

Como a vivência acontece no meio da Mata Atlântica, na Serra do Mar, uma bela trilha faz parte da programação, com direito a banho de cachoeira ao final! A Trilha do Jatobá é uma excelente oportunidade para apreciar a natureza e aprender sobre a íntima relação de interdependência dos quilombolas e a floresta.

E claro, na vivência não pode faltar música e dança! Os participantes entram na roda junto com o “Grupo Ô de Casa” ao som dos tambores do Jongo, uma manifestação cultural tradicional e muito representativa herdada dos ancestrais africanos.

RODA DE JONGO, uma dança de roda de origem africana do tipo batuque ou samba, com acompanhamento de tambores, cantigas e umbigada, no Quilombo da Fazenda,

Além das trocas de experiências e sentimentos que permeiam toda a vivência, há também os sabores, já que a alimentação é uma manifestação da cultura, de respeito e de cuidado com o outro. Os viajantes podem provar deliciosos pratos tradicionais da cultura quilombola e caiçara, tudo incluído no valor da vivência.

Turismo de Experiência

Em dois anos de atuação, a Plana já promoveu uma série de vivências, rodas de conversa e debates sobre a importância da preservação e da valorização das comunidades tradicionais. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o turista do século 21 deseja “viajar para destinos onde mais do que visitar e contemplar seja possível também sentir, viver, emocionar-se e ser personagem de sua própria viagem”.

O objetivo das vivências é contribuir para a valorização e preservação da cultura local, além de promover o desenvolvimento de uma atividade econômica sustentável para a comunidade, proporcionando também aos viajantes a rica experiência de se conectar com novas pessoas, lugares e culturas. A Plana cobra uma taxa de R$ 450,00 para o passeio que dura em média três dias e incluí hospedagem, refeições completas e monitores para acompanhar as atividades programadas.

Caraguatatuba

Visita na fazenda de mexilhão da Cocanha. Fotos: PMC

Em Caraguatatuba, a Associação de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha (Amapec), receberam esta semana, das mãos do prefeito Aguilar Júnior,  o Alvará de Licença de Funcionamento do passeio de visitação na Fazenda de Mexilhão, na Praia da Cocanha, região Norte da cidade.

O Alvará de Turismo de Base Comunitária era uma reivindicação antiga dos maricultores do local, que agora poderão ter outra opção de renda, além da venda dos produtos.

Com a oficialização do passeio, a cidade ganha mais uma atração de turismo, que visa garantir preservação ambiental e a valorização da cultura caiçara local.

Passeio

A Fazenda de Mexilhão da Praia da Cocanha é considerada a maior do Estado e sua produção em uma área de 36 mil metros quadrados pode chegar a 160 toneladas/ano, se não houver nenhuma intercorrência.

Atualmente, o passeio já é realizado com estudantes do Instituto de Pesca de São Paulo e Instituto Federal de Caraguatatuba, como aula prática no curso de Aquicultura, criação de animais aquáticos com possibilidade de consumo.

A saída do passeio fica localizada na Amapec e dura em média, 1h30. Os visitantes poderão conhecer o dia a dia do funcionamento da Fazenda, desde o processo de reprodução do Mexilhão, as práticas de cultivo até o seu desenvolvimento para o tamanho comercial, além de toda técnica de limpeza, beneficiamento e preparação do produto para venda.

Além da produção do mexilhão, a Fazenda é uma fonte de biodiversidade, pois atrai outras espécies marinhas, como tartarugas, arraias, polvos e se der sorte, até boto e toda fauna incrustada como esponjas, corais, vieiras e microalgas, famosas no ramo de cosméticos.

Os visitantes do passeio e apreciadores da culinária, além de conhecer toda a criação, poderão escolher seu produto direto da fonte e adquirir ao final do passeio na Associação.

Segundo um dos associados da AMAPEC, José Luiz Alves, o compromisso da Prefeitura, em entregar o alvará mostra a preocupação com o trabalho do povo caiçara, pois na época da baixa produção, o passeio se torna uma alternativa de renda aos maricultores, que sobrevivem da venda do marisco.

Moradores e turistas interessados em conhecer o atrativo, podem procurar pela Associação na Avenida João Gonçalves Santana, 500 – Massaguaçu – Praia da Cocanha ou fazer o agendamento pelo telefone (12) 99767-2163.

 

 

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