Gente Litoral Norte

Jornalista Regina Helena alerta que é preciso preservar os caiçaras e o meio ambiente

Uma jornalista paulista, Regina Helena Paiva Ramos, se apaixonou pela costa sul sebastianense, onde durante muitos anos se dedicou a defesa das praias e do meio ambiente daquela região. Foi até secretaria de Meio Ambiente na prefeitura de São Sebastião. Foi uma “guerreira” na questão ambiental, assim como outros jornalistas, entre eles, Priscila Siqueira e Raquel Salgado. Regina sumiu da região. Descobrimos a jornalista em Portugal e fomos saber por qual motivo ela não apareceu mais por aqui

A jornalista Regina Helena Paiva Ramos está em Portugal. Foto: Arquivo Pessoal

Por Salim Burihan

A jornalista Regina Helena de Paiva Ramos frequentou a costa sul de São Sebastião por cerca de 50 anos. No começo, se hospedava em Barra do Una, no Iate Clube, depois, teve casa  em Juquehy, onde conviveu por cerca de 44 anos.

Regina chegou ao Litoral Norte, para se tratar de um câncer. Aos longo de cerca de 50 anos, se envolveu muito com a região, através de sua participação na Sociedade Amigos de Bairro de Juquehy e como secretária de Meio Ambiente da prefeitura de São Sebastião, na década de 90.

Foi uma das pioneiras na luta pela preservação das praias e do meio ambiente na costa sul. Há dois anos, vendeu a casa de Juquehy e retornou à capital. Não apareceu mais.

“A região foi a responsável por muita coisa boa para mim, inclusive, saúde. Era lá que eu ia abastecer minhas energias. Vendi a casa há dois anos por que estava acontecendo o contrário: ficava doente e muito angustiada por ver o que acontecia”, comentou.

Porque será que a jornalista e ambientalista resolveu deixar a região? A costa sul é uma das regiões mais belas e badaladas do litoral brasileiro.

“Esse litoral está acabando. Se vocês caiçaras e governantes não se mexerem vai tudo para o espaço. Prefeitos e vereadores, que por sinal só sabem dar nomes às ruas e levar pacientes aos hospitais, tem que se envolverem mais. Trabalhar pelas cidades”, disse.

Em tempos de ambientalista e ativista em sociedade de bairro fez o livro  “Cidadania pede passagem – a História das Sociedades de Amigos da Costa Sul de São Sebastião”, que teve prefácio de Daniel Fink, jovem e atuante Procurador de Justiça e professor de Direito Ambiental.

Regina conta que sempre se interessou muito pelos caiçaras. Ela escreveu um livro “Endiabrado Vento”, que destaca a linguagem do caiçara.

“Há muitos anos eu pesquisava e anotava termos do falar caiçara. Achei que se não escrevesse um livro sobre esse linguajar esse jeito de falar desapareceria. Não mais que umas vinte pessoas em Juquehy ainda falam assim. O livro acompanha algumas décadas da região. A destruição hoje é intensa. Sobra ainda alguma coisa do que a região era”, comentou ela.

Segundo Regina, alguns personagens têm a maneira de falar específica dos habitantes- caiçaras- do litoral norte de São Paulo.

“Esse falar característico está desaparecendo com a miscigenação entre caiçaras e migrantes de outras regiões do país”, alertou.

O livro “Endiabrado Vento”, segundo a jornalista, é uma história de amores tempestuosos, de usos e costumes regionais, de preconceitos e de tragédias ocorridos durante algumas décadas. O local é mostrado antes e depois da chegada do turismo, do progresso, depois da chegada da rodovia Rio-Santos, que trouxe, segundo entende ela, usos e costumes desconhecidos e absorvidos pelos moradores da costa sul sebastianense.

Regina está neste momento em Portugal. Adora escrever sobre receitas francesas, espanholas e portuguesas. Continua escrevendo, aliás, tudo indica, que Regina Helena de Paiva Ramos nasceu para isso…

Jornalista/Escritora

Regina Helena Paiva Ramos se formou em jornalismo pela Casper Líbero, em São Paulo.  Trabalhou em vários jornais, entre eles, A Gazeta e o Correio da Manhã. Trabalhou, também, nas revistas Manchete, Fatos e Fotos, Visão e Casa & Jardim.

Em televisão, trabalhou na antiga Excelsior (Globo) e Bandeirantes, onde por onze anos participou do programa Revista Feminina.

Como escritora, produziu oito livros, fora os onze que escreveu como ghost whiter da culinarista Ofélia Anuziato. Alguns de seus livros podem ser obtido através da eBook Kindle.

Também escreveu peças teatrais, uma delas, de muito sucesso: “Quem comeu o meu pernil?, encenada pela atriz Rosa Maria Murtinho, que ficou mais de dois anos e meio em cartaz nos principais teatros do país.

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