Geral Litoral Norte

O Verão da Lata

Com a crise econômica e a falta de empregos, apanhar latinha vazias nas praias, transformou-se em uma das opções de sobrevivência ou reforço da renda familiar para muitos moradores no Litoral Norte. A próxima temporada de verão deverá registrar um número recorde de pessoas recolhendo latinhas a beira mar. O interessante: a maioria dos catadores desconhece o que é feito com a lata de alumínio recolhida na praia

Por Salim Burihan

Recolher latinha nas praias vem sendo uma das principais alternativas de moradores do Litoral Norte para superar o desemprego ou complementar a renda familiar. Com a crise econômica e a falta de empregos, centenas de pessoas passaram a viver dessa atividade na região.

É difícil estipular quantas pessoas vivem deste tipo de coleta na região, mas uma pesquisa feita pela Associação Brasileira do Alumínio, em 2017, contatou que mais de 250 mil pessoas viviam da reciclagem no país.

No Litoral Norte, embora não exista um levantamento oficial pelas prefeituras, acredita-se que mais de duas mil famílias vivam desta atividade.

Em Caraguatatuba, a maior cidade da região, duas cooperativas e mais de 40 depósitos exploram a compra e revenda de latinhas. Estima-se que atualmente cerca de 800 a 1.000 pessoas coletam latas de alumínio nas praias da cidade, número que poderá crescer ainda mais na temporada de verão que se aproxima.

Geração de renda

Em Caraguá, muita gente recolhe latinha diariamente nas praias, mas a maioria prefere fazer a coleta nos fins de semana. O trabalho não é nada fácil. Exige longas caminhadas pela areia, debaixo de muito sol e forte calor.

O interessante é que a maioria das pessoas consultadas desconhece o que é feito com a latinha que recolhem. Eles não tem nem ideia de que o alumínio é reciclado e transformado novamente em latinha.

O pedreiro Donizete Pereira dos Santos, de 59 anos, recolhe latinhas nas praias Martim de Sá e Prainha há 15 anos. Ele tem a ajuda da mulher, dona Maria Celeste.

O casal Donizete e Maria Celeste passa cinco horas por dia apanhando latinhas nas praias

“Não está nada fácil. A construção civil está parada, faltam empregos e o jeito é recolher latinhas na praia para sobreviver”, contou.

O casal, que vive no Jaraguazinho, percorre 7 quilômetros até chegar à Martim de Sá.  Passam cinco horas coletando latinhas.

“Ajuda a gente a pagar as despesas. É um trabalho cansativo, mas a gente tem que continuar batalhando para viver”, afirmou. O casal chega a ganhar R$ 500,00 por mês com a venda das latinhas.

Donizete e dona Maria Celeste desconhecem o que acontece com a latinhas que recolhem nas areais. “Não tenho a mínima ideia para que serve, sei apenas que gera uma renda extra para a gente”, argumenta Donizete.

Daniel José, de 47 anos, morador do bairro do Olaria, percorre as praias nos fins de semana catando latinhas para complementar a renda da família.

Daniel reclama que cresceu muito a concorrência devido ao desemprego

Ele reclama que a concorrência cresceu muito desde o ano passado. “Sem emprego e sem oportunidade, muita gente decidiu catar latinha para sobreviver”, justificou.

Daniel conta que fatura cerca de R$ 50,00 por dia e que com o dinheiro paga as contas de água e luz e ainda compra presentes para os dois filhos pequenos.

José Mendonça Silva disse que começou a recolher latinhas há cerca de um mês. Ele trabalha em um condomínio e nas horas de folga percorre as praias.

José afirma que catar latinhas reforça a renda familiar

“As latinhas me garantem uma renda extra, cerca de R$ 50,00 por dia. É uma das opções que temos na cidade, além de vender sorvete, churrasquinho e óculos nas praias. O alumínio é mais valioso, compensa mais”, afirmou.

Intermediários

As pessoas que trabalham nas cooperativas de reciclagem não precisam apanhar as latinhas nas praias, as entidades recebem as latas de alumínio que são recolhidas pela coleta seletiva da prefeitura em casas de moradores e veranistas.

A Cooperativa Maranata, por exemplo, vende em média 800 quilos de latinha por mês.  O quilo é vendido por R$ 4,10. Existem mais de quarenta depósitos que vivem do comércio de latinhas na cidade, muitos deles, clandestinos.

Um dos depósitos mais antigos da cidade é a Reciclagem Planeta Azul, no bairro do Perequê-Mirim, que revende em média 2.000 quilos por mês. Na temporada de verão, o volume de latinhas triplica, segundo José Carlos Maciel, proprietário do comércio, um dos pioneiros da cidade na compra e revenda de latas de alumínio.

“Por causa da crise e do desemprego cresceu muito este tipo de atividade. Centenas de pessoas recolhem latinha nas praias para sobreviver”, disse Maciel.

A Reciclagem Planeta Azul compra a latinha de mais de 100 pessoas. Paga R$ 4,10 o quilo da lata.  Maciel disse que revende para atravessadores de fora da cidade por R$ 4,50 o quilo.

Segundo ele, os atravessadores revendem para a indústria Novelis, de Pindamonhangaba por R$ 4,70, o quilo.

“Não fazemos a revenda direta porque fica caro o frete e o gasto com o diesel. Preferimos repassar o produto aos intermediários”, explicou.

Maciel reclama que o preço estipulado pela indústria varia muito e que as fábricas estão produzindo latinhas cada vez mais leves.

Uma latinha vazia pesa em média 14,5 gramas. Um quilo tem em média 67 latinhas. A bebida começou a ser servida em lata de alumínio no Brasil em 1986.

Indústrias

A Abralatas – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio – apontou um crescimento de 8,5% nas vendas em 2018, um índice quatro vezes maior que o estimado pelos produtores de cerveja.

No ano passado, segundo a Abralatas, foram vendidas 26 bilhões de unidades vendidas pelos associados da Abralatas – Ardagh, Ball, CanPack Brasil e Crown Embalagens. Os números registram um recorde para o setor, com previsão de mais crescimento em 2019.

Atualmente, já estão instaladas no Brasil 18 fábrica de latas, com capacidade na casa de 31,5 bilhões de unidades ao ano, e quatro de tampas A Novelis Inc., líder mundial em laminados e reciclagem de alumínio, uma das indústrias que recebe as latinhas de alumínio recolhidas nas praias do Litoral Norte, está investindo R$ 650 milhões em sua unidade de chapas de alumínio, em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba.

O investimento aumentará a capacidade de produção de chapas de alumínio em 100 mil toneladas/ano e a capacidade de reciclagem em 60 mil toneladas/ano. Com a expansão, a fábrica passa a ter capacidade produtiva de aproximadamente 680 mil toneladas/ano e 450 mil toneladas/ano para reciclagem do metal.

Segundo a AbralatasO índice de reciclagem da lata de alumínio para bebidas no Brasil está bem próxima de 100%. Em 2015, o país reciclou 97,9% das embalagens comercializadas no ano. Esse resultado representava o reaproveitamento de 292,5 mil toneladas de latinhas descartadas, um crescimento de 1% sobre o volume reciclado em 2014.

O caminho da lata

As latinhas são as responsáveis pelo maior consumo de alumínio no Brasil – o equivalente a 37% do consumo total. Sua cadeia de reciclagem funciona em ciclo fechado onde uma lata consumida e descartada leva em média sessenta dias para voltar às prateleiras. Em território nacional, esse circuito chega a levar até mesmo 28 dias, o menor índice em todo mundo, segundo a Associação Brasileira do Alumínio(ABAL).

A latinha que você compra no supermercado e leva para tomar na praia e é recolhida pelas pessoas, depois vendida aos depósitos, que por sua vez repassam as indústrias, em menos de 60 dias estará novamente nas prateleiras dos supermercados ou nos bares e quiosques a beira mar.

De acordo com dados da ABAL, cerca de 250 mil pessoas participam da cadeia de reciclagem da latinha de alumínio no Brasil. Somente na etapa de coleta, R$ 947 milhões foram injetados na economia brasileira desde 2016.

Veja no vídeo produzido pela ReciclaBR o que acontece com a latinha:

As latinhas são as responsáveis pelo maior consumo de alumínio no Brasil – o equivalente a 37% do consumo total. Sua cadeia de reciclagem funciona em ciclo fechado onde uma lata consumida e descartada leva em média sessenta dias para voltar às prateleiras. Em território nacional, esse circuito chega a levar até mesmo 28 dias, o menor índice em todo mundo, segundo a Associação Brasileira do Alumínio(ABAL).

A latinha que você compra no supermercado e leva para tomar na praia e é recolhida pelas pessoas, depois vendida aos depósitos, que por sua vez repassam as indústrias, em menos de 60 dias estará novamente nas prateleiras dos supermercados ou nos bares e quiosques a beira mar.

De acordo com dados da ABAL, cerca de 250 mil pessoas participam da cadeia de reciclagem da latinha de alumínio no Brasil. Somente na etapa de coleta, R$ 947 milhões foram injetados na economia brasileira desde 2016.

A ABAL destaca a importância da atividade para a geração de emprego e renda aos catadores de materiais recicláveis. O alumínio tem alto valor de mercado para quem recolhe nas praias ou revende às indústrias.  O  o preço da sucata de alumínio custa 33 vezes o valor do plástico.

Um dos maiores benefícios da produção de alumínio secundário, oriundo da reciclagem, é que ele consome apenas 5% da energia elétrica utilizada para produzir o chamado alumínio primário, que é originado a partir do processo de transformação da bauxita e que demanda muita energia. Somente em 2017, o Brasil consumiu mais de um milhão de toneladas de alumínio, sendo que metade desta quantia,foi de sucata recuperada.

 

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