O Litoral Norte registrou, neste domingo(20), a primeira morte por raio em 2019. A última morte por raio registrada na região havia ocorrido em 2015, no dia 2 de fevereiro, o lavrador Flávio César Alves de Carvalho, de 44 anos, de Ubatuba, morreu atingido por um raio. Ele trabalhava em uma fazenda do bairro Monte Valério, em Ubatuba.
A primeira morte por raio este ano ocorreu na noite de domingo(20), em Ilhabela. Dois jovens, de Ilhabela, Vinicius e Felipe, estavam acampados no pico do Baepi, quando a barraca em que estavam foi atingida por um raio.
Um dos jovens ficou inconsciente e o outro, após apos recobrar a consciência, acionou os bombeiros pelo 193, por volta das 22h30 pedindo socorro. O resgate dos dois jovens foi bem difícil.
Segundo o tenente André Smidi, comandante dos bombeiros na ilha, uma equipe com sete homens fez o resgate dos dois jovens. Foi um resgate muito difícil devido ao local onde os jovens estavam. O pico Baepi tem cerca de 1.100 metros de altura e o acesso é feito por uma trilha que se encontrava muito encharcada e escorregadia devido as fortes chuvas que atingiram a ilha.
Os bombeiros levaram mais de duas horas para chegar ao local e encontraram o jovem Vinicius em estado de hipotermia e formigamento nos braços. O outro jovem, Felipe, infelizmente, havia falecido. Os bombeiros retiraram os jovens do local. Vinicius foi removido ao Pronto Socorro da ilha.
Segundo Smidi, em casos de acampamento, deve-se evitar lugares que ofereçam pouca ou nenhuma proteção contra rios, como descampados, praias, pico de morros. O comandante alertou também que nunca se deve abrigar debaixo de uma arvore isolada. Na sua residência, fique longe das tomadas e janelas metálicas e desligue os aparelhos eletro-eletrônicos da tomada.
Mortes
O ELAT está elaborando um novo estudo de mortes por raios. Será o mais abrangente já realizado por compreender dados de 18 anos. O estudo irá analisar o comportamento das mortes nas regiões brasileiras ao longo dos anos, bem como identificará novas tendências para o futuro. Os resultados serão comparados com estudo similar feito nos Estados Unidos. A divulgação acontecerá em março de 2019.
Segundo informou o ELAT a cidade de Ilhabela recebeu a descarga de cerca de 650 no domingo. Foi a primeira morte por raio registrada na ilha desde 2.000.
Aqui no Litoral Norte tem se registrado mortes por raio, principalmente, nos meses de verão, período em que a incidências de raios é maior na região. Em janeiro de 1998, a adolescente Natalie Cafaffo Domingues, de 12 anos, morreu após ser atingida por um raio na praia de Boracéia, a 60 quilômetros do centro de São Sebastião. Ela chegou a ser levada ao pronto-socorro de Bertioga (SP), mas chegou morta.
Em fevereiro de 2001, o surfista Victor Hugo de Souza, 14 anos, morreu após ter sido atingido por um raio, na praia de Itamambuca, costa norte de Ubatuba. O coordenador do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Osmar Pinto Júnior, contou na ocasião, que com relação à morte do surfista à beira mar, ele alerta que a água salgada é um potente condutor de eletricidade.
“Isso significa que as pessoas devem evitar o mar em casos de ocorrências de raios.” Segundo Pinto Júnior, se a ação do raio no solo é de cerca de 100 metros, quando ele atinge a água do mar sua atuação passa a ser de até 5 quilômetros. “A recomendação é que as pessoas se abriguem em carros e casas até o final da tempestade.”
Em janeiro de 2009, na Fazenda Serramar, em Caraguá, um raio atingiu dois trabalhadores da fazenda, durante um temporal. Otílio Pereira da Silva, de 55 anos, sobreviveu, mas seu colega Vanderley Oliveira, de 36 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu.
Em 2015, no dia 2 de fevereiro, o lavrador Flávio César Alves de Carvalho, de 44 anos, de Ubatuba, morreu atingido por um raio. Ele trabalhava em uma fazenda do bairro Monte Valério, em Ubatuba e foi atingido por uma descarga elétrica, quando caminhava no meio do mato. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte, com diversas queimaduras pelo corpo. O IML(Instituto Médico Legal) apurou que Flávio morreu devido a uma parada cardiorrespiratória causada por uma ação de agente físico eletrocussão.