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Primeira navegação no canal de São Sebastião

O portal Tamoios News está lançando uma nova seção no site chamada “Porto” onde serão publicados artigos de colunistas relacionados ao Porto de São Sebastião, além de fotografias mostrando o cotidiano e a paisagem do local. Iniciamos com o texto de Luiz Felipe Santana (Felipe Zangado) sobre a primeira navegação no canal de São Sebastião. 

Após a descoberta do Brasil, em 22 de abril de 1.500, tornava-se importante prosseguir as explorações da costa daquela que seria a nova colônia de Portugal. Assim, zarpa no dia 10 de maio de 1.501, do Rio Tejo, uma frota de três velas comandada pelo capitão Gonçalo Coelho, cuja missão é explorar e cartografar as costas marinhas brasileiras, recém descobertas.

Na referida frota estava embarcado um famoso cartografo da época, já conhecido pela Coroa Espanhola e que, nesse momento, trabalhava para a Coroa Portuguesa, um italiano de Florência chamado Américo Vespúcio, esse cartógrafo, tempos mais tarde serviria de inspiração para nomear o novo continente descoberto e conhecido àquele tempo como “Novo Mundo”, passando mais tarde a se chamar América, graças as suas viagens de reconhecimento ao litoral desse continente.

Rumo ao Brasil, toparam na altura das Ilhas do Cabo Verde com a frota de Cabral, retornando das Índias,  Gonçalo Coelho e sua frota com três navios continuou rumando ao poente, tocando as Costa Brasileira em 16 de agosto de 1.501, dia de São Roque, batizando pela primeira vez um ponto geográfico de nossa costa, o Cabo de São Roque hoje cidade de Maxaranguape, Litoral Norte do Estado do Rio Grande do Norte.

Desse ponto no nordeste do Brasil a esquadra desce nossa costa, batizando de tempos em tempos pontos geográficos do nosso relevo, dando a esses locais nomes com o Santo do dia, no calendário Católico da época.

Dessa jornada surgem no Mapa cartografado por Américo Vespúcio o Cabo de Santo Agostinho, em 28 de agosto de 1.501, o Rio São Francisco, Cabo de São Tomé, Rio de Janeiro em 1º de janeiro de 1.502, Angra dos Reis em 06 de janeiro de 1.502 e a Ilha de São Sebastião no dia 20 de janeiro de 1.502, até chegarem à baia de Cananéia ao fim da jornada, regressando à Portugal com o primeiro mapa cartográfico da Costa Brasileira.

Assim, os primeiros navegadores europeus conhecidos pela literatura, que passaram pelo Canal de São Sebastião, foi a tripulação comandada por Gonçalo Coelho tendo abordo de sua tripulação aquele que daria nome a esse continente, o navegador de Florência, Américo Vespúcio.

Parte importante dessa expedição foram os relatos das condições especiais e únicas da nossa região como área portuária, abrigada por uma cordilheira formada pelas montanhas da Ilha, duas entradas não estuarinas e com profundidade suficiente para qualquer calado, esses primeiros relatos trariam futuramente para o nosso litoral o Porto de São Sebastião e o maior Terminal de granéis líquidos do hemisfério sul.

O acidente geográfico batizado por esses navegadores católicos foi a Ilha, ela é quem leva o nome de São Sebastião em homenagem ao Santo do Dia no Calendário Católico de sua época, mas antes de ser batizada por nossos colonizadores, essa Ilha era frequentemente visitada por outros ilustres navegadores daquele tempo, o índios Tupinambás que a usavam como local de descanso e refúgio de suas batalhas contra os Tupiniquins que ficavam na região de Bertioga.

Àquele tempo essa brava tribo indígena conhecia a Ilha como “Meyembipe”, conforme relata Hans Staden, aventureiro Alemão, conhecido mercenário que trabalhava para os Portugueses no ano de 1.549 e que fora capturado pelos tupinambás durante uma caça solitária e mantido como troféu de guerra. Nove meses depois conseguiu fugir e voltar para a Europa onde escreveu seu livro de memórias chamado “Duas Viagens ao Brasil”.

Essa região da Ilha de São Sebastião nasce aos olhos europeus nessa expedição comandada por Gonçalo Coelho, no dia 20 de janeiro de 1.502 e em cuja tripulação trazia o ilustre Américo Vespúcio.

Mais tarde nossa região seria denominada como “Sesmaria de Santo Amaro” sendo entregue aos seus primeiros donatários Diogo de Unhate e João de Abreu no dia 26 de janeiro de 1.608, trazendo consigo Francisco Escobar Ortiz, João Dias e seus familiares, nossos primeiros habitantes e colonizadores dessas terras que posteriormente seria batizada em 16 de março de 1.636 como Villa de São Sebastião, desmembrando seu território do município de Santos a partir daí, surgindo dessa colonização a primeira comunidade caiçara da região.