Porto São Sebastião

Nova licença do porto deve ser concedida em abril pelo Ibama

Imagem Ilustrativa / Arquivo

O presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Vitor Costa, informou que o porto da cidade continua operando normalmente, enquanto aguarda a nova licença do Ibama(Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).

“Com relação a operação, podemos operar pois estamos atendendo as normas condicionantes do IBAMA e estamos prestando contas dos trabalhos que estão sendo realizados”, garantiu Costa.

A licença do porto venceu em agosto do ano passado. Costa explicou que em agosto foi feita uma licitação para a contratação de uma empresa para fazer o monitoramento ambiental do porto, conforme exigência feita pelo Ibama.

A empresa é responsável pelo monitoramento ambiental, pelas análises de solo, da água do mar, da Baia do Araçá e dos córregos e que esses relatórios devem ser concluídos em abril. Com essa documentação o Ibama concederá a nova licença para operação do porto de São Sebastião.

A empresa contratada, a DTA, segundo Costa, é uma das mais conceituadas do país e faz o mesmo trabalho no Porto de Santos. Os relatórios serão encaminhados ao Ibama, trimestralmente, contendo os possíveis impacto ambientais causados pelas operações do porto local.

Com uma experiência em mais de 30 anos no setor portuário, Costa avalia o porto de São Sebastião como um dos melhores do mundo. “Poderíamos fazer o ship to ship e a operação Offshore com os maiores navios do mundo, pois temos calado acima de 18 metros e a Ilhabela que é uma proteção natural. Outro fator muito do bom do nosso porto são as correntes marítimas que fazem uma dragagem natural”, contou Costa.

Segundo ele, a China tem um projeto de 54 bilhões de dólares lançado em 2013 para conectar o oeste da China com o oceano Índico, via Paquistão, no pequeno porto de Gwadar, somente em razão de suas águas profundas. “Isso nós temos em São Sebastião, com um custo insignificante”, destacou.

Segundo ele, não há necessidade de ampliar a área do porto para aumentar a sua produtividade. A área ocupada atualmente pelas Docas de cerca de 400 mil metros quadrados é suficiente para ampliar as operações no local.

“Dos 400 mil metros quadrados de área, utilizamos apenas 100 mil metros. O que precisamos é implantar operações ship to ship(de navio para navio) ou criar um dolfing(uma espécie de uma plataforma flutuante)”, explicou.

Costa disse ainda que o aumento das operações em São Sebastião não acarretaria prejuízos ao meio ambiente. O novo sistema de monitoramento é muito seguro. Segundo ele, o aumento das operações também não causaria impacto visual, pela movimentação de containers.

“Temos tomado muito cuidado na liberação de novas cargas no porto. Recusamos cargas de fertilizantes por entender que este tipo de carga causaria impactos. O cheiro é muito forte”, contou.

Operações

Costa chegou ao porto em julho de 2018 e desde então tem procurado melhorar as suas operações e aumentar a sua produtividade através de várias ações. Conseguiu trazer novas cargas para exportação e importação e as operações com barrilha.

Desde 2008 o porto local não movimentava mais de 100 mil toneladas de cargas mensalmente. Isso foi possível entre agosto e dezembro do ano passado. Segundo ele, apenas em outubro do ano passado a produção foi um pouco menor devido as chuvas. Em período de chuvas, as operações com barrilha são suspensas.

Em 2018,  84 navios atracaram no Porto de São Sebastião. Ao todo foram 718.106 toneladas de cargas.

Inovações

O porto recebeu boas inovações sob o comando de Costa. A primeira foi a instalação e operação de scanner para checagem dos containers. Outra iniciativa interessante foi à contratação de rebocadores exclusivos para atender o porto.

“Antes, o porto dependia dos rebocadores, que prestam serviços ao Tebar(Terminal Marítimo Almirante Barroso), da Petrobras. Quando chegavam navios petroleiros os rebocadores deixavam de atender os navios do porto. Isso atrasava e encarecia as operações portuárias”, explicou.

A maior preocupação de Costa, no momento, é com relação as estradas que atendem o porto. A Rio-Santos, por exemplo, tem limite de cargas no Km 116, nas Cigarras, devido a um deslizamento do acostamento. Só podem trafegar pelo trecho caminhões transportando até 23 toneladas.

Na Rio-Santos, no trecho da serra entre Boiçucanga e Maresias, é proibido o tráfego de caminhões e carretas também com cargas acima de 23 toneladas. As empresas que operam no porto estão utilizando caminhões menores e isso encarece e atrasa as operações dos navios.

Algumas empresas cancelaram suas operações em São Sebastião até que a estrada seja recuperada, segundo Costa. A expectativa é que o contorno Sul da Tamoios seja concluído o mais rápido possível. Aliás, a duplicação da Tamoios e a implantação do contorno Sul foram viabilizadas pelo estado justamente com o objetivo de atender a expansão das operações no porto sebastianense. A obra do contorno está atrasada.

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