Ilhabela Turismo

Castelhanos tem roteiro de turismo de experiência e cultura caiçara

Em Castelhanos, uma das mais belas e preservadas praias de Ilhabela, seis comunidades tradicionais caiçaras seculares mantêm sua cultura baseada na pesca, no artesanato e na gastronomia típica. As raízes ancestrais vêm da miscigenação de escravos vindos da África, de piratas europeus que aportaram em Ilhabela, de indígenas que frequentavam a ilha e, mais recentemente, da influência asiática. Por terem vivido muito tempo em parcial isolamento, estabeleceram uma relação muito próxima com a natureza.

Por Graciana Feitosa

Fotos: Florie Thielin

Desde o início deste ano, turistas têm a oportunidade de conhecer e experimentar essa sabedoria caiçara por meio do projeto Turismo de Base Castelhanos, que além de proporcionar experiências incríveis aos visitantes, auxilia no protagonismo da comunidade. Por se tratar de um modelo de gestão compartilhada, fortalece o desenvolvimento local e traz um incremento à renda mensal dos moradores aliando o turismo às suas atividades primárias. Atualmente, cerca de 16 pessoas participam da iniciativa.

Quem chega a Castelhanos por meio do projeto Turismo de Base Castelhanos pode conhecer a história da população local, ter uma prosa com os anciãos da comunidade, aprender artesanato de cestos e como tecer uma rede de pesca, ou acompanhar uma pesca no cerco – técnica japonesa que foi incorporada na Baía dos Castelhanos da década de 1920 e que se espalhou por todo o litoral (confira todas as oficinas abaixo).

 

Para quem busca mais adrenalina e integração com a natureza, o projeto oferece cinco tipos de trilhas em diferentes níveis de dificuldades, em meio à Mata Atlântica, com direito a banhos de cachoeira, além de passeios de barco e canoa para apreciar o litoral recortado da região (veja mais detalhes abaixo).

A comunidade oferece, ainda, opções de suítes e camping para quem deseja vivenciar essas experiências por alguns dias. No camping, a diária por pessoa é R$ 30. Nas suítes, R$ 200/250 para duas pessoas, R$ 275 para quatro e R$ 330 para grupos de seis. Há, também, opções de refeições com a culinária típica caiçara, feitas com frutos do mar frescos e alimentos locais, com pratos entre R$ 40 e R$ 55 por pessoa. Ao valor final da conta, é cobrada uma taxa de 10% de Fundo de Turismo.

Por se tratar de um turismo comunitário, tudo (exceto a alimentação) deve ser agendado previamente pelo site: https://www.castelhanos.org/. No portal, é possível, também, ver mais detalhes sobre o projeto, alimentação, acomodações e experiências.

O projeto é mantido pela Associação Castelhanos Vive, tem o apoio de parceiros e de um grupo de voluntários multidisciplinares que ajuda a comunidade a estruturar e a manter o negócio de maneira sustentável.

Conheça Castelhanos

De areias claras, Castelhanos tem cerca de 1,5km de extensão e mar aberto com ondas – completamente diferente do lado oeste da ilha, ideal para a prática do surfe. Com água azul clara, o visitante pode ter uma vista de tirar o fôlego se subir uma pequena trilha localizada no canto da praia, que mostra o visual deslumbrante da baía e o seu formato de coração.

No local, não há sinal de celular e a internet é limitada com acesso em alguns locais – ideal para quem deseja se desconectar. A energia elétrica funciona diariamente até as 23h, através de pequenos geradores movidos a gasolina ou diesel. Leve dinheiro em espécie, porque não há maquininhas de cartão em Castelhanos. Não se esqueça dos repelentes (sobretudo em óleo), por conta dos borrachudos que habitam a região, além de espirais e velas de citronela.

O que fazer

Trilha da Queda – Uma trilha em meio à Mata Atlântica que leva a uma cachoeira de 46 metros, conhecida pelos caiçaras s como cachoeira da Queda. A trilha começa na vila caiçara do Canto do Ribeirão, onde é possível observar as casas de pau-a-pique, que usam apenas recursos locais e ecológicos.

Nível de dificuldade: médio.

Trajeto: 3,6 km ida e volta

Valor: R$ 150 adulto, R$ 20 criança.

Praia do Gato – pequena e pouco frequentada, localizada ao norte da Praia

de Castelhanos e formada por grandes pedras, areia grossa e muitas conchas. Do

mirante do Gato dá para ter uma bela vista das ilhotas ao redor e por vezes avistar as canoas de pesca indo e vindo dos cercos da Baía dos Castelhanos.

Valor: R$ 115 adulto e R$ 20 criança

Nível de dificuldade: fácil.

Trajeto: 3,6 km ida e volta

Trilha Mansa e Vermelha – A trilha para as praias Mansa e Vermelha parte do Canto da Lagoa, na Praia de Castelhanos, com acesso por trilha e mar. A caminhada se dá ora dentro, ora fora da mata, com vistas da baía de tirar o fôlego. É possível retornar por terra ou mar.

Nível de dificuldade: médio.

Trajeto: 4 km ida e volta

Valor: R$ 260 e R$ 20 criança

Trilha da Figueira – A praia da Figueira está inserida na área do Parque Estadual de Ilhabela e abriga uma comunidade tradicional caiçara. Possui sítios arqueológicos e uma paisagem única. Suas águas são indicadas para o mergulho livre. Não recomendado para menores de 15 anos.

Nível de dificuldade: alto.

Trajeto: 7 km terra ida e volta e 3,5 km circuito terra e mar.

Valor: R$ 235 trilha, R$285 (trilha e barco) e R$ 245 (trilha e canoa).

Visita ao Cerco – Uma autêntica experiência de pesca caiçara junto com os

pescadores de Castelhanos. O cerco, feito totalmente de forma artesanal, é

considerado uma das artes de pesca mais importantes. A experiência acontece pela manhã, acompanhando a saída dos pescadores.

Valor: R$ 365 e R$ 40 criança

Passeio de Canoa a Remo na Ilhota – Cartão postal da Praia de Castelhanos, a Ilhota está localizada próxima à praia no Canto da Lagoa. A volta na Ilhota acontece em canoa tradicional caiçara esculpida a partir de um só tronco, pelos próprios pescadores locais.

Valor: R$ 40 adulto e R$ 10 criança

Roteiro Histórico – A Baía dos Castelhanos foi cenário de várias passagens históricas importantes para o arquipélago, das quais a comunidade caiçara foi se adaptando a cada transformação e fixando suas raízes. O roteiro histórico passa por locais que fazem parte da memória caiçara, onde ainda se fazem presentes ruínas de sítios arqueológicos que permitem ao visitante conhecer a história vivida no local.

Nível de dificuldade: baixo.

Trajeto: 2 horas de caminhada

Valor: R$ 220 adulto e R$ 30 criança

Oficina de Rede de Pesca – As oficinas de rede são ministradas por pescadores artesanais que confeccionam e preparam as redes para o exercício das atividades de pesca tradicionais. Elas são realizadas ao ar livre, entre as canoas e árvores que compõem a paisagem da Praia de Castelhanos.

Duração: 3 horas

Valor: R$ 90 adulto e R$ 15 criança

Oficina de Cestos – O artesanato caiçara é caracterizado pelo uso dos recursos

naturais como o bambu, madeira e sementes locais para produção de artefatos

utilizados na pesca, na decoração e objetos utilitários. Nessa oficina, o turista

aprende tudo sobre a produção das cestas e balaios, onde é muito comum o uso do taquaruçu.

Duração: 3 horas

Valor: R$ 130 adulto e R$ 20 criança

Roda de Conversa – Anciãos da comunidade, abrem as portas de sua casa para contar as histórias de antigamente. Eles levam os visitantes para uma verdadeira viagem no tempo, com fatos marcantes sobre a história de Castelhanos e da própria Ilhabela, ocorridos ali mesmo.

Duração: 40 a 50 minutos

Valor: R$ 130 adulto e R$ 20 criança

Obs: todos os valores de adultos são reduzidos gradativamente, de acordo com a quantidade de membros da família.

Como chegar

O acesso até lá é feito de barco ou em veículos de turismo ou particulares 4X4 pelo Parque Estadual de Ilhabela. A travessia da Estrada-Parque pode ser feita diariamente entre 7h e 14h (no sentido Praia dos Castelhanos) e entre 15h e 18h (no sentido Centro). São 15 km em meio à mata atlântica, com uma vista deslumbrante, passagem por cachoeiras e parada no mirante que avista toda a Baía de Castelhanos.

A travessia é oferecida pelo projeto Turismo de Base Comunitária Castelhanos e realizada pelo parceiro Da.ma.ta Ecoturismo. A contratação do serviço é feita durante o agendamento, junto com todo o pacote (travessia, hospedagem, experiências etc.). O parceiro de transporte busca e leva o turista onde ele estiver hospedado e há, também, um ponto de encontro na entrada do Parque Estadual de Ilhabela. A travessia por terra dura em torno de 1h20 e, via mar, cerca de 40 minutos – com saída no bairro Perequê.

Existem, também, outras agências de turismo que fazem o trajeto por terra e mar e que podem ser contratadas diretamente pelo visitante. Entretanto, todo o pacote oferecido pelo Turismo de Base Comunitária Castelhanos tem um valor mais atrativo.

Quem desejar fazer o trajeto em carro 4X4 próprio, precisa se atentar às regras do parque, que estabelece limite máximo de 42 veículos particulares por dia.

A travessia da Estrada-Parque pode ser feita diariamente entre 7h e 14h (no sentido Praia de Castelhanos) e entre 15h e 18h (no sentido Centro).

Turistas com hospedagem agendada na comunidade, que precisem cruzar a estrada fora desses horários, devem preencher a autorização e enviar para o e-mail a central de reservas do projeto, que irá auxiliar na logística da sua chegada. Na alta temporada e feriados, o fluxo de visitantes é maior, portanto é importante reservar com antecedência. Mais informações podem ser obtidas nos telefones do parque: (12) 3896-2585/1646.

Estacionamento

Ao fim da estrada Estrada-Parque, o visitante encontra o estacionamento da Praia de Castelhanos, onde pode estacionar o seu veículo. Somente veículos de turistas que estão com hospedagem agendada estão autorizados a cruzar o rio, que fica além do estacionamento.

 

 

 

Foto: Alex Damico

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